Rácios financeiros

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Quando analisámos as fontes de informação financeira, verificámos que a empresa pode financiar os seus activos recorrendo a capitais próprios e a capitais alheios. Na grande maioria dos casos, as empresas financiam-se recorrendo a uma combinação de capitais próprios e alheios.
 
 

Os rácios financeiros facilitam a optimização da proporção de capitais alheios no financiamento da empresa. Comparando os valores dos rácios financeiros com os de outras empresas do mesmo sector, podemos igualmente averiguar a razoabilidade do nível de endividamento da empresa.~

Antes de partir para a análise dos rácios financeiros propriamente dita convém decompor os diferentes tipos de capitais alheios em função do seu custo (se tem ou não de suportar juros) e da sua permanência na empresa. Desde logo, é importante fazer esta análise por três razões principais:

  • em primeiro lugar, porque os passivos que suportam juro expõem a empresa ao risco de variação de taxas de juro, sendo sem dúvida interessante analisar o impacto que uma variação significativa nas taxas de juro terá nos custos da empresa;
  • em segundo, porque quanto maior for a proporção dos custos de financiamento que suportam juro no total do activo da empresa, maior vai ser o seu custo de financiamento, pelo que haverá que avaliar até que ponto a empresa tem capacidade de cumprir com as suas obrigações perante bancos e outras instituições de crédito;
  • em terceiro, porque, como já mencionamos, convém haver um certo equilíbrio entre passivos e activos de longo prazo na empresa, sendo de evitar o financiamento de activos de longo prazo recorrendo a empréstimos de curto prazo.

Então, em termos visuais teríamos:

No passivo de longo prazo encontramos normalmente empréstimos bancários cujo vencimento é superior a um ano e empréstimos que os sócios fazem à sociedade (os chamados suprimentos). Estes empéstimos servem para financiar os activos de longo prazo, tais como terrenos, máquinas e outros bens duradouros. Na maior parte dos casos, estes empréstimos estão sujeitos a juros.

No passivo de curto prazo temos os empréstimos bancários necessários para fazer face a necessidades de tesouraria e a investimento em fundo de maneio, tais como mercadorias e matérias-primas. Além destes empréstimos de curto prazo, as empresas recorrem também a créditos cedidos pelos fornecedores sob a forma de prazos de pagamento alargado, tal como vimos no artigo anterior. As facilidades de pagamento cedidas por fornecedores não costumam estar sujeitas a juros, sendo uma das formas preferidas de financiamento de empresa.

E quanto ao financiamento por capitais próprios, qual será o seu custo? Embora os sócios da empresa não possam exigir o pagamento de juros pelo investimento que realizam na empresa, será legítimo assumir que esperem obter lucros. Seja sob a forma de dividendos seja pela valorização do património da empresa, os sócios esperam sempre um retorno do seu investimento.

E porque os sócios se expõem a um risco maior do que os credores da empresa (em caso de falência ou dissolução da empresa, os sócios são os últimos a serem ressarcidos do investimento que realizaram, depois de cumpridas as obrigações com todos os credores e na maioria dos casos a falência conduz a uma situação em que nada sobra após liquidadas as dívidas perante terceiros), vão certamente exigir uma taxa de retorno superior à taxa de financiamento por capitais alheios. Não poderia ser de outra forma, pois em função de maior risco, os investidores esperam retornos superiores, caso contrário não teriam incentivo para se exporem, preferindo activos de nível de risco inferior com o mesmo retorno.

É então legítimo assumir que o financiamento por capitais próprios é mais oneroso do que o financiamento por capitais alheios. E sendo assim, seria fácil de concluir que o custo médio ponderado do capital (a média ponderada entre custo de capitais próprios e alheios) é menor quanto maior for a proporção de capitais alheios na empresa. Acontece, no entanto, que a partir de um certo grau de endividamento, alguns problemas vão sendo criados, levando os credores a exigir um juro maior pelos empréstimos que concedem à empresa.

Esses problemas são normalmente associados à perda de controlo de gestão da empresa, que é posta em causa quando o grau de endividamento é muito elevado, ou seja, quando a empresa se endivida em excesso começa a ser difícil de manter o controlo sobre ela, pois os credores vão ganhando influência na gestão. Por outro lado, os credores apercebendo-se do maior nível de risco a que se expõem quando financiam a empresa, vão exigir taxas de juro maiores e levantando mais obstáculos à concessão de crédito.

Então, como podemos ver no gráfico seguinte, é verdade que o custo médio ponderado do capital (k) diminui à medida que a proporção de capitais alheios aumenta (D/E), até um certo limite. A partir desse limite, o custo médio ponderado do capital volta a aumentar, pelas razões expostas.

O impacto da alavancagem financeira na rentabilidade dos capitais próprios

A proporção de capitais alheios no financiamento da empresa é conhecida por alavancagem financeira (ou leverage) e, como vimos, tem uma grande influência no custo médio ponderado do capital. Mas a importância da alavacagem financeira não fica por aqui, ela é importante principalmente porque, quando bem utilizada, permite obter uma maior rentabilidade dos capitais próprios.

Vejamos o seguinte exemplo: uma empresa que gera €100.000 de resultados líquidos por ano e tem um activo líquido de €500.000. Esta empresa está a financiar o seu activo recorrendo a 100% de capitais próprios. No entanto, tem também a possibilidade de recorrer a 20%, 40%, 60% ou 80% de capitais alheios, conforme entender, suportando uma taxa de juro de 10%. Qual é o impacto desta decisão na rentabilidade dos seus capitais próprios?

 

Como podemos ver, quanto mais a empresa recorre a financiamento externo, maior será a rentabilidade dos seus capitais próprios. O rácio de endividamento deverá assim ser cuidadosamente analisado sempre que se analisa a rentabilidade da empresa, sendo certo que um superior nível de rentabilidade pode ser alcançado à custa de mais dívida (e, naturalmente, mais risco).

O rácio "debt to equity"

Este é talvez o rácio mais utilizado na análise da estrutura financeira de empresas. A fórmula de cálculo é a seguinte:

A partir desta fórmula mais usual, outras fórmulas específicas são adoptadas pelos analistas. Uma das mais comuns consiste em retirar do numerador aquele passivo que não suporta juros, ficando o numerador a expressar apenas a dívida sujeita a custo financeiro. Os adeptos desta metodologia de cálculo são normalmente os bancos, pois o que lhes interessa directamente é avaliar a capacidade da empresa pagar os empréstimos que contrai.

Outra variante do cálculo deste rácio consiste em incluir apenas os passivos de longo prazo, fazendo a análise de passivos de curto prazo em conjunto com o fundo de maneio e os activos de curto prazo.

Rácio de autonomia financeira

Podemos obter uma imagem instantânea da estrutura financeira da empresa a partir deste rácio. É uma das formas mais expeditas de analisar o grau de alavancagem da empresa de uma forma simples, pois os valores são directamente retirados do balanço e não carecem de ajustamentos em função da permanência dos capitais nem em função do pagamento (ou não) de juros. A fórmula é a seguinte:

 

Nuno Nogueira

Nuno Nogueira é o criador do projeto portal-gestao.com. Tem 18 anos de experiência profissional. Trabalhou em Portugal, Dinamarca e Holanda nas áreas comercial, financeira e controlo de gestão.

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Website: www.portal-gestao.com

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