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segunda, 02 julho 2018

O desafio da tecnologia à função financeira

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Muitas empresas alteraram o seu paradigma da função financeira e isso deve-se, sobretudo, à evolução tecnológica. Esta evolução permite acompanhar o ritmo imposto por um mundo mais global, mais descentralizado e mais partilhado. Hoje, a função financeira tem um papel mais estratégico e central dentro das organizações. Se no passado não era assim, a quantidade de informação e a necessidade de decidir mais rapidamente levou a que a função financeira se ajustasse às tecnologias de informação de negócios, no sentido de criar valor para as empresas e ajudar a que estas o mantenham.

Se antes os departamentos financeiros tinham o seu foco na redução de custos e eficiência operacional, pelo que produziam relatórios e orçamentos para alguns, hoje torna-se necessário que a informação disponível seja atualizável e partilhável por todos. Isto implica que a função financeira passe a ter um papel mais ativo do que até agora. De outra forma, as empresas poderão perder competitividade face aos concorrentes que vêm no departamento financeiro um agente colaborativo e uma fonte confiável de informações de gestão.

A informação disponibilizada pelos gestores financeiros tem de evidenciar credibilidade e exatidão ao mesmo tempo que definem indicadores, objetivos e resultados. A estas caraterísticas temos de acrescentar a velocidade. A informação financeira não é mais estática ou resumida a um período de tempo. Pelo contrário, a informação financeira tem de ser veloz e acompanhar as alterações que acontecem nos negócios. Se estas alterações forem acompanhadas em tempo real, tanto melhor. Não é útil conhecer as vendas de determinado produto no momento em que isso acontece? Ou saber se o produto está disponível em armazém em qualquer momento?

Para que isto possa ser possível, as empresas têm de ter os seus recursos humanos e tecnológicos preparados para esta mudança. Como se sabe, os dados que as empresas dispõem para análise são cada vez mais. É neste campo que a função financeira vê a sua importância acrescida. A recolha de dados financeiros e de clientes estão espalhados por várias fontes. Caberá ao departamento financeiro recolher esses dados, tratá-los e disponibilizar a informação obtida de forma acessível aos decisores. Esta forma acessível já não é mais um relatório em papel, mas um relatório digital apoiado por qualquer software.

Disponibilizar a informação obtida significa que o departamento financeiro analisou informações financeiras e não financeiras para extrair conhecimento relevante que ajudará na tomada de decisões. As atividades básicas não se alteraram na sua essência, mas a forma como se consegue reunir e partilhar informação crítica, bem como sistemas de controlo, alterou e tem um impacto maior na análise dos resultados alcançados ou na definição de novas estratégias. Isto significa que, com a tecnologia certa, a função financeira alarga a sua influência organizacional, na medida em que passa a identificar problemas e a apresentar as soluções.

Atualmente, análise dos dados é feita de forma integrada e relacional, o que permite fazer perguntas sobre a informação que se obtém. Assim, será possível indicar oportunidades, quer seja para a inovação ou para a redução de riscos, por exemplo. É esta uma das implicações da tecnologia na função financeira, uma vez que tem de assumir o papel de verificar e alertar para novas oportunidades ou ameaças ao negócio. O desenvolvimento da tecnologia permite automatizar os processos de rotina, o que implica que, cada vez mais, são necessários os relacionamentos e interação entre os vários departamentos das empresas. Por outras palavras, os profissionais ligados à função financeira terão de ter, para além de competências técnicas e de análise de dados, competências comerciais e sociais, uma vez que funcionarão de forma colaborativa com profissionais de outras áreas e até com pessoas externas à empresa ou organização.

Devido ao desenvolvimento tecnológico, as empresas e organizações tendem a tornarem-se mais dinâmicas e complexas, pelo que o papel da função financeira e dos seus participantes continuará em evolução. No entanto, a grande diferença para o passado recente reside no facto de que, atualmente, o departamento financeiro é o guardião de muito do valor das empresas, dado que gera conhecimento para a organização, deixando para trás uma ação passiva de mera análise de números.

Hoje, os números são dados e, como tal, passíveis de serem medidos, análisados e apresentados de forma a serem tomadas decisões operacionais e estratégicas. Este é o grande desafio que se coloca à função financeira: ser o veículo privilegiado no acesso à informação por parte dos decisores. Como tal, isto compromete as empresas a aproveitarem os recursos tecnológicos para ganharem maior compreensão das expectativas dos clientes, dos tipos de produtos que preferem ou das experiências que procuram. No fundo, a prepararem um futuro melhor .

Vasco Nogueira

Escreve para o Portal Gestão e dedica-se à produção de conteúdos relacionados com a visualização de dados e TI.
Desenvolveu a sua carreira profissional na banca.
É formador do curso Excel para Finanças.

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