Querer
Um pré-requisito para liderar é o que podemos resumir como o desejo de liderar. Nenhuma ideia tão simples como esta define melhor a liderança: um líder define-se pela sua ambição.
Algumas das pessoas mais inteligentes que conhecemos ao longo das nossas carreiras, engenheiros, advogados, contabilistas, comerciais, etc. são pessoas que não ascendem a uma posição de liderança porque ...não querem.
Um bom profissional, que assume para si mesmo e para a organização para a qual trabalha, que não quer ser líder de uma equipa, pode significar uma de duas coisas:
- ou está acomodado há tempo de mais na sua função (e a empresa terá de definir se isso é ou não aceitável),
- ou é um excelente técnico, o melhor do mundo na sua profissão (e a empresa deverá fazer tudo o que estiver ao seu alcance para o segurar)
Alguns exemplos dos mais conhecidos líderes demonstram que não é a personalidade, nem a inteligência que define os líderes. Podemos encontrar líderes introvertidos e extrovertidos (mais frequentemente), com mais ou menos experiência e inteligência, com formação académica nas mais diversas áreas, mas todos os bons líderes têm uma característica em comum: querem ser líderes.
Liderar significa atingir resultados
Um bom líder sabe que tem de ajudar as pessoas da sua equipa a chegarem mais longe, que o resultado dos seus esforços em grupo vale mais do que se trabalhassem individualmente. Liderar é fazer mais.
Em última análise, se a equipa produziu mais, melhor e mais rápido do que a concorrência, o líder fez o seu trabalho.
Liderar é sinónimo de energia positiva e entusiasmo
O líder tem de entusiasmar, desafiar e inspirar cada um dos membros do grupo para que eles próprios procurem mais.
Para entusiasmar os outros, tem de despender uma dose significativa de energia (o que é algo de muito difícil para alguns). Compreender as suas próprias emoções e saber auto-motivar-se, auto-entusiasmar-se com os desafios é o que atrai as pessoas. A nossa energia produz energia!
Isto passa mais vezes despercebido do que desejado, principalmente porque ainda tendemos a associar o papel da liderança com as competências técnicas e o QI do líder.
Liderar é sobretudo ser capaz de influenciar as emoções dos outros para criar energia, paixão, entusiasmo e empenho. Para que precisamos então da razão, da lógica e do QI para o fazer? Indiscutivelmente, a inteligência é um pré-requisito do líder mas não é uma característica distintiva da liderança. Infelizmente, a maior parte das empresas ainda não percebeu isto e continua a promover as pessoas para lugares de chefia com base nas suas capacidades técnicas e na inteligência. Os directores financeiros são os contabilistas mais experientes, os directores de produção são os engenheiros mais técnicos e os directores comerciais os vendedores com mais "anos de casa". Muitas vezes perdem-se bons técnicos e ganham-se maus líderes.
O líder tem de fazer funcionar a sua equipa
Além disto, o líder também tem de ser capaz de fazer os membros da equipa funcionar como equipa. Diferentes personalidades, objectivos conflituantes, diferentes motivações pessoais nem sempre são bem identificadas e geridas, o que nos leva necessariamente à questão do interesse nas pessoas.
Se o director financeiro da sua empresa gosta mais de números do que de pessoas, isso não significa que ele não faça o seu trabalho, mas quer dizer que vai ter muita dificuldade em liderar a sua equipa. Para ser um bom líder de equipa, ele vai ter que adquirir um interesse maior pelas pessoas: quais são os seus objectivos pessoais e profissionais, o que lhes dá mais prazer, quais são os seus medos - quem são verdadeiramente?
Para alguns líderes isto é mais fácil do que para outros. Algumas pessoas têm uma tendência natural para investirem mais em novas relações humanas, fazem algo pelos outros sem esperarem nada em troca. Estas pessoas obtêm um conhecimento maior sobre quem são realmente os outros e desenvolvem naturalmente uma característica fundamental para a liderança: a empatia.
Se o director financeiro do nosso exemplo não tem o interesse genuíno pelas pessoas e o quer adquirir, vai ter de desenvolver um grande esforço. Para ser um bom líder, vai ter de ser capaz de gerar "energia organizacional", o desejo conjunto de vencer, de persistir perante as adversidades, de produzir ideias criativas e de obter o compromisso de todos. Mais uma vez, isto não se consegue com números nem competências analíticas.
Liderança significa exceder-se
Uma situação muito frequente que ainda vemos nas empresas é a promoção de "bons funcionários" a cargos de grande responsabilidade. É certo que a fiabilidade, tal como a inteligência, é um requisito fundamental, mas não é o factor que distingue os melhores líderes.
Tendo uma noção do nível de exigência de cada função, um bom líder tem de procurar exceder o que se espera dele. Fazer apenas o que é pedido é manter-se no "aceitável". Com o tempo, o "aceitável" torna-se "aborrecido", torna-se ... "medíocre".
A mediocridade é a norma nas empresas. Se a empresa procura o "aceitável" em termos de qualidade dos seus produtos e o "normal" na fiabilidade nos prazos de entrega vai cair no jogo da mediocridade: passa a comprar e vender mediocridade. Todos a aceitam tacitamente como "normal": os atrasos, os defeitos, as rotinas são "a maneira" como se fazem as coisas.
Ser capaz de exceder sistematicamente o que é exigido é uma forma de auto-desenvolvimento, mas, principalmente, um desafio importante que contraria a tendência para a mediocridade tacitamente aceite. É da responsabilidade do líder estabelecer desafios, fazer com que as pessoas se transcendam em termos de criatividade e de entusiasmar. Os melhores líderes são catalisadores e excedem o que deles se espera.