quarta, 17 março 2010

Etiqueta Organizacional

Escrito por 
No mundo empresarial, tudo acontece a 200km/hora. Essa azáfama de telefonemas, emails, marcações, reuniões, lidar com colegas, fornecedores e clientes, actualizar-se nas novas tecnologias, frequentar formação, etc. poderá fazer com que esqueçamos (caso tenhamos aprendido!) algumas regras essenciais no quotidiano do trabalho. Todos corremos riscos de descurar algo fundamental: a etiqueta.

Este é o primeiro de vários artigos dedicado à "Etiqueta nos negócios". Ao longo destes artigos traremos à luz temas que costumam estar na penumbra: Comunicação, postura e comportamento, relacionamento entre empresas, relacionamento interpessoal, indumentária empresarial, reuniões, cooperação empresarial, ética e responsabilidade social, costumes internacionais, entre outros.

O tema da etiqueta nos negócios é, neste momento, transversal a toda e qualquer organização e a todo o qualquer colaborador. Não há excepções! Qualquer sector ou área de actividade tem relações internas e externas. As organizações são sistemas abertos, são organismos vivos e, como tal, relacionam-se uns com outros, com a sociedade e com o contexto histórico-espacial.

Este campo de actuação multidisciplinar aparece sob uma a panóplia de nomenclaturas. A expressão "Etiqueta nos negócios" parece realmente ser a mais comum, porém diversos autores utilizam outras expressões como, por exemplo, "Etiqueta Empresarial", "Protocolo Empresarial", "Etiqueta Profissional", "Etiqueta Corporativa", entre outros. Na minha opinião, nenhum dos termos é totalmente abrangente: a expressão que gosto de utilizar é "Etiqueta Organizacional", uma vez que a etiqueta aplica-se a todas as organizações, sejam estas empresas ou não. Uma ONG, uma associação sem fins lucrativos ou uma instituição de ensino não são empresas, mas têm de usar e abusar da "Etiqueta Organizacional", se não, poderão não atingir os seus objectivos.

Ao ler este artigo, é provável que pense que já domina a etiqueta organizacional, pois no seu dia-a-dia não-profissional já usa a etiqueta ou, como diriam os nossos pais: as "boas maneiras". As tais "Boas maneiras" são nos transmitidas pelas gerações anteriores desde que nascemos e é claro que qualquer um de nós poderá sentir que já sabe como actuar em sociedade e, logo, resta transferir essas competências já adquiridas para o contexto empresarial. Mas na realidade, não é assim tão simples. As boas maneiras que nos ensinaram em casa aplicam-se a relações altamente informais e poderão até ser disruptivas em contexto empresarial. A correr bem, partimos para o mundo do trabalho com "noções de boas maneiras" e com bom senso apurado na bagagem.

Raro é o ensino, secundário, profissional ou até universitário que nos prepara para gerir os nossos próprios comportamentos e atitudes e, muito menos, que nos equipa com a consciência necessária para lidar com os outros em contexto organizacional.

Presentemente, cada minuto em que estamos nesse contexto conta para a nossa carreira e, cada vez que nos apresentamos como colaboradores da nossa empresa estamos a representar a organização pela qual "vestimos a camisola". Precisamos treinar-nos para pensar que a cada minuto que passa, estamos a ser avaliados e analisados e, consequentemente, precisamos treinar a forma como nos comportamos.

Para começar a compreender a Etiqueta Organizacional, precisamos compreender o seu significado e um pouco da sua história
Porquê a denominação de "Etiqueta", já pensou nisso!? Etiqueta não é aquele papelinho pendurado nas roupas ou colado em garrafas? Comecemos pela etimologia. Segundo o dicionário da língua portuguesa (Priberam, 2010), a palavra etiqueta significa "um conjunto de formas ou praxes cerimoniosas em uso na sociedade" e, em simultâneo, significa um "Impresso que identifica o conteúdo, as características ou a composição (em frasco, garrafas, etc.)."

É interessante explorar o porquê desta sobreposição de significados na mesma palavra. Segundo Moreno (2010) a palavra etiqueta provem da língua francesa: etiquette, que designava, um pedaço de papel afixado em algo para identificar o seu conteúdo. Passou ser frequentemente usado na indústria têxtil, a partir do séc. XIX, figurando em cada peça de roupa a fim de identificar o seu fabricante.

Durante o Absolutismo na França, a burguesia emergente começa a aproximar-se da aristocracia. Nessa altura, vigoravam regras rígidas dentro do palácio do rei e, para que essas normas de conduta no palácio não fossem infringidas era entregue aos visitantes um pedaço de papel - uma etiquette - para indicar qual a conduta adequada para cada ocasião. Daí a pouco tempo o vocábulo passou a designar um código de boas maneiras para a vida social.

A aplicabilidade deste código de boas maneiras à vida organizacional parece bastante recente. Apesar de muitos conteúdos da etiqueta organizacional serem tão antigos como a vida em sociedade, as obras com essa exacta denominação parecem ter surgido apenas por volta dos anos 90. A designação veio simplificar a abordagem e criar a possibilidade de qualquer pessoa ou organização ter acesso a estes conteúdos e aplicá-los no seu dia-a-dia.

Resta definir "Etiqueta Organizacional" propriamente dita. Podemos defini-la como um conjunto de regras flexíveis, princípios e orientações a utilizar nas organizações em determinado país e em determinado contexto histórico.

A etiqueta organizacional é, na realidade, uma série de recomendações de comportamentos socialmente aceites, aplicados e aprofundados para o contexto empresarial.

Apesar de algumas dessas recomendações ou linhas orientadoras serem comuns a todos os colaboradores em todo mundo, algumas alteram-se de país para país (ou de cultura para cultura), adaptam-se à localização no tempo (hoje as regras não são as mesmas de há 20 anos atrás) e no espaço (dentro da organização, num almoço de negócios, etc.), podem variar também consoante o sector de actuação, ou pode variar de empresa para empresa, pois cada empresa tem a sua cultura organizacional que poderá incluir também aspectos de etiqueta organizacional recomendados aos colaboradores dessa mesma organização.

Referencias Bibliográficas
Dicionário da Língua Portuguesa. (2010). Disponível em http://www.priberam.pt
Moreno, Claudio. (2010). Etiqueta. Retirado do site oficial do autor: http://wp.clicrbs.com.br/sualingua/

Patrícia Araújo

Patrícia Araújo é Escritora, Consultora de RH e Formadora. É Psicóloga (Membro da Ordem dos Psicólogos Portugueses) e Mestre em Psicologia Organizacional pela Universidade do Porto e paralelamente é professora de Yoga., exerce consultas de psicologia (orientação psicologia positiva-humanista), sendo também docente universitária. Contacto: pattaraujo@gmail.com

  • Nenhum comentário encontado

Deixe os seus comentários

Comentar como convidado

0
Os seus comentários estão sujeitos a aprovação