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A cultura casual e a procura incessante por admiração

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A Internet divulgou duas novas formas de criar e consumir cultura. A primeira é uma porta escancarada para os amadores poderem criar. Isto resume-se aos blogs e a arte online, à wikipedia e à divulgação de movimentos. Este tipo de pessoas consegue muita atenção e merecem essa atenção, porque estão a mudar tudo. A segunda, no entanto, distrai e, em última instância, é um desperdício.

Estamos a criar uma cultura de pessoas que clicam, que tropeçam em conteúdos, e de espectadores aborrecidos que, num dado momento, decidem se vão (ou não) assistir ou participar.

Imagine que as pessoas iam ao teatro ou ao cinema e se levantavam e saiam após os primeiros seis segundos. Imagine que as pessoas iam ao baile de finalistas e deixavam a companhia pendurada três segundos depois de o carro ter encostado. A maioria das pessoas que subscrevem um novo serviço online nunca ou raramente o usa.

O Chatroulette institucionalizou a mentalidade de "olhar e clicar". Calculo que mais de metade das pessoas que começaram a ler este post nunca vai chegar ao fim. Isto é tudo fácil de medir. E faz com que as pessoas que querem alcançar algo se tornem doidas, porque querem fazer subir as visitas, os cliques e causar espanto.

Será que devo escrever posts que ajudem a aumentar as visitas ao meu site ou escrever posts que ajudem a mudar a forma como (algumas) as pessoas pensam?

Será que as iniciativas de caridade deverão concentrar-se em doações instantâneas obtidas por mensagens de texto enviadas por milhões de pessoas ou será melhor procurar alguma atenção e apoio aos poucos que compreendem a missão e que querem ficar a longo prazo?

Com cada vez mais frequência, vemos produtos e serviços no mercado desenhados para apelar à atenção momentânea dos "clicadores". O Huffington Post, por exemplo, rebaixou-se, pois empurrou as reportagens significativas para o fundo das páginas em troca de hiperligações enganosas ou sensacionalismos baratos sobre celebridades. Estas estratégias aumentam as visitas às páginas, mas será que geram raciocínio ou mudanças?

Se você cria (ou comercializa), será que tem de perseguir as pessoas que clicam e saem? Ou será que isto é como se estivéssemos a tentar transformar uma chita num animal de estimação? Será que a manipulação da atenção de alta voltagem de milhões de surfistas online, cheios de cafeína, é uma estratégia viável a longo prazo?

O marketing em massa costumava conseguir isso de ambas as formas. O dinheiro comprava audiência. Agora, tudo o que um mercado em massa lhe dá é admiração e velocidade. A admiração é cada vez mais difícil de obter e aponta para o denominador comum mais baixo ao mesmo tempo.

A revista Time começou a manipular a capa e depois os conteúdos para conseguir aumentar as vendas. Poderão ter encontrado uma solução a curto prazo, mas a revista está condenada precisamente porque as pessoas que querem conquistar não prestam atenção e não são atractivos para os publicitários. O meu receio é que a procura incessante pela admiração agrave cada vez mais a nossa cultura, ao mesmo tempo que encoraja os comerciantes a tornarem-se cada vez mais superficiais.

É aqui que entra a primeira tendência... os artistas, os comerciantes de ideias e os especialistas em marketing que estão a obter maior sucesso estão a ignorar os turistas acidentais e aqueles que continuam a andar, concentrando-se, pelo contrário, nos fãs que realmente interessam. Fãs que dão permissão, fãs que regressarão amanhã, fãs que irão fazer publicidade para que outros possam também agir.

A cultura tem-se tornado cada vez mais rápida e superficial desde há centenas de anos e eu não sou o primeiro comentador duro a condenar a morte do raciocínio pensativo e das experiências profundas. A questão que realmente importa, no entanto, não é quando a velocidade se torna demais, mas sim o que é que funciona? O que funciona para mudar mentalidades, para propagar ideias importantes e para criar um público de trabalho que realmente interessa? O que vale o seu esforço e investimento como comerciante e como criador?

A diferença, desta vez, é que esta cultura casual é veloz e livre. Quando não há um compromisso de dinheiro ou tempo na interacção, será que a mudança e as trocas comerciais poderão mesmo acontecer? Só porque pode medir o espanto e as visitas à página não quer dizer que deva. Uma corrida entre "quem" e "quantos", o vencedor habitual é o "quem" - se a acção for o seu objectivo. Encontre as pessoas correctas, aquelas que estão disponíveis para ouvir aquilo que tem para dizer e ignore as massas que irão apenas continuar a correr, sem mudanças.

«Não se preocupem que as pessoas roubem as suas ideias. Se as suas ideias forem boas, terá de as enfiar na cabeça das outras pessoas.»

Howard  Aitken,  engenheiro


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Seth Godin

Seth Godin

Seth Godin é um guru do marketing. Autor de diversos livros de referência, é também consultor de gestão e professor. É responsável pelo blogue Seth's Blog, que recomendamos.

Website: www.sethgodin.com
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