terça, 19 fevereiro 2019 12:35

Devem as empresas promover ações de formação?

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O artigo de hoje é sobre a importância que a formação profissional tem no aumento das qualificações dos recursos humanos nas nossas empresas. Devem as empresas promover ações de formação aos seus colaboradores? A resposta é, sem dúvida nenhuma, sim. A seguir, esgrimo os argumentos que sustentam esta resposta.

Atualmente, o termo “formação” abarca diferentes definições de acordo com o objetivo, conteúdo, forma de ministrar e aplicabilidade prática. É normal associar o termo formação ao desenvolvimento de competências profissionais e técnicas com o objetivo de aumentar o know-how dos formandos, refletido no aumento das suas competências profissionais, pessoas e técnicas para o desemprenho das suas funções. No entanto, cada vez mais nos deparamos com formações que têm objetivos diferentes, visando privilegiar outras dimensões, mais especificamente, o desenvolvimento humano e as relações interpessoais.

A questão da formação continua a ser encarada pela maioria dos empresários e empresas portuguesas como um custo. Um investimento sem retorno a curto prazo. Uma “perda de tempo”, facilmente convertível em tempo de trabalho lucrativo. Do ponto de vista financeiro, a formação é um custo para a empresa cujo proveito não sabemos quando irá, e se irá, efetivamente, acontecer e qual o montante a encaixar com o investimento inicial. Para piorar esta situação, os colaboradores das empresas são livres de saírem a qualquer momento, levando consigo os preciosos conhecimentos adquiridos pelo investimento feito pela empresa.

Felizmente, este estigma de custo sem retorno imediato tem vindo a perder força e cada vez mais a formação é entendida pelos nossos empresários como uma prioridade, um objetivo estratégico de aposta no potencial dos seus recursos humanos, tornando-se mais competitivas no mercado de trabalho.

São muitas as vantagens que podem advir tanto para o trabalhador como para a empresa, que optam por tirar partido da formação profissional. Vamos enumerar algumas:

  • Valorização profissional dos recursos humanos, talvez a mais importante de todas. Colaboradores motivados e qualificados são sinónimo de maior produtividade.
  • Aumento do know-how, competências e capacidades dos trabalhadores, que se traduzem no aumento da autoestima dos mesmos, levando a melhorias na sua performance. Isto resulta, novamente, em aumentos significativos da sua produtividade.
  • Maior proatividade e dinamismo. Colaboradores mais motivados tendem a ser mais proativos e dinâmicos, mais curiosos e, inevitavelmente, mais produtivos.
  • Estimula a inovação e a criatividade. Em direta relação com o ponto anterior, colaboradores motivados, dinâmicos e curiosos são naturalmente mais criativos e inovadores.
  • Abertura de novos horizontes pessoais e profissionais. Ou seja, maior ambição na progressão das suas carreiras, o que se traduz no aumento das suas performances como forma de poderem progredir hierarquicamente e obter reconhecimento pelo seu esforço.
  • Contribui para a melhoria das relações interpessoais. Os recursos humanos são o que constituem as empresas. Sem recursos humanos, as empresas não funcionam. Ter uma equipa coesa e com excelentes relações interpessoais é meio caminho andado para o sucesso. A formação possibilita a melhoria das relações entre os colegas de trabalho, através da aproximação que, de outra forma, não aconteceria, possibilita a abertura a opiniões de terceiros, à partilha de ideias e conceitos que acabam por produzir resultados positivos a nível do aumento da produtividade dos mesmos. Muitas vezes os trabalhadores estão fechados dentro de uma bolha, focados apenas nas suas tarefas, sem partilharem ideias ou problemas que possam estar a experienciar. A formação permite que esses mesmos trabalhadores, através da aproximação com os colegas, consigam expandir os seus horizontes, permitindo-lhes abrirem a sua bolha e partilharem e receberem informações preciosas para o aumento das suas performances profissionais. Esta abertura permite o aumento das relações interpessoais entre todos, que se traduz no aumento da produtividade para todos, empregados e empresa.
  • Promove o melhor funcionamento das empresas/organizações. Através da aquisição de novos conhecimento e da reciclagem e aperfeiçoamento dos já existentes, os colaboradores das empresas aumentam as suas competências profissionais, o que se significa um aumento da sua performance profissional, conseguindo reduzir tempos de trabalho, evitando os desperdícios e aumentando a produtividade. Isto reflete-se em toda a organização, refletindo um aumento da eficiência e eficácia de toda a organização.
  • Aumento da competitividade das empresas. Aumentando a eficiência e eficácia de toda a organização, aumenta-se indubitavelmente e indissocialvelmente a competitividade das empresas. Empresas coesas, organizadas, focalizadas para o resultado e com recursos humanos motivados e unidos são empresas mais competitivas e mais bem preparadas para o mercado onde se inserem.

A formação é um instrumento de Gestão de Recursos Humanos imprescindível à consecução da estratégia organizacional das empresas.

Ao longo dos anos, a formação tem vindo a assumir um papel importante dentro das organizações. A introdução do direito à formação no Código do Trabalho é prova disso mesmo. A formação deixou de ser um “luxo”, apenas acessível a alguns, para ser um direito de qualquer trabalhador. Está consagrado no Código do Trabalho que todo o trabalhador tem direito a um mínimo de 35 horas anuais de formação, asseguradas pela sua entidade empregadora. Mas sendo um direito consagrado no Código do Trabalho, é igualmente um dever, uma vez que o trabalhador não pode recusar-se a participar nas ações de formação profissional que sejam promovidas pela sua entidade empregadora.

As empresas devem elaborar um Plano de Formação Anual, adequado às necessidades formativas dos seus recursos humanos. Um plano de formação bem elaborado e estruturado, com ações que correspondam às expetativas dos seus colaboradores e enquadradas nas suas funções, que permitam efetivamente resultados positivos, é um meio para atingir um fim, o aumento da competitividade da sua empresa, colocando-a na linha da frente no seu setor de atividade.

Todo o esforço adicional que é exigido aos colaboradores, para repor as horas de trabalho perdidas na formação e nas deslocações a que obriga, quando a formação ocorre em local externo, é um esforço compensatório quando as ações vão de encontro às lacunas existentes no seu quadro de pessoal e se traduzem num aumento significativo das competências pessoais e profissionais dos seus colaboradores.

É verdade que ainda existem muitas empresas que continuam a enviar os seus colaboradores para a formação apenas porque é obrigatório, muitas vezes escolhendo ações de formação que nada têm a ver com as suas funções, não contribuindo para o aumento das suas competências profissionais, acabando por não tirarem o devido proveito das vantagens da formação. Tanto a empresa como os trabalhadores. É igualmente verdade que muitos colaboradores não encaram a formação como a oportunidade que é, mas sim como uma obrigação, não se mostrando motivados nem agradados com o facto de serem obrigados a frequentá-la. Ainda temos um longo caminho a seguir para combater estas situações. É necessário que os empresários olhem a formação como uma mais valia, e motivem os seus colaboradores para a frequência da formação, tirando o maior proveito de tudo o que dela advém.

Uma ação de formação que vá ao encontro das suas expetativas é garante mais que certo do retorno que o investimento inicial que a mesma implica será compensado. Colaboradores motivados são a chave do sucesso das empresas.

Em jeito de conclusão, se uma empresa tiver colaboradores que apliquem invariavelmente as suas habilidades e conhecimentos adquiridos na formação, no contexto de trabalho, terá melhores condições de criar maior produtividade e sucesso organizacional. Para isso, é necessário que os empresários concentrem os seus esforços num bom sistema de gestão de recursos humanos, nomeadamente no desenvolvimento das melhores práticas.

Estamos agora perante uma realidade em que os recursos humanos se transformam em vantagens competitivas dentro das organizações, deixando de ser um obstáculo. Estas são constituídas por pessoas e dependem delas para atingir objetivos e cumprir missões. Os colaboradores passam a ser considerados os recursos fundamentais para o sucesso e evolução organizacional, aliás os únicos recursos vivos e inteligentes de que as organizações dispõem para enfrentar os desafios.

Em linha com este artigo, sugiro uma visita ao separador “Formação", no menu à direito do topo da página, onde podem consultar a nossa oferta formativa nas modalidades "Formação Presencial", "Formação Online" e "Formação à Medida". Poderá conter a resposta às suas lacunas em termos de necessidades formativas. Para isso, basta inscrever-se numa das ações de formação disponíveis, ou solicitar-nos um orçamento para a elaboração de uma proposta de formação à medida das necessidades da sua empresa.

Para mais informações, não hesite em contactar-nos por telefone (22 092 70 49), ou na caixa de comentários abaixo.

Regina Costa

Licenciada em Educação pela Universidade do Minho, tem desenvolvido a sua atividade profissional na área da formação profissional, desempenhando neste momento funções de Gestora de Formação.

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