Rácios de rentabilidade

Os rácios de rentabilidade relacionam os lucros da empresa com o seu património. Embora existam múltiplos rácios de rentabilidade com diferentes variações e nuances específicas, o princípio é sempre o mesmo: comparar o lucro que a empresa foi capaz de gerar num determinado período de tempo com dados relativos à dimensão da empresa, seja o montante investido, o valor do activo ou o valor líquido da empresa.

 

Desde logo, só faz sentido comparar estas duas grandezas em forma de rácio, pois de outra forma não seria correcto comparar a performance de duas empresas de dimensões diferentes. O que poderão ser grandes lucros para uma PME poderá ser negligenciável para uma empresa multinacional; mas se usarmos os mesmos rácios para uma e para outra, podemos facilmente comparar a sua performance e retirar algumas conclusões importantes.

Um princípio importante a ter em conta na elaboração de rácios de gestão é o da comparabilidade. Devemos ser capazes de conceber rácios que nos permitam comparar empresas do mesmo sector, a nível nacional e internacional, para que seja possível aferir da razoabilidade dos valores, isto é, o que é bom, mau ou razoável.

Se leu o artigo anterior (fontes de informação financeira) já percebeu onde podemos encontrar a informação relativa aos lucros e ao património da empresa. Se não leu, nós ajudamos: na demonstração de resultados e no balanço, respectivamente.

Resumidamente, a demostração de resultados dá-nos a informação referente aos lucros com a seguinte estrutura:

 

 

Aos proveitos obtidos com as vendas e prestações de serviços da empresa retiramos os custos operacionais e obtemos os resultados operacionais. Estes valor, também conhecido como EBIT (Earnings Before Interest and Taxes, que significa literalmente resultados obtidos antes de deduzidos os custos financeiros e impostos), permite uma leitura rápida do valor que a empresa gerou durante um determinado período de tempo, apenas tomando em consideração os custos directamente necessários para produzir e vender os seus produtos.

Por vezes, alguns analistas utilizam um indicador parecido, denominado de EBITDA (Earnings before interest, taxes, depreciation and amortization). Este indicador é igual ao valor apurado nos resultados operacionais desconsiderando os custos com as amortizações. A ideia é fornecer uma aproximação simples ao cash flow operacional, a partir da leitura da demonstração de resultados. Em nossa opinião, a simplicidade deste indicador não compensa as distorções de informação por ele provocadas (por outras palavras, é demasiado simples para ser levado a sério).

Se aos resultados operacionais subtrairmos os custos relacionados com os juros e outros custos financeiros, obtemos os resultados antes de impostos. E, finalmente, se subtrairmos os impostos aos resultados antes de impostos, obtemos os resultados líquidos do exercício, ou o chamado lucro da empresa.

Quanto ao balanço, os dados que vamos utilizar para calcular os rácios de rentabilidade são:

  • A Situação Líquida (SL), que corresponde aos Capitais Próprios e representa, como já mencionamos, o valor contabilístico da empresa.
  • O Capital Investido (CI), também comummente designado por Capitais Permanentes, que corresponde à soma de todos os capitais de médio e longo prazo, isto é, o valor que os donos da empresa investiram acrescido do valor que terceiros emprestaram à empresa a médio e longo prazo,
  • O Activo Total (AT)

Então, em resumo, vamos comparar os resultados da empresa com o seu património. E as fontes de informação são as seguintes:

 

Rentabilidade do Activo (ROA)

Este rácio divide o valor dos Resultados Operacionais (RO) pelo valor do Activo Total (AT) e dá-nos a informação sobre qual a capacidade dos activos da empresa em gerar resultados, afinal é para isso mesmo que servem: máquinas, equipamento produtivo, inventários, equipamento administrativo, entre outros, têm de ser capazes de gerar resultados.

Naturalmente, quanto maior for o rácio de Rentabilidade do Activo melhor será a performance operacional da empresa. Um rácio de ROA elevado significa que os activos da empresa estão a ser bem utilizados e a produzir bons resultados.

É necessário ter em consideração o modo de funcionamento da empresa em questão. Diferentes empresas requerem maior ou menor intensidade de activos. É normal que as empresas do sector industrial tenham activos maiores do que as empresas de serviços, por exemplo. Uma empresa do sector petrolífero necessita de uma infra estrutura física muito superior à de uma empresa de recrutamento e selecção. Por isso, não faz sentido comparar directamente o ROA destas duas empresas, sendo de esperar que a segunda tenha um ROA muito superior ao da primeira em condições normais.

Rentabilidade dos Capitais Próprios (ROE)

A rentabilidade dos capitais próprios divide o valor dos Resultados Líquidos (RL) pelo valor da Situação Líquida (SL). O significado do ROE prende-se com a capacidade e eficácia de remuneração dos capitais investidos pelos donos da empresa. É portanto um rácio que interessa particularmente aos donos, sejam sócios ou accionistas.

O ROE diz-nos qual a percentagem de lucro por cada euro investido. Se uma empresa tiver um ROE de 20%, por exemplo, isto significa que cada €1.000 de capital próprio criam €200 de lucro por ano. Esta informação é extremamente importante para os investidores, que geralmente são atraídos por empresas que têm a capacidade de gerar ROE elevados numa base sustentada. ROE elevados são sinómimo de crescimento e valor acrescentado; qualquer gestor ou analista deve dar grande importância a este rácio.

Na análise do ROE, podemos decompor a sua estrutura em três partes:

  • A Rentabilidade Líquida das Vendas (RLV): quanto lucro em euros gera a empresa por cada euro de vendas. A RLV divide o Resultado Líquido pelas Vendas, ambos os valores que constam da Demonstração de Resultados, resumindo o desempenho da empresa. As RLV são pois a margem líquida de lucro da empresa.
  • A Rotação do Activo (RA): quanto vende a empresa por cada euro de activos, ou seja, o rácio entre as Vendas e o Activo Total. Resume a eficácia da gestão da empresa na utilização dos seus activos.
  • Alavancagem Financeira (AF): divide o valor do Activo Total  pela Situação Líquida e dá-nos a informação sobre a intensidade de capitais alheios no financiamento da empresa.

Então, ao analisarmos o ROE podemos analisar cada um destes três rácios separadamente e comparar a sua evolução ao longo do tempo, para compreender melhor a eficácia da gestão na manipulação destes instrumentos e para detectar eventuais problemas. Vejamos a relação entre os três indicadores na seguinte equação, também conhecida como análise DuPont:

 
ROE = Rentabilidade Líquida das Vendas x Rotação do Activo x Alavancagem Financeira

 

Na análise das relações destes indicadores, os gestores podem compreender melhor o impacto da margem de lucro, da eficácia na utilização de activos e do grau de alavancagem financeira na rentabilidade dos capitais investidos na empresa. É de realçar a grande utilidade desta análise ao longo do tempo e principalmente a comparação destes indicadores entre empresas do mesmo sector.

Além destas vantagems, análise DuPont permite ainda que os gestores simulem diferentes cenários e o seu impacto na rentabilidade dos capitais próprios. O que acontece se a nossa rentabilidade líquida das vendas aumentar 1%, e se aumentarmos o grau de alavancagem financeira, qual será o impacto? Entre estas questões, muitas outras poderão ser analisadas e discutidas como uma boa metodologia para a tomada de decisão.

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