Conceitos básicos sobre investimento em acções, obrigações e fundos

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Para começar a investir, tem de conhecer primeiro alguns princípios básicos que se manterão sólidos ao longo da sua vida enquanto investidor. Conheça aqui os mais importantes.

Comecemos pelas definições: O que são acções?

São um activo financeiro que representa uma participação no capital de uma empresa. Assim, se uma empresa tem o seu capital social constituído por 1.000 acções e o leitor tem 100 dessas acções em carteira, isso significa que é dono de 10% da empresa. Como tal, tem direito aos lucros da empresa.

Existem dois tipos de acções: as acções comuns e as preferenciais. Normalmente, as acções comuns dão ao portador o direito ao voto nas reuniões dos accionistas, além de permitirem receber dividendos (lucros da empresa). As acções preferenciais não costumam dar direito a voto, mas garantem o direito de preferência sobre os activos e os lucros. Por exemplo, os portadores de acções preferenciais recebem dividendos antes dos accionistas comuns e têm prioridade se a empresa for à falência e for vendida.

O que são Obrigações?

São um título através do qual o investidor empresta dinheiro a uma entidade (empresarial ou governamental). Por exemplo, uma empresa para financiar os seus projectos e actividades, pode emitir obrigações que os investidores compram. Claro que por emprestarem esse dinheiro, os investidores vão exigir o pagamento de um determinado juro, durante um certo período de tempo. É o chamado cupão.

O que são Fundos de investimento?

É como se juntasse dinheiro de vários familiares e amigos e o entregasse a alguém para o investir. Fundos de investimento são activos financeiros compostos por capital obtido junto de muitos investidores com o objectivo de o investir noutros activos como acções, títulos, da dívida pública, depósitos, outros fundos de investimento e outros activos mais ou menos complexos. Os fundos de investimento são operados por sociedades financeiras, que gerem o capital do fundo e tentam obter lucros para os seus investidores. A composição e estrutura dos fundos é concebida em função de determinados objectivos.

O que é (realmente) importante saber

A longo prazo, as acções têm melhor desempenho do que todo os outros investimentos - a história comprova-o. De 1926 a 2006, o S&P 500 conseguiu um ganho médio anual de cerca de dez por cento. O segundo melhor desempenho foi conseguido pelas obrigações. Os títulos de dívida pública norte americanos tiveram um ganho de quase seis porcento durante o mesmo período.

A curto prazo, as acções podem ser arriscadas. A 19 de Outubro de 1987, as acções tiveram a maior queda de um dia na história do mercado bolsista americano - quase vinte e três por cento. Mais recentemente, os choques têm sido prolongados e dolorosos: Se tiver investido no índice Nasdaq na altura do pico de Março de 2000, terá perdido mais de três quartos do dinheiro investido nos três anos que se seguiram. A crise do subprime em 2008, devorou mais de metade da bolsa portuguesa.

Normalmente, mais risco também significa mais lucro. É assim porque os investidores exigem uma taxa de retorno maior, já que estão a correr mais riscos. É por esse motivo que as acções, por serem mais arriscadas do que as obrigações, têm um retorno maior. Isso também explica o motivo porque as obrigações a longo prazo proporcionam um retorno maior do que as obrigações de curto prazo.

Quanto maior é o tempo de espera, maior a percepção do risco.

O principal factor explicativo dos preços das acções são os lucros das empresas. A curto prazo, é de esperar que o preço das acções flutue por tudo e mais alguma coisa: rumores, indicadores económicos conjunturais, manias, novas descobertas tecnológicas, etc. Mas, a longo prazo, o que importa são os lucros que a empresa consegue.

A subida das taxas de juro afecta negativamente os preços das obrigações de taxa fixa. Naturalmente, se o investidor consegue obter no mercado um activo financeiro que o remunere a uma taxa de juro superior às obrigações que possui em carteira, irá sentir-se tentado a vender essas obrigações em troca de activos que proporcionem taxas mais altas. A alternativa são as obrigações de taxa variável, normalmente indexadas a uma taxa de referência do mercado.

A inflação pode ser uma ameaça terrível para os seus investimentos a longo prazo. Embora o mercado bolsista caia de tempos a tempos, antecipando os ciclos económicos, atingindo os seus investimentos, a verdade é que consegue sempre recuperar e atingir novos valores recorde! Pelo contrário, a inflação está sempre lá, silenciosamente roendo o seu poder de compra. Pode tirar mais de três por cento do poder de compra, por ano e quase nunca devolve o que tira. Por isso é que é importante investir a longo prazo.

Diversificar é importante. Uma carteira diversificada é menos arriscada do que uma carteira concentrada apenas num ou poucos activos financeiros. A diversificação, isto é, o repartir os ovos por uma série de cestos diferentes, diminui o risco, uma vez que, mesmo que o valor de alguns activos caiam, terá outros que sobem (ou caem menos). Por outro lado, como menos risco significa menos retorno, uma carteira diversificada não deverá conseguir uma performance superior à do mercado

Muitas vezes a performance dos fundos de investimento fica aquém da performance do mercado. É surpreendente mas é verdade: muitos fundos de investimento geridos activamente têm comissões tão elevadas que eliminam as mais-valias que proporcionam. Deste modo, procurar um fundo de investimento que replique exactamente a evolução de um determinado índice (o S&P500 ou o Euronext 100, por exemplo) pode ser uma boa opção, uma vez que os custos destes fundos "passivos" são muito baixos.

Nuno Nogueira

Nuno Nogueira é o criador do projeto portal-gestao.com. Tem 18 anos de experiência profissional. Trabalhou em Portugal, Dinamarca e Holanda nas áreas comercial, financeira e controlo de gestão.

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Website: www.portal-gestao.com

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