Pub

Pub

300_250_pt

Os mais lidos hoje

 

Três formas como a televisão mudou tudo (e o que está para vir)

Avalie este Item
(2 votos)

A televisão transforma tudo e todos. A televisão traz as massas. Durante 50 anos, a televisão fez com que os editores e os publicitários tivessem uma óptima oportunidade de atingir qualquer pessoa, ou quase qualquer pessoa, ao mesmo tempo.

A TV integra uma cultura, porque existem marcos culturais que são criados todos os dias (Se eu disser "Branco mais branco não há", sabe de que estou a falar, certo?)

A televisão traz pluralismo e diversidade. Isto parece ser uma contradição, mas não é. Assim que a televisão consiga abrir um canal para o cérebro, pode transmitir aquilo que bem entender, sem esclarecer nada previamente.

Portanto, o espectador pode descobrir que as pessoas que não são parecidas connosco não são assim tão diferentes ou que as mulheres podem ser boas polícias ou que um membro dos [inserir nome da etnia reprimida) também pode ser uma boa pessoa.

E, finalmente, a televisão provoca insatisfação. Para funcionar, a publicidade tem de fazê-lo sentir-se insatisfeito.

E as famílias perfeitas retratadas na televisão têm mais dinheiro e menos problemas que a maioria das pessoas (porque não são reais).

Agora, é lógico que a televisão já não é o que era. Já não há o universo dos três canais. Isto significa que o "vírus" da televisão por cabo/internet muda as pessoas de forma diferente. Chamam-lhe o mundo dos milhões de canais (million channel world – mcw).

O mcw traz a possibilidade de comunicar e de se dirigir a pessoas específicas. Já não existem massas. Já não consegue atingir todas as pessoas. A série televisiva Mad Men é um sucesso e, no entanto, apenas teve 2% de audiência nos EUA. O mcw traz reservas, tribos zangadas e insularidade. A Fox News ganha uma fortuna ao picar umas pessoas contra as outras. O programa Talking Points Memo dirige-se a pessoas que têm a certeza que as pessoas do outro lado estão erradas.

Pode passar o dia inteiro a consumir media e não encontrar um pensamento com o qual concorde, de que não goste ou que não queira ver. E, no final, não sei ao certo se o mcw nos está a fazer felizes. É certo que em parte são fait-divers sociais que nos fazem perder o nosso tempo e, assim, não estão a construir a felicidade futura de ninguém.

E tantos canais de televisão fazem com que nos sintamos mais facilmente zangados, que percamos tempo (nunca "está a dar nada") ou isolarmo-nos. Sem dúvida que o impacto a curto prazo do mcw é espalhar o terror mais facilmente e dificultar o acesso à verdade. Ao mesmo tempo, não há dúvida que mais pessoas estão ligadas a mais pessoas, pertencem a mais tribos, têm mais amigos e participam mais vezes do que alguma vez fizeram. Livramo-nos de alguns "guardiães da verdade", mas o pódio já está preparado para receber outros. Entretanto, muitas pessoas inteligentes procuram defender-se, o que não é assim tão mau.

Há uma coisa que aprendemos da era da televisão que continua a ser verdade: mais media não é sempre melhor, especialmente quando abdicamos do nosso poder de filtrar e escolher.

«O incrementalismo é o pior inimigo da inovação.»

Nicholas  Negroponte,  guru da comunicação social do MIT


Registe-se e receba atualizações no seu e-mail!

Seth Godin

Seth Godin

Seth Godin é um guru do marketing. Autor de diversos livros de referência, é também consultor de gestão e professor. É responsável pelo blogue Seth's Blog, que recomendamos.

Website: www.sethgodin.com
Plus500