Parece que os evangélicos estão confundidos e não só relativamente a em quem votar. Eles estão presos à idade da supremacia, acreditando que o comportamento se influencia melhor com uma abordagem patriarcal. Eles vêem o governo como o pai, que deve criar e manter uma política que acabe por determinar o comportamento dos filhos. Esperam criar uma marca América forte e socialmente conservadora, de cima para baixo, através de leis e de controlo. Isso faz-me lembrar o pensamento de muitos dos líderes empresariais de hoje em dia: crescimento da marca através da retórica controlada.
O comportamento como comunicação
No seu livro de 1971, Silent Messages, o Dr. Albert Mehrabian revelou a importância dos elementos visuais, vocais e verbais para a credibilidade nas comunicações. As pistas verbais - aquilo que está realmente a ser dito - só eram dominantes em sete porcento do tempo, as vocais, 38 porcento e as pistas visuais eram o principal garante de confiança e de credibilidade, com uns incríveis 55 porcento. Depois disso, os peritos em comunicação agarraram-se a essas ideias e começaram a jogar com o facto de os seres humanos serem criaturas visuais acima de tudo. E isso é verdade. Mas não tem nada a ver com o que o doutor queria dizer.
O que a investigação de Mehrabian realmente nos diz é que as pessoas são persuadidas principalmente através do comportamento. É que as acções valem mais do que as palavras. Infelizmente, como disse Mark Twain, as acções valem mais do que as palavras, mas não dão tanto nas vistas. Está na altura de toda a gente acordar para o novo milénio. Os bons velhos dias de se influenciar pela fala já lá vão. Já ninguém liga ao que dizem as regras ou a retórica. Não nos deixamos levar por promessas, nem nos sentimos ameaçados pelo preceito. Não nos deixamos impressionar pela hipérbole sensorial. Perdemos a fé no negócio, no governo e noutras instituições. A comunicação sem provas comportamentais, independentemente do grau de empenho ou dos factos, já não é suficiente para nos levar a acreditar e a agir.
Lembro-me de estar a conversar com um senhor mais velho depois de um dos meus discursos e de ele me contra uma história engraçada sobre a neta dele. Uma noite, a mulher dele estava com a neta de quatro anos ao colo e tinham acabado de se instalar para ver o filme Shark Tale pela décima quinta vez, ou assim parecia ao avô. À medida que o filme avançava e os protagonistas se aproximavam do ecrã, com os dentes afiados e mortais, a rapariga encolhia-se com medo. A avó perguntou-lhe por que tinha medo, já era a quinta vez que via aquilo e já sabia que não era a sério. Com a sabedoria típica da juventude, a rapariga respondeu que aquilo era um filme, era suposto ter medo.
Exactamente! É suposto acreditarmos (ou esquecer a descrença) quando estamos a ver um filme, mas não quando estamos a ver um anúncio pela quinta vez, seja de uma compra bestial ou de um candidato presidencial. No mundo real, dos problemas reais e das questões reais, queremos algo que seja... real. Algo que nos agarre e tenha significado para nós. Algo que podemos ver, ouvir, cheirar e tocar. Estamos fartos que nos digam - e mostrem - o que fazer, como o fazer e com devíamos fazer. Queremos algo com que nos possamos preocupar, para o qual possamos contribuir e que podemos influenciar. Algo que podemos efectivamente experienciar e acreditar.
Comunicar para crer
Não pode haver equívocos; a menos que se esteja no mundo do entretenimento, o derradeiro objectivo da nossa comunicação é a crença. Não a percepção. Não o medo. Não o empenho. A crença. A crença leva à experiência e a experiência leva à adopção. Se acreditarmos que alguém nos pode ajudar, a fazer-nos sentir bem, a melhorar as nossas relações, a fazer-nos sentir bem connosco próprios, etc., então vamos atender a chamada, parar pela loja, carregar no link, juntarmo-nos à organização ou pegar no produto da prateleira. Se não acreditarmos, nada feito. Hoje em dia, estamos, pura e simplesmente, demasiado ocupados para agir pela fé.
Por isso, da próxima vez que se sinta tentado a comunicar, a mandar-nos uma mensagem; da próxima vez que sentir vontade de pregar a partir do púlpito, a fazer promessas fantásticas, a usar o sentido de humor ou a abrir muito os olhos... pare! Pare e pergunte-se a si mesmo: como é que posso unir as pessoas - fazer com que se associem umas às outras e com a audiência - para criar algo real e valioso? Como posso despoletar a crença através do comportamento? Não basta o "Just Do It", é preciso fazer em conjunto! Não diga que quer ser amigo, seja mesmo amigo! Porque se fizermos em conjunto e uns com os outros, acabamos por acreditar. E a crença é o caminho para a acção. Se a crença estiver ausente, então pouco mais se é do que um tubarão em desenhos animados num mar repleto de tubarões animados.
