sábado, 17 abril 2010

Arranje trabalho já!

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O pleno emprego acabou. É verdade, não há emprego para todos. Mas há trabalho para todos, acredite.

Então o que quero dizer com isto? É simples. Um emprego é um contrato de trabalho sem fim à vista. Se é isso que está à procura, é você que tem de mudar de uma vez.

 

Há um desencontro na sociedade portuguesa: há empregos para determinadas profissões, que não coincidem com as competências de quem está sem emprego!

Só existem empregos como você os conhece há cerca de 200 anos. Dantes, grande parte das pessoas tinham o seu próprio negócio.

Hoje em dia, são tantas as variedades de organização do trabalho, que talvez você nem imagine!

Assim, vamos arranjar trabalho para si:

  1. Adapte-se. Não parta do princípio que é o estado ou as instituições que são obrigadas a arranjar-lhe trabalho. O trabalho é para si! Lute por ele e não desista;
  2. Não se encaixe numa "caixa". Há um ditado inglês que diz "Think outside the box", ou seja, pense sempre para além da caixa. Isto significa que, quando você exerce determinada profissão ela mescla-se com a sua personalidade e você fecha-se numa caixinha, rotulando-se (ex. "eu sou secretária", "eu sou assistente de escritório", etc.) e esquece-se que pode desempenhar muito mais funções. Não negue oportunidades à partida;
  3. Consulte um especialista. No IEFP (Instituto de Emprego e Formação Profissional) e nos serviços privados existem psicólogos ou conselheiros de orientação profissional que o podem ajudar na sua reconversão profissional. A reconversão profissional ajudá-lo-á a encontrar compatibilidade entre competências que possui de uma anterior profissão e que se ajustam a novas profissões que queira prosseguir. Neste processo terá oportunidade de realizar um balanço de competências, um portefólio de competências e, por fim, um bom Curriculum Vitae.;
  4. Não coloque de lado a possibilidade do trabalho a tempo parcial ou até do trabalho temporário. O trabalho temporário é, muitas vezes, um trampolim para um emprego. Procure empresas devidamente acreditadas: é necessário ter Alvará para ser uma empresa de trabalho temporário. Neste tipo de trabalho existem três partes: O trabalhador exerce funções numa determinada empresa (empresa "X") mas possui um contrato a prazo com a empresa de trabalho temporário (empresa "Y"). É uma oportunidade óptima para novas aprendizagens e se se demonstrar um trabalhador competente, a empresa de trabalho temporário poderá arranjar-lhe muitos outros contratos;
  5. Reflicta se não é capaz de criar o seu próprio emprego. Pode ser um pouco assustador, mas existem profissionais que o podem aconselhar em diversas instituições e existem diversas organizações que o fazem gratuitamente em programas de apoio ao empreendedorismo. Além disso, existem programas específicos para isso, e um dos mais bem sucedidos de todos os tempos é o incentivo ao micro-crédito para criar o seu emprego. Inscreva-se num curso de empreendedorismo: mesmo que não chegue a criar o seu próprio emprego, essa formação tem a tendência para lhe abrir os horizontes:
  6. Não se assuste com os famosos "recibos verdes". É verdade que o trabalho independente ou o contrato de prestação de serviços, conhecido no senso comum como os "recibos verdes" (que nem são bem verdes) são situações precárias. Não terá direito a subsídios de férias ou subsídio de natal e outros benefícios sociais conquistados em Portugal há bastantes décadas. Mas pense antes nesta oportunidade como uma situação flexível, pois poderá despedir-se a qualquer momento que lhe surja outra oportunidade mais interessante. Ademais é uma oportunidade de manter-se ocupado e ganhar algum dinheiro e, muitas vezes, através dela conseguirá os contactos necessários para um emprego no futuro (até falo por experiência própria neste caso!);
  7. Caso semelhante acontece com o trabalho voluntário. É verdade que não ganhará dinheiro, mas poderá escalar para um emprego. Apenas deve ter em atenção que nunca deve realizar voluntariado mais do que 8 a 10 horas por semana e, se possível, evite fazê-lo no âmbito do que considera ser a sua profissão principal. Esteja atento às promessas de ser integrado num emprego na organização: se lhe prometem isso mais do que 3 meses, na minha opinião, deve desistir ou diminuir a sua colaboração voluntária. Entretanto, criará contactos, sentir-se-á útil e ganhará novas competências (ao invés de ficar sentado em casa);
  8. "Aprende-se até morrer". Nunca se julgue incapaz de aprender algo novo. Seja paciente consigo próprio e permita-se experimentar. Inscreva-se em acções de formação: existem muitas gratuitas e algumas que até pagam pequenos subsídios. Aproveite para alargar (e manter) a sua rede de contactos. Vá trocando emails com conhecidos e nunca tenha vergonha de admitir que está "entre-empregos" ou à procura de novas oportunidades profissionais (evite a palavra desempregado, além de ter um teor mais negativo para os outros também o tem para si!);
  9. Obviamente, leia todos os classificados de jornais e revistas que encontrar. Além dos classificados, leia também outras notícias: esteja atento a empresas em expansão e funções que recentemente surgiram no mercado de trabalho (por exemplo, toda a panóplia de novas funções ligadas às energias renováveis). Se encontrou notícias sobre empresas em expansão, envie uma candidatura espontânea, referindo essa leitura que fez na sua carta de apresentação/motivação;
  10. Inscreva-se em todos os sites de emprego que encontrar e noutros sites (por exemplo, o Linked In, o Facebook, etc.). Marque presença nesses sites. Alguns permitem até triar as ofertas e recebê-las directamente no seu e-mail (mas não "feche" demasiado a busca, pois poderá perder oportunidades). Se não percebe muito de tecnologias, está mesmo na hora de se inscrever numa formação neste ramo. Não se deixe tornar obsoleto, pois também é seu dever actualizar-se e acompanhar as mudanças no mundo do trabalho;
  11. Vá a encontros, seminários e congressos da sua profissão ou de profissões semelhantes. Muitos destes eventos têm um custo baixo e poderá passar o dia a conhecer pessoas e, claro, a actualizar conhecimentos;
  12. O teletrabalho chegou para ficar. Pode parecer invulgar no início, para quem sempre trabalhou num determinado local de trabalho, agora ter de trabalhar na sua própria casa, mas esta nova forma de organização do trabalho tem diversas vantagens. Tenha cuidado com algumas ofertas que podem demonstrar-se "enganadoras" principalmente aquelas que pedem que você faça um investimento inicial;
  13. Aproveite oportunidades de realizar estágios profissionais. O plano nacional de estágios do IEFP foi alargado para pessoas até aos 35 anos (esperemos que um dia alarguem ainda mais a faixa etária admissível!). Além disso, existem imensos outros programas de estágios, quer para a administração pública quer programas específicos de grande empresas. É possível realizar um estágio quer tenha o 12.º ano quer tenha uma licenciatura. Se não encontrar ofertas de estágio, você também pode pegar nas rédeas da situação: procure nos seus contactos pessoais se não conhecerá nenhuma empresa a quem possa propor essa oportunidade;
  14. Nunca é demais aconselhar para investir num bom Curriculum Vitae. Tenha sempre três versões à mão: Um CV detalhado em português, um CV resumido (de preferência com 1 página) e um CV resumido em Inglês. O CV em inglês é mais adequado a quem procura empregos no estrangeiro, mas lembre-se que cada vez mais multinacionais estrangeiras se instalam em Portugal e, muitas vezes, quem vem fazer a prospecção e o recrutamento precisa CV's em Inglês;
  15. No CV nunca menospreze os passatempos. Pode parecer-lhe estranho que se dê tanta importância a isso, mas esses detalhes contribuem para a compreensão de si como pessoa e você não se divide em "pessoa" versus "trabalhador"! Uma pessoa sem passatempos indicia ao recrutador que se pode tratar de alguém sem iniciativa, sem criatividade, "pobre de espírito", sem vida além do trabalho;
  16. Além disso, um passatempo pode transformar-se num emprego: nunca se esqueça disso. Pense bem se não gostaria de transformar esse hobbie numa oportunidade de trabalho e faça pesquisas na internet sobre esse assunto. Caso decida concorrer a uma vaga, diga na sua carta que apesar de nunca ter realizado essa função de forma remunerada, já se dedica a essa área de trabalho há muitos anos nos seus tempos livres, o que demonstra o seu gosto e paixão por esse ramo;
  17. Envie candidaturas espontâneas bem elaboradas. Crie uma folha de Excel onde controla as candidaturas que faz. Será terrível se alguém lhe telefonar e você já não se recordar para onde enviou candidaturas;
  18. Esteja atento às iniciativas de promoção de emprego. Caso numa entrevista o assunto venha à baila, fica sempre bem você mostrar conhecimentos sobre isto, por exemplo, indicando à empresa que tem vantagens em contratá-lo devido ao facto de ser desempregado, ou descontos dos impostos em caso de contratos específicos. Muitos pequenos empresários não estão a par destas iniciativas (visite o site governamental em: http://www.emprego2010.gov.pt/);
  19. Se puder, não se limite a Portugal. Existem muitas ofertas de emprego para o estrangeiro e será sempre uma experiência única na sua vida. Mais uma vez, deve ter alguns cuidados como, por exemplo, pesquisar exaustivamente a empresa anunciante, questionar com detalhe sobre as condições de trabalho e nunca ir para o estrangeiro completamente desprevenido (por exemplo, levar telemóvel com roaming activo, ter algum dinheiro na conta e levar um cartão Visa).
Patrícia Araújo

Patrícia Araújo é Escritora, Consultora de RH e Formadora. É Psicóloga (Membro da Ordem dos Psicólogos Portugueses) e Mestre em Psicologia Organizacional pela Universidade do Porto e paralelamente é professora de Yoga., exerce consultas de psicologia (orientação psicologia positiva-humanista), sendo também docente universitária. Contacto: pattaraujo@gmail.com

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