segunda, 29 março 2010

Convidar clientes e parceiros para uma refeição de negócios

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Já tivemos oportunidade de reflectir sobre as vantagens e desvantagens das refeições de negócios. Agora, torna-se imperativo falar da etiqueta nessa mesa de negócios. Influenciados também pela nossa atitude de "à moda portuguesa", parece que os empresários portugueses abraçaram esta prática de convidar clientes e parceiros para uma refeição de negócios.


É um facto que Portugal é considerado um dos países com melhor gastronomia da Europa (quiçá do mundo!) e estranho seria se esta tradição não penetrasse o mundo das parcerias empresariais. Porém, as refeições de negócios são as que mais obrigam a um comportamento adequado, inteligente e ponderado e, por isso, a "Mesa portuguesa", exige redobrada atenção...

1. À chegada
Quem convida deve chegar sempre primeiro. Ao chegar, não estenda a mão para quem já estiver a comer: use apenas um cumprimento verbal.
Sente-se e tome consciência da sua comunicação corporal. Esforce-se por ter gestos calmos, graciosos e elegantes.
Se encontrar pessoas conhecidas, cumprimente-os de preferência acenando em vez de usar o aperto de mão (este só deve ser utilizado quando ambos têm as mãos lavadas). Não se demore no cumprimento. Diga apenas: "Olá, como vai?", "Prazer em vê-lo!", "Depois eu ligo para conversarmos!".
Se o restaurante não tiver bengaleiro, peça uma cadeira extra para pousar bolsas, casacos, etc.
Não peça nada senão água, até que todos comecem a fazer as suas escolhas.

2. Sentar e Escolher
Segure a cadeira firmemente e sente-se com um único movimento. Sente-se coma coluna erecta e com os braços junto ao corpo. Na cultura oriental é aceitável curvar-se sobre o prato. Caso o guardanapo seja de pano, coloque no colo na horizontal.

Por falar em oriental, se escolheu um restaurante oriental, por exemplo, chinês ou japonês, deve saber comer com pauzinhos. Não que seja errado adoptar os nossos talheres, mas fica sempre bem mostrar que sabe um pouco de cada cultura, principalmente se o convidado é dessa cultura. Caso o convidado corrija por exemplo a forma como manuseia os pauzinhos, aproveite para mostrar que quer aprender e peça conselhos (não se mostre arrogante). Os chamados "Pauzinhos" são normalmente feitos em madeira, bambu, marfim ou metal, e mais recentemente de plástico. São manuseados com a mão direita, entre o dedo polegar e os dedos anelar, médio e indicador, e servem para apanhar pedaços de comida ou empurrá-los directamente da tigela para a boca. Segundo a Wikipedia, "a palavra em mandarim para os pauzinhos é  kuaizi(kuàizi), em que o caracter kuaizi2 significa "objectos de bambu para comer rapidamente". Sendo originários da China antiga foram no entanto profusamente utilizados em todo o leste asiático".

Nunca escolha o prato mais caro, caso seja o convidado. Não receie pedir esclarecimentos ao empregado sobre o menu (atenção para os conselhos de empregados insistentes: geralmente são pratos com pouca saída). Não chame o empregado com estalos de dedos, gritando ou chamando "chefe".

Pense duas vezes antes de pedir ou experimentar algo diferente, pois poderá meter-se em grandes alhadas! Se tal acontecer, observe os outros calmamente e vá replicando os seus movimentos discretamente.

Se não bebe, não há problema em recusar bebidas alcoólicas. Explique aos anfitriões: "Obrigado(a), não bebo bebidas alcoólicas". Se o emprego lhe serve uma bebida alcoólica, diga apenas "Não, obrigado". Quando recusar, não coloque a mão no copo, basta apenas um dedo na borda do copo. Se bebe, peça o menos possível mas de preferência aguarde sempre que quem convidou peça as bebidas...

Ter alguns conhecimentos sobre enologia pode ser uma mais-valia numa refeição de negócios.

No couvert, as azeitonas devem ser comidas com os dedos e para retirar o caroço da boca devem ser usados os dedos também. Se estas vierem a enfeitar uma sala deve-se levar o garfo à boca e retirar com o garfo. O pão é partido com as mãos, nunca com a faca ou com a boca. Deve ser comido como entrada com manteiga, queijo ou patê e as migalhas devem cair dentro do prato.

Muitas vezes as pessoas atrapalham-se e usam o pratinho à sua direita, ou seja, o do vizinho. O correcto é utilizar o pratinho do pão que fica à sua esquerda.

Não se penteie, maquie ou leve as mãos constantemente ao cabelo.

3. À mesa
Não se engane na qualidade de copos: Fino e alto é uma flute de champagne, o maior é água ou sumo, o médio é de vinho tinto e o menor é de vinho branco. Saiba distinguir talheres de peixe de talheres de carne.

Se a comida estiver quente, não assopre: aguarde que ela esfrie normalmente.

Nunca comece a comer antes dos outros: espere que todos estejam servidos, e comecem juntos (e deve esforçar-se para que terminem todos juntos).

Não se corta todo o alimento de uma só vez, corta-se em pedacinhos pequenos.

Leve a colher de sopa á boa pela lateral, não faça barulho ao comer sopa nem vire o prato da mesma.

Conserve os cotovelos junto ao corpo, sem apoiá-los na mesa durante a refeição.

Antes de levar o copo à boca, passe o guardanapo pelos lábios mesmo que não sinta essa necessidade.

Mastigue silenciosamente e de boca fechada e não gesticule com os talheres. A faca serve apenas para cortar e depois de usá-la, pouse-a prato com a serrilha voltada para si.

Quando os pratos surgem bem decorados podemos pensar que as decorações não se comem, mas grande parte dos legumes e outros elementos decorados são mesmo para comer!

Não se estique por cima da mesa para chegar a algo: peça aos outros convidados para fazer o favor de lhe passarem o que necessita.

4. Uma pausa?
Preferencialmente, não se sai da mesa antes de terminada a refeição, excepto se for realmente inevitável.
Se fizer uma pausa, para ir à casa de banho por exemplo, deve deixar os talheres em cima do prato em forma de acento circunflexo. Ao sair da mesa coloque o guardanapo em cima da toalha, à esquerda do prato.

Não arraste a cadeira quando se levantar e coloque a cadeira no lugar sem arrastar.

Se fizer uma pausa sem sair da mesa, por exemplo, para prestar atenção a alguma parte da conversa ou falar, se ficar com os talheres na mão, a ponta da faca e os dentes do garfo devem sempre apontar para baixo.

5. Finalizar
Em princípio todos conhecemos o código de comunicação que sinaliza que terminámos aquele prato: colocar os talheres sobre o prato, juntinhos, à direita, na posição do relógio das 15h00, o garfo com os dentes para cima e a faca com a lâmina voltada para nós próprios.
Nunca se deve deixar os talheres cruzados, nem empurrar o prato para a frente quando se termina: deixe-o onde está.

No final da sobremesa, os talheres devem ser postos no prato que vem por debaixo da taça pois não é adequado deixá-los dentro da taça. Caso não haja prato, a colher fica sobre a mesa mesmo, à direita da taça.

Não palite os dentes em público (se é uma pessoa que tem essa necessidade, traga fio dental na carteira e vá ao W.C.);
Em caso de brinde, o convidado deve tomar pelo menos um gole antes de pousar a taça. Deve-se brindar de preferência de pé. Se se preferem brindar sentados, nunca se brinda com o cotovelo pousado na mesa (isto acontece por vezes por distracção, quando por exemplo, há um discurso de brinde muito longo e o braço começa a cansar) Nunca se brinda com o copo vazio.

Regra final: Quem convidou paga a conta. Não há excepções...mesmo para aqueles que pensam que as mulheres estão sempre dispensadas de pagar. Se você já conhece o convidado de contactos profissionais anteriores e ele insistir, não há problema se concordarem em dividir a conta.

[Considerações quanto a Gorjetas: É internacionalmente de bom-tom deixar gorjeta em quase todos os países e em alguns a gorjeta já vem incluída na conta. Porém, em países como o Japão, por exemplo, dar gorjetas é um insulto. Na Áustria, Bahamas, Argentina, Guatemala, etc., a média de gorjetas ronda os 10 %. Em países como Samoa, Omã, Dinamarca, Singapura, Ilhas Fiji, Tailândia e Emirados unidos não é costume dar gorjeta. Outros países parecem ter tradição de ir até aos 15% como é o caso da Irlanda, México, Rússia e Canadá. Nos Estados Unidos a gorjeta pode ir até 20%! Em caso de dúvida, o melhor é fazer uma pesquisa detalhada antes de ir para o país em causa. Mesmo na internet encontra vários guias de viagens detalhados sobre este assunto.]
Por último, é de evitar fazer reclamações sobre o serviço ou sobre os pratos em voz alta. Se for o caso, faça-as de forma discreta.

Patrícia Araújo

Patrícia Araújo é Escritora, Consultora de RH e Formadora. É Psicóloga (Membro da Ordem dos Psicólogos Portugueses) e Mestre em Psicologia Organizacional pela Universidade do Porto e paralelamente é professora de Yoga., exerce consultas de psicologia (orientação psicologia positiva-humanista), sendo também docente universitária. Contacto: pattaraujo@gmail.com

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