Analisar projectos: o payback, a TIR e o VAL

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O payback (ou ponto de equilíbrio), na sua definição mais simples, é o ponto que define o volume de negócios necessário para equlibrar os lucros. A taxa interna de rentabilidade (TIR) e o valor actualizado líquido (VAL) são os dois indicadores mais utlizados na avaliação de projectos de investimento que deve conhecer.

O payback

O payback determina o valor que a empresa tem de vender para não ter perdas e, no mínimo, cobrir todos os custos. Por isso, se um negócio fizer 1000 aparelhos a €100 cada, num total de €100.000, e depois vender os aparelhos a €200 cada um (é uma margem grande, mas simplifica o exemplo), terá de vender pelo menos 500 aparelhos para encontrar o ponto de equilíbrio. Esta análise é muito importante para qualquer empresa, já que mostra o ponto em que o negócio começa a dar lucro.

Ao fazermos a avaliação do payback também deveremos considerar o momento em que ocorre o ponto de equilíbrio. Tipicamente, nos primeiros anos de existência, os projectos não são rentáveis, uma vez que a empresa terá de suportar os custos de arranque e não terá, em princípio, um volume de negócios muito significativo. Com o tempo, se tudo correr bem, a empresa conseguirá gerar mais proveitos, que serão superiores aos custos e diluirão os custos de arranque.

Se acumularmos todos os valores gastos e recebidos com o projecto, começaremos normalmente em terreno negativo (muitas vezes fortemente negativo, se o investimento inicial for muito elevado) e, progressivamente, iremos recuperando até emergirmos acima do valor nulo. O payback, medido em termos temporais, é o momento em que o projecto acumula ganhos que igualam os gastos incorridos até esse momento. Assim, por exemplo, diz-se que um projecto tem um payback de três anos quando a partir do terceiro ano os fluxos de caixa positivos acumulados até então igualam os fluxos de caixa negativos. Será de esperar que a partir do terceiro ano, o investidor mais do que recupere o dinheiro que gastou até então.

A taxa interna de rentabilidade (TIR)

A TIR ou a taxa interna de rentabilidade é outro indicador muito importante para avaliar a viabilidade de um projecto. Imaginemos que um investidor decide investir num novo negócio na Internet; um dos factores mais importantes para esse investidor seria o de saber qual o retorno do seu investimento. Se assumirmos, por exemplo, que o investidor consegue facilmente 5% de retorno num investimento sem riscos num depósito a prazo e cerca de 9% com algum risco num investimento em acções, a taxa interna de rentabilidade esperada do investimento do seu negócio na Internet teria de ser superior a estes valores para ele ponderar investir no projecto.

É este o tipo de informação que a TIR nos dá: se for positiva, isso diz-nos que a rentabilidade do projecto que estamos a avaliar é superior à de outros investimentos sem risco. E assim temos então um cenário favorável para avançar; caso contrário, devemos ponderar bem a nossa decisão, pois a rentabilidade não é promissora.

A TIR também nos revela como o negócio se está a sair em termos financeiros. Afinal de contas, se o empresário decidiu investir no tal projecto na Internet, ele vai querer saber mais tarde se o investimento que realizou está a produzir resultados favoráveis. Uma TIR baixa revela que há qualquer coisa que ele tem de mudar para aumentar o retorno do seu investimento, ou que existem investimentos alternativos melhores.

Quando analisamos projectos de investimento, devemos então definir o valor da TIR que viabiliza o projecto. Muitas empresas utilizam valores que rondam os 15%, pois consideram que este número inclui o custo médio ponderado dos capitais investidos, acrescido de uma taxa de retorno adicional para suportar o risco do projecto. Ao fazerem o estudo de avaliação de projectos, estas empresas só avançam se a Tir for pelo menos de 15%.

O valor actualizado líquido (VAL)

O VAL ou o valor actualizado líquido é o valor presente de um projecto, calculado a partir dos fluxos de caixa futuros. Trata-se, primeiramente, de uma avaliação de todos os cash flows envolvidos no projecto, positivos e negativos. Ou seja, trata-se de estimar todo o dinheiro que vamos gastar e receber com o projecto.

Como os influxos e exfluxos de caixa ocorrem em momentos distintos no tempo, não os poderemos simplesmente adicionar, pois o dinheiro terá valores diferentes em função do tempo. A inflação tende a desvalorizar o dinheiro. Assim, um euro vale mais hoje do que valerá daqui por dois, cinco ou dez anos. A partir da actualização de todos os cash flows futuros para o momento presente, aí sim, estaremos em condições de os adicionar.

Adicionando o valor presente de todos os cash flows futuros, acharemos o valor actualizado líquido. Se for positivo, então o projecto é rentával; se for negativo, o projecto não demonstra ser capaz de gerar dinheiro suficiente, pelo que não teremos luz verde para avançar.

A gestão do risco

A gestão de risco será provavelmente uma área onde o investidor terá de ter alguma experiência. Isto começa por descobrir quais são os riscos. O que aconteceria à procura se as condições económicas piorassem? Há algum negócio com o qual nos possamos comparar? O que aconteceria se ocorressem flutuações nas taxas de câmbio? Será que existe dependência de matérias-primas vindas de um país que não é politicamente estável? O que aconteceria se o governo mudasse nesse país? O que aconteceria se houvesse um processo contra a empresa? O que aconteceria se a empresa fosse afectada por algum desastre natural? Será que o seguro cobre todos os danos que podem ocorrer? Quais são as probabilidades de os trabalhos terem de ser interrompidos? Há muitas questões que têm de ser examinadas e respondidas.

No cálculo dos valores do payback, TIR e VAL, deveremos fazer análises de sensibilidade que tenham em consideração este tipo de eventos possíveis. A análise de sensibilidade irá revelar até que ponto os indicadores estimados são fiáveis e até que ponto um determinado tipo de risco terá impacto na rentabilidade odo projecto.

Nuno Nogueira

Nuno Nogueira é o criador do projeto portal-gestao.com. Tem 18 anos de experiência profissional. Trabalhou em Portugal, Dinamarca e Holanda nas áreas comercial, financeira e controlo de gestão.

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Website: www.portal-gestao.com

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