quinta, 02 setembro 2010

O trabalhador do conhecimento e o aproveitar de oportunidades

Peter Drucker cunhou o termo "trabalhador do conhecimento" há mais de 50 anos atrás. Drucker, o grande teórico da gestão, previu acertadamente que este trabalhador iria aplicar os seus recursos intelectuais - não as suas capacidades físicas - no desempenho do seu trabalho. E que o seu trabalho produziria mais riqueza do que o dos trabalhadores manuais.

Por esta razão, os trabalhadores do conhecimento iriam encontrar emprego mais facilmente e beneficiar de salários mais elevados do que os seus colegas que exercessem trabalhos manuais, gerando assim um fosso social entre trabalhadores do conhecimento e trabalhadores manuais. Drucker previu, antes de todos, o que no século XXI é evidente. Nunca os trabalhadores do conhecimento tiveram tantas oportunidades ao seu alcance como agora e nunca as empresas e as nações dependeram tanto deles. Pelo contrário, nunca foi tão difícil para um trabalhador pouco qualificado encontrar trabalho estável e equilibrar o seu orçamento familiar.

O que é exactamente o trabalhador do conhecimento?

O trabalhador do conhecimento é aquele que usa as suas capacidades intelectuais no desempenho de uma actividade profissional. Formalmente, os trabalhdores do conhecimento podem assumir diferentes vertentes: empregados por conta de outrém, profissionais liberais ou mesmo empresários. Chamemos-lhe o que quisermos, os trabalhadores do conhecimento possuem uma série de competências que lhes permitem criar algo com valor, útil para os ‘consumidores' dos seus serviços. Independentemente de terem um patrão, de terem um recibo de vencimento mensal ou de uma ‘estrutura empresarial' a eles associada, todos estão por conta própria, quando temos em conta que os seus recursos são intelectuais, facilmente transportáveis e, muitas vezes, difíceis de replicar.

Pensemos nas profissões mais comuns dos trabalhadores do conhecimento para melhor os caracterizar: um advogado, um contabilista, um médico ou um designer são todos profissionais que têm de saber usar (e vender) o seu conhecimento para exercerem o seu trabalho e ganharem a vida. Por isso, todos estes profissionais são empreendedores, se tivermos em conta que todos dependem de si próprios e que todos podem exercer as suas funções das mais variadas formas.

Um advogado, por exemplo, pode exercer advocacia, vendendo os seus serviços a diferentes clientes, mas também pode ministrar um curso sobre direito fiscal numa instituição de ensino. Pode trabalhar num banco em Lisboa ou num organismo público. Um engenheiro pode fazer a maior parte do seu trabalho em qualquer parte do mundo e no horário que quiser. Pode inventar um motor ecológico, registar uma patente e viver de royalties para o resto da vida.

Todas estas oportunidades existem porque os trabalhadores do conhecimento adquiriram competências escassas e de grande valor acrescentado.

Por outro lado, os trabalhadores do conhecimento ajudam a destruir uma boa parte do trabalho manual. Um engenheiro de software pode conceber um sistema de portagens electrónico, acabando assim com a necessidade de portageiros. A automatização permitirá acabar com os repositores de supermercado e com os caixas. Por isso, uma grande cadeia de supermercados beneficiará muito com um sistema que lhe permita poupar nos salários de muitos trabalhadores pouco qualificados nas caixas e no armazém - mesmo que tenha de pagar ao engenheiro que inventou o sistema de automatização uma grande quantia de dinheiro vivo.

Onde estão as oportunidades?

Para os trabalhadores manuais é inevitável: adquirir novas competências. Através da Internet, de cursos de formação profissional (existem tantos cursos financiados!), livros e principalmente da vontade de aprender, ser capaz de perceber que não se devem deixar estagnar. O fosso entre eles e os trabalhadores do conhecimento não vai desaparecer, vai agravar-se.

Para os trabalhadores do conhecimento, as oportunidades são variadas e residem sobretudo na capacidade de reforçar as competências já adquiridas e o saber combiná-las com outras que não façam parte da sua formação de base. Um licenciado que deixe de estudar por um período significativo, digamos, dez anos, está totalmente desactualizado e provavelmente não merecerá mais sequer a qualificação académica que obteve.

As oportunidades para os trabalhadores do conhecimento também se encontram no fim das fronteiras geográficas. Um enfermeiro ou um dentista pode trabalhar onde quiser, em qualquer parte do mundo, pelo que não se deve limitar à sua zona geográfica de origem.

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