26 janeiro 2015
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O que nos ensinou Fernando Pessoa sobre gestão de empresas?

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Fernando Pessoa foi não só o mais universal dos poetas portugueses, como também um atento observador da realidade social da sua época. Em particular, da gestão de negócios. Sim, da gestão de empresas, da estratégia empresarial, da publicidade, do marketing, da contabilidade, do papel do Estado na economia, entre outros tópicos relacionados com a gestão. O conhecimento evolui e muda muito rapidamente neste século XXI mas os pensamentos de Fernando Pessoa à sua época mantêm-se mais atuais do que nunca.

Vejamos por exemplo o que dizia Fernando Pessoa sobre desenvolvimento pessoal, principalmente sobre produtividade pessoal, um tema que interessa a todos nós:

Cultiva a concentração, tempera a vontade, faz de ti uma força pensando, o mais intimamente possível, que és realmente uma força.

Lida cada carta, deve fazer-se um rápido, e instintivo, esboço mental do sentido do seu conteúdo. O comerciante tem pressa? Lê depois, quando tiver vagar. Nunca tem vagar? Se não tem vagar para trabalhar, o que é que lhe tira o vagar?

Para vencer – material ou imaterialmente – três coisas definíveis são precisas: saber trabalhar, aproveitar oportunidades, e criar relações. O resto pertence ao elemento indefinível, mas real, a que, à falta de melhor nome, se chama de sorte.

Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de ter êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?

Não é o trabalho, mas o saber trabalhar que é o segredo do êxito no trabalho; saber trabalhar quer dizer: não fazer um esforço inútil, persistir no esforço até ao fim, e saber reconstruir uma orientação quando se verificou que ela era, ou se tornou, errada.

A característica principal do homem que nasceu para mandar é que sabe mandar em si mesmo.

Porque que dizemos tantas vezes que os trabalhadores em Portugal são mal pagos, que a produtividade baixa assim o justifica?

É sabido de todos que a principal deficiência do comércio nacional não é tanto a falta de qualidade de trabalho, nem de qualidade de inteligência, mas sim de qualidades de organização.

E é por isso que…

É do pior gosto, e do pior efeito, desculpar-se um chefe com “um erro dum empregado”. Não há erros de empregados. Todo o erro de um empregado é apenas o erro de ter empregados que fazem erros.

O que nos leva de volta à questão da organização…

De todas as coisas “organizadas”, é o Estado em qualquer parte ou época, a mais mal organizada de todas.

E ao Estado:

Salvo para as carreiras militares -  em que há abertas especiais para a ambição e para a energia -, nenhum homem de verdadeira energia e ambição entra para o serviço fixo do Estado. Não entra porque não há ali caminho para a energia, e muito menos para a ambição.

Talvez seja por isso que muitos optem pela via do empreendedorismo…

O mesmo homem tem uma alma diferente, sobretudo na acção, quando se sente livre e quando se sente subordinado. Ao subordinado são organicamente impossíveis a iniciativa e a organização.

Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa,
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!

Uma das palavras que mais maltratadas têm sido, no entendimento que há delas, é a palavra oportunidade. Julgam muitos que por oportunidade se entende um presente a favor do Destino, análogo a oferecerem-nos o bilhete que há de ter a sorte grande. Algumas vezes assim é. Na realidade quotidiana, porém, oportunidade não quer dizer isto, nem o aproveitar-se dela significa o simplesmente aceitá-la. Oportunidade, para o homem consciente e prático, é aquele fenómeno exterior que pode ser transformado em consequências vantajosas por meio de um isolamento nele, pela inteligência, de certo elemento ou elementos, e a coordenação, pela vontade, da utilização desse ou desses. Tudo mais é herdar do tio brasileiro ou não estar onde caiu a granada.

Nunca nenhum homem se tornou milionário pelo trabalho árduo ou inteligência.

Ou porque não entendemos ainda verdadeiramente o papel do gestor.

Há três tipos de energia – a do trabalhador, a do homem activo e a do organizador. O trabalhador exerce regularmente um mister ou um cargo segundo as normas desse mesmo cargo ou mister. Corre numa calha indefinidamente e com grande utilidade social. O homem activo nunca tem mister próprio; a simples actividade é indisciplinada por natureza. Exerce ele sempre um cargo ocasional e temporário, numa espécie de molde em que vasa um momento a sua energia constante. Esse momento pode durar toda a vida; esse molde pode nunca quebrar-se. O organizador trabalha pouco: faz só calhas e moldes.

Todos os organizadores chamados “de gabinete” pecam, sem excepção, pela delineação de organismos estudados até ao último detalhe. Quanto mais inteligentes são, pior sai a obra praticamente, por isso mesmo que sai melhor intelectualmente, e portanto só intelectual. Não contam com o que a realidade é de flutuante e incerta. Aplicam à elaboração do que pensam que há de ser uma realidade o processo pelo qual legitimamente se confeccionam os sistemas filosóficos, os poemas épicos e os romances policiais.

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