terça, 01 janeiro 2008

Até onde pode ir o outsourcing como vantagem competitiva?

Cada vez mais empresas estão a tentar ganhar vantagem competitiva através do outsourcing dos seus processos de negócio. O chamado Business Process Outsourcing (BPO) parece estar em grande tendência de crescimento e a lista de processos que podem ser externalizados não pára de crescer.

As empresas multinacionais, que já têm experiência na externalização de alguns processos básicos da função financeira, estão agora a começar a pensar seriamente em recorrer ao outsourcing completo de todos os seus departamentos financeiros. No Reino Unido, nas últimas duas décadas, quase todas as empresas do FTSE - e uma boa parte das 350 do FTSE - decidiram-se a favor do outsourcing em algumas, ou todas, as tarefas administrativas ou de back office.

A tendência está a ser fortemente seguida por toda Europa e em todo o mundo. Os gestores, em particular os Directores Financeiros (CFO) - sujeitos a uma pressão constante por parte dos accionistas para reduzir custos e utilizar técnicas inovadoras de competitividade - começam a ver o outsourcing como uma solução real para muitos problemas não só financeiros como também estratégicos.

Prevê-se que nos próximos anos, o outsourcing da função financeira aumente consideravelmente. A maior alteração no outsourcing das funções financeiras, nos últimos anos, está na sua escala. O número de empresas que planeia fazer o outsourcing dos seus departamentos financeiros subiu rapidamente, enquanto as maiores empresas desenvolveram grandes centros de serviços partilhados no mundo para gerir as finanças e outras operações.

Mas os gestores estão não só a tentar cortar custos em áreas chave como também a procurar maior qualidade e consistência na prestação dos serviços. A experiência demonstra que ser mais barato já não chega e torna-se agora necessário definir com grande rigor o nível de serviço expectável em cada contrato de outsourcing. Ao nível da contabilidade e finanças, por exemplo, as operações de encerramento mensal de contas e o dia de entrega dos relatórios mensais é definido com grande rigor. Nalguns casos chega-se a estipular penalizações para situações de incumprimento.

A imaginação não tem limites e as funções em outsourcing também compreendem a gestão de viagens, recursos humanos, informática, cadeias de abastecimento, relações com os investidores, gestão de tesouraria e serviço ao cliente. Numa pesquisa recente no Google, a palavra outsourcing encontrou 55.900.000 resultados. Veja-se, a título de curiosidade, o que se pode fazer em outsourcing na Índia e na Europa do Leste:

http://www.outsourcingsupply.com/
http://www.conectys.com

Investigações recentes sugerem que os CFO realizam o outsourcing por várias razões. A razão mais comum é de longe a concentração no seu core business, vindo em segundo lugar a criação de valor para o accionista e em terceiro melhorar os níveis de serviço. As outras razões apontadas são:

  • Baixar custos com transacções,
  • Incorporar maior inovação,
  • Mudar para novas tecnologias,
  • Reduzir os tempos de implementação,
  • Adquirir conhecimento de processos de negócio,
  • Reengenharia operacional de negócio,
  • Apoiar o staff e os recursos de IT,
  • Transformar activos fixos em custos variáveis.

As maiores empresas do mundo antecipam que o uso do outsourcing aumente significativamente nos próximos três anos. Algumas empresas utilizam uma percentagem dos custos operacionais como o seu factor-chave na decisão pelo outsourcing. Em 2005, a média deste indicador situava-se nos 12%. Em 2008, espera-se um aumento para cerca de 20%. Em termos do volume de negócios, antecipa-se um aumento de 140 biliões de dólares em 2005 para 220 biliões de dólares em 2010.

Resta-nos saber até onde pode ir o outsourcing e até que ponto o seu uso massivo pode condicionar a vida das empresas, tal como as conhecemos. A Unisys, por exemplo, decidiu subcontratar a gestão de pensões dos seus empregados, a formação, a gestão de incentivos e outros processos na área de recursos humanos. Quando explorou o potencial do outsourcing ao máximo, a empresa deu consigo a supervisionar cerca de 40 fornecedores diferentes de outsourcing! Qual foi a solução? Mais outsourcing para resolver esta complexidade!

Hoje é possível externalizar quase todas as funções financeiras e usufruir de um leque de serviços, desde os simples lançamentos contabilísticos e reconciliações bancárias até à virtualização completa da função financeira através do outsourcing.

As empresas podem contratar um Director Financeiro (CFO) experiente para as ajudar a planear os seus negócios, analisar resultados, definir um orçamento e aconselhar nas decisões de gestão. Estes serviços podem fornecer um projecto de trabalho ad hoc ou uma presença regular de um Director Financeiro (CFO) na empresa cliente.

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