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O serviço ao cliente morreu!

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Há uns anos, quando o serviço de apoio ao cliente era rei, eu trabalhava, depois da escola, na estação de serviço do meu pai, a meter combustível e a vender copos coleccionáveis. Era assim que se chamava na altura, estação de serviço, não bomba. A entrega constante de serviço amigável e rápido era uma fonte de diferenciação significativa e, em muitos casos, era também um motivo válido para um cliente nos escolher. Hoje em dia, é completamente diferente. Não só os clientes metem o seu próprio combustível (excepto em New Jersey e em Oregon, onde a lei proíbe isso), como também registam e guardam as mercadorias em sacos, configuram os seus computadores, gerem portfólios e fazem o check-in nos aeroportos. Na eventualidade de um cliente precisar de assistência, é cada vez mais por precisar de uma resposta a uma dúvida ou de trocar um produto.

Se se perder alguns minutos a procurar a frase "o apoio ao cliente está morto" no Google e se se ler as histórias de arrepiar que aparecem, acaba-se por se acreditar que o apoio ao cliente é coisa do passado. Será? Será que o apoio ao cliente, tal como carinhosamente o recordamos, está realmente morto? Será que, tal como os reis modernos das monarquias constitucionais, é apenas um símbolo de outros tempos? Acredito que sim. Lembro-me que fazia parte dos meus deveres no emprego que mencionei aqui verificar o nível de óleo dos carros dos clientes. E nunca ninguém punha em causa o que dizia quando os avisava que estavam em baixo, o que acontecia muitas vezes. Quando foi a última vez que acrescentou óleo ao seu carro entre mudanças de óleo? Também me lembro de limpar os pára-brisas e de anotar pedidos de copos, sem nunca ter ouvido um "Despache-se!" Hoje em dia, a comida rápida mais rápida não é suficientemente rápida.

Qualidade, Tecnologia, Impaciência... Ai, ai!

O serviço de apoio ao cliente costumava ser parte integral de um mercado repleto de produtos de fraca qualidade, num ambiente livre de computadores e clientes relaxados. Era simplesmente uma forma necessária de ajudar os clientes que não se conseguiam desenrascar sozinhos. Hoje em dia, o serviço de apoio costuma indicar que algo correu mal. Tirando os negócios onde a interacção pessoal é um mal necessário - como os produtos técnicos - ou os negócios onde essa interacção é vista como valor adicional - algo por que os clientes estão dispostos a pagar mais -, mais vale que o apoio ao cliente não exista de todo. Uma das promessas da nova economia era que os clientes iam, finalmente, gerir as coisas. E é verdade, são eles que mandam em tudo. Mas só se as empresas os deixarem. Hoje em dia, o imperativo das empresas orientadas para o cliente é fazer isso mesmo; ajudar os clientes a ajudarem-se a eles mesmos. O objectivo consiste em aperfeiçoar o serviço de apoio, eliminando o serviço de apoio.

O serviço de apoio é agora uma opção pró-activa e estratégica. Isso mesmo. Não se trata de formação, atitude e execução. Trata-se de inovação, excelência operacional e técnica e gestão - e influência - das expectativas dinâmicas dos clientes. Clientes que, cada vez mais, querem que os seus produtos e serviços sejam perfeitos, livres e é já! Isto significa que antes de perguntar como se pode ensinar alguém a olhar os clientes nos olhos, deve-se perguntar se os clientes querem ser olhados nos olhos. E em vez de perguntar como reduzir o tempo de chama em espera dos clientes, se deve perguntar como se faz com que os clientes não liguem de todo. Sim, o melhor serviço de apoio costuma ser definido pela forma como um negócio responde a falhas inevitáveis e, muitas vezes, imprevisíveis dos produtos e serviços. Mas as melhores organizações evitam logo que esses problemas ocorram.

Saber e não fazer é não saber

Provavelmente, isto soa a senso comum a todos os executivos do serviço de apoio na América. Mas tem de ser algo mais, senão como é que as histórias de períodos de espera alargados, de políticas de devolução difíceis e outros pesadelos de serviço de apoio continuam a alimentar os blogs? O cínico vai apontar o dedo a empregados sem motivação e à dificuldade de assegurar um serviço satisfatório ao consumidor demasiado exigente de hoje em dia. Eu não caio nessa. Acredito que a maior parte das pessoas sente empatia e um desejo genuíno de abordar os problemas dos clientes. E a maior parte dos clientes preocupa-se e é razoável. Não, o problema, tal como com quase todos os problemas das empresas actuais, é a estrutura mental. A maior parte das organizações vê o serviço de apoio como o departamento de queixas ou, na melhor das hipóteses, como o departamento de satisfação do cliente.

Mais para o fim da minha carreira como empregado de estação de serviço, lembro-me de o meu pai estar a ver a abertura de uma estação de serviço nova, de self-service, mesmo em frente à nossa. Com um braço oleado à volta do meu ombro, a pingar suor das sobrancelhas e a abanar a cabeça, disse-me que as pessoas nunca iriam meter elas próprias o combustível. E que, além disso, os nossos clientes não se limitavam a estar satisfeitos, eles gostavam de nós. Sim, sem dúvida que gostavam. Mas gostavam mais ainda de poupar uns cêntimos ao litro. É mesmo assim. O serviço de apoio dos nossos pais, tal como a estação de serviço do meu pai, já lá vai e não volta. O serviço de apoio agora tem de ser visto como o departamento da experiência do cliente e o seu lema tem de ser ajudar, intencionalmente, a organização a preparar a melhor experiência de cliente possível. O serviço de apoio está, efectivamente, morto. Viva a experiência do cliente!

«Há empresas que estão preparadas para mudar a forma como trabalham. Compreendem que nada pode ser baseado no que costumava ser, que há uma forma melhor. Mas 99 por cento das empresas não estão preparadas, apanhadas num Parque Jurássico industrial.»

Ricardo  Semler, Executivo brasileiro e autor do  beste-seller Maverik


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Tom Asacker

Tom Asacker

Tom Asacker é consultor independente, professor universitário e autor de vários livros sobre marketing, branding e empreendedorismo.

Website: www.acleareye.com/
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