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Marketing: Acrescentar valor à vida das pessoas

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Já reparou como está tudo muito calmo? Quase que se consegue ouvir os mercados a cair. Os telefones não tocam. As redes deixaram de funcionar. Os blogs não são actualizados. Os spammers até deixaram de enviar lixo.
A última vez que me apercebi deste tipo de pausa colectiva foi nas semanas que se seguiram ao 11 de Setembro. Mas desta vez é diferente. Os nossos líderes parecem confusos. O Presidente não foi à televisão implorar para comprarmos coisas. E a previsão para o futuro parece negra. São tempos realmente extraordinários.
"You have to stop in order to change direction."
- Erich Fromm

Para alguns negócios, o mau momento económico actual vai ser fatal. Para outros, vai ser um vampiro que lhes suga sangue das veias e os torna mortos-vivos. Já vi isso mais vezes do que quero lembrar: pessoas espertas sentadas, de braços cruzados, à espera da informação "certa" ou de novas ordens, à medida que a empresa se afunda cada vez mais. De facto, já estive numa empresa dessas e foi uma experiência muito deprimente e perturbadora. Tanto que acabei por me despedir.

Inevitavelmente, algumas empresas entram em pânico e precipitam-se, o que as faz afundar mais depressa e torna as coisas piores. No entanto, a maior parte segue com o que tem a fazer, olhando por janelas sujas enquanto tentam manter os bancos secos e a visão destapada. Mas existe outra opção, que consiste em tirar toda a gente do escritório, aproveitar o momento, descobrir novas perspectivas e renovar o sentimento de propósito organizacional e a paixão. De facto, isso é exactamente o que os líderes de mercado do futuro vão fazer hoje.

Uma receita simples

Então qual é a melhor maneira de sair do buraco pessoal e organizacional? Como é que se pode superar o nível inaceitável de indiferença e revitalizar o negócio e a vida? Acho que a solução assenta em algo que Cecil Beaton, um fotógrafo inglês, uma vez escreveu (para dizer a verdade, encerro todas as minhas apresentações com esta citação):

"Sê ousado, sê diferente, sê pouco prático, sê qualquer coisa que traga integridade de propósito e visão imaginativa em relação aos que jogam pelo seguro, às criaturas dos lugares comuns, aos escravos do ordinário."

Se retirado de contexto, as palavras de Beaton parecem os chavões de muitos oradores "motivacionais": "Sê ousado! Tem propósito! Vai!" Mas se se olhar para elas como um todo, o seu sentimento apaixonado é uma receita para a transformação de um negócio e para o sucesso no mercado extremamente competitivo do séc. XXI: Procurar a integridade do propósito (por que é que se faz o que se faz) e visão imaginativa (como se faz isso), contra os que jogam pelo seguro (quase toda a gente). Tradução: Sê uma força arrojada e criativa na vida dos clientes, comunidade e pessoas.

É assim simples
É mesmo assim simples. Tem talento, capacidade e contactos. Mas será que tem visão e coragem? É disso que se trata a liderança: Certificar-se de que todos compreendem do fundo do coração o propósito (que não deve ser produzir e vender coisas. Deve ser acrescentar valor à vida das pessoas), e depois orquestrar, dar poder e inspirar as pessoas a dar vida a esse propósito com uma visão ousada e imaginativa. Os líderes da AIG perderam esse facto simples de vista. Tal como os da GM e, infelizmente, da Starbucks. Tal como a maior parte das organizações.

Por isso pare e pergunte-se a si próprio: Será que tem propósito em tudo o que faz? Será que o desejo de melhorar a vida dos clientes se reflecte em todas as suas acções? Se isso não se verificar, pare já! Mude isso! Por exemplo, quando é que foi a última vez que pegou no telefone, ligou aos seus clientes e lhes perguntou como os pode ajudar? (Foi o que pensei.) Em vez disso, tal como a maioria, provavelmente desperdiçou tempo e dinheiro em comunicações de marketing espertas e irrelevantes que tentaram persuadir as pessoas a comprar coisas ou a negociar consigo.

Acorde!

Reparou? O seu verdadeiro propósito egoísta - chamar a atenção, vender coisas e fazer dinheiro - é tão gritante e óbvio - através da publicidade, dos emails, dos vídeos, das redes, das técnicas de PNL, etc. - que as pessoas não conseguem ouvir o que diz. Por isso, acabaram por se desligar de si. E por que é que insiste nestas actividades corriqueiras, em ser um escravo do ordinário? Eu digo-lhe porquê: anda a enganar-se a si próprio e a acreditar que é uma abordagem "eficaz e eficiente", quando a verdade é que é por ser muito mais fácil para si. É o mesmo que todos os outros estão a fazer e bem que pode ficar no escritório; com as suas relações e parceiras com analistas, consultores, fornecedores, pares e colegas.

Este não é o momento de "fazer como se vê". É um tempo de criar ondas. De dar um abanão! É altura de pensar de forma prática sobre como acrescentar valor à vida das pessoas e depois seguir isso com ousadia! A sua teoria nuclear de negócio deve ser um pragmatismo fanático: descobrir o que funciona recorrendo à experimentação e procurando ser audaz na execução. Porque não há muitas pessoas audazes e é falta de qualquer coisa que determina o valor do mercado. Seja um inimigo do banal e agarre-se à ideia de que as criaturas dos lugares comuns vão continuar sentadas à espera que as coisas mudem. Não fique à espera. Está na hora.

«Não consigo entender por que alguém há-de pensar que vai produzir uma gazela acasalando dois dinossauros!»

Tom  Peters,  guru da gestão e autor de sucesso


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Tom Asacker

Tom Asacker

Tom Asacker é consultor independente, professor universitário e autor de vários livros sobre marketing, branding e empreendedorismo.

Website: www.acleareye.com/
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