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O que é uma marca autêntica?

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"Estava num autocarro, a meio da noite. Tinha um pacote de bolachas e uma lata de Easy Cheese. Mas estava escuro, não conseguia ver nada. Não conseguia ver que quantidade de Easy Cheese punha em cada uma das bolachas. Por isso, cada trinca era uma surpresa para ver que quantidade de queijo tinha posto. O que me faz pensar que deviam fazer uma versão de Easy Cheese que brilhasse. O produto não tem integridade e não. Quando se compra um queijo à temperatura ambiente que se espreme de uma lata, não se deve ficar incomodado com o facto de brilhar no escuro." - Mitch Hedberg.

Se a empresa levar o conselho de Hedberg a sério e criar uma versão luminosa do Easy Cheese, será que isso ia ser "autêntico"? Hedberg faz uma alusão à falta de integridade do produto original, mas e quanto à autenticidade? O que é a autenticidade ao certo, uma vez que se aplica a empresas, produtos e serviços? E será que é alguma coisa que as empresas devem procurar? Estas perguntas têm-me perseguido nos últimos meses, à medida que vou lendo inúmeros pedidos a empresas para "serem autênticas" em dezenas de livros, revistas, artigos e blogs.

A palavra "autêntico" deriva do grego authentikós, que significa original ou genuíno. Implica que determinada coisa seja verdadeira e não uma imitação ou cópia. Por outro lado, a palavra "integridade" deriva do latim integrit?s, que significa todo ou completo; algo impoluto. Isto parece sugerir que o brilho no Easy Cheese pode ser autêntico, mas com certeza que não é impoluto. Pelo menos, não num queijo.

Temos fome de algo autêntico, mas facilmente nos contentamos com uma imitação." 
George Orwell, 1949.

Quando se trata do Mercado de produtos e serviços, o todo é desejável, mas a autenticidade é irrelevante. "Ser autêntico" é algo vazio: não ajuda em nada no processo de tomada de decisões. O que é que um empresário está a dizer quando falam em "autenticidade"? Será que estão a dizer para nos mantermos fiéis às nossas origens? Será que estão a fazer publicidade para sermos transparentes e para sermos honestos em relação ao que queremos? Será que nos estão a pedir para gerirmos o nosso negócio com o coração, para mantermos a nossa sensibilidade moral e estética?

Olhemos para algumas marcas famosas actuais. A Starbucks é autêntica? Começou como um vendedor de café local. De facto, os donos do negócio original rejeitaram a sugestão de Howard Schultz para venderem outras bebidas, já que se acreditava que o café era algo que devia ser preparado em casa. E a Google? Também não foi criada por uns quantos totós que tinham aversão a publicidade? E a Timberland era uma marca para desportos ao ar livre, não um ícone de moda hip-hop.

A maior fabricante de telemóveis do mundo, a Nokia, começou como uma serração. Ben & Jerry tinham um princípio moral de que ninguém na empresa ganharia mais do que sete vezes o salário do empregado com o rendimento mais baixo. Basta olhar paras os lucros que têm hoje em dia. E a desfavorecida Southwest Airlines, a maior companhia aérea dos Estados Unidos, foi sempre a companhia das "tarifas baixas". Já comparou os preços deles nos últimos tempos? Ah, pois, é verdade. Eles não facilitam a comparação.

A maior parte das pessoas não se interessa por produtos ou serviços "autênticos"; produtos feitos em pequenas quantidades por amadores, com carinho e, atrevo-me a dizer, sentimento. O que querem é um desempenho perfeito que lhes garanta um valor superior ao tempo e ao dinheiro de que dispõem. Sim, hoje em dia, querem que se reflicta na realidade do amador apaixonado. Mas querem que isso seja feito de forma controlada e melhorada; como as fotografias de Ansel Adams a representar a paisagem de Sierra Nevada.

De qualquer forma, não há nenhuma medição de autenticidade de mercado (além de uma série de bens e moedas mundiais). Não existe uma forma "correcta" de produzir ou vender o que quer que seja. E mesmo que houvesse, será que essa forma seria a mais desejável? O que é um banco autêntico? Um que abre às 10, fecha às 3 e mantém aquelas canetas baratas presas ao balcão? O Pai Natal original vestia-se de verde. E a maior parte das pessoas não quer um frango fresco do agricultor local; quem um frango embalado e controlado da Perdue.

O que os consumidores realmente querem é um bom acto. Como as pessoas que vão ao teatro, querem desligar a desconfiança e "deixarem-se levar" por uma experiência de marca bem feita e bem executada - consistência, sinceridade e expressão perfeitamente alinhada com os desejos, as sensibilidades e as identidades. Quer se trate de comida processada em massa e sem sabor, de um produto de "qualidade" que está sempre a precisar de reparação ou uma comunicação pouco sincera por parte de uma instituição sem rosto, é o mau desempenho, e não o desvio da origem, que os consumidores apelidam de "não autêntico".

E por isso mesmo digo que a autenticidade é uma treta! Dizer que se é "Autêntico" é um chavão. Cheira ao marketing de que não gostamos. Mais vale seguir a dica de criadores de marcas como Steve Jobs da Apple, Ronald Shaich da Panera Bread, Brin e Page da Google e Robert Iger da Disney. Sonhar em grande! Manter-se próximo do mercado em mudança. Estar sempre em fase beta. Ter atenção financeira ao pormenor. Colocar as pessoas no centro da marca, certificando-se de que todos percebem o papel que desempenham no processo de elevar a marca. E dar sempre, sempre um bom espectáculo.

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Tom Asacker

Tom Asacker

Tom Asacker é consultor independente, professor universitário e autor de vários livros sobre marketing, branding e empreendedorismo.

Website: www.acleareye.com/
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