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Perigos dos negócios com família e amigos

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Quando se trata de fazer negócios com amigos e família, o sangue nem sempre é mais espesso que a água. Para além das melhores intenções e das maiores esperanças, aquilo que começa como um projecto ou interacção aparentemente segura e benéfica (para ambos) pode tornar-se um pequeno constrangimento ou um enorme pesadelo.

Não estamos aqui a falar de gerir negócios de família – tópico diferente com outros riscos e desafios envolvidos – estamos a referir-nos a comprar, vender e fazer acordos com amigos e parentes.

Alguns dos maiores perigos e armadilhas que podem encontrar são:

  • Fá-los perder dinheiro. Este é sempre o maior. Uma frase que costumamos ouvir é "Não invistas o dinheiro que não estás preparado para perder" e de certeza que a maioria das pessoas tem este sentimento quando põe o seu dinheiro nas mãos de parentes ou amigos. E quando esse dinheiro desaparece as pessoas tendem a ser muito menos filosóficas. Elas até podem dizer para não se preocupar, que arriscaram, mas a probabilidade da vossa relação ficar manchada para sempre por esta má experiência é bastante forte. Diz-se que o dinheiro da família é o mais fácil de obter mas também pode ser aquele que fica mais caro.
  • Um acordo corre mal: Tal como em qualquer outro negócio, e independentemente de pensar que o seu plano é perfeito, é sempre bom e prudente assumir que as coisas podem correr mal. E um mal familiar pode ser muito pior do que um mal de negócios.
  • Os negócios jantam com a família: Há pessoas que conseguem desligar-se do trabalho e assim que fecham a porta do escritório a vida laboral fica lá. Contudo, não existem muitas pessoas assim. De uma maneira ou de outra, a maioria de nós leva sempre a sua vida laboral para casa. Quando faz negócios com familiares e amigos, há alturas em que vai estar com eles, seja num casamento, baptizado, aniversário ou outras ocasiões. E se existir alguma tensão entre os dois, para além do próprio desconforto que sentem, também as pessoas à sua volta poderão sentir-se afectadas ou até potencialmente "infectadas". O resultado pode ser algo como uma pequena estranheza ou um desastre familiar.
  • Não pode voltar atrás: Assim que começa a fazer negócios com pessoas próximas de si, iniciou um percurso que muito dificilmente poderá mudar ou reverter. Seja a criar expectativas ou a criar suposições problemáticas, mudar ou tirar os amigos/familiares dos negócios é mais difícil do que o habitual.
  • Há danos colaterais: Muitas vezes fazemos networking ou apresentamos pessoas de negócios a amigos e familiares. Nestes casos gostamos de pensar que são pessoas adultas e conseguem pensar claramente sobre estes assuntos, mas a natureza humana é tal que é sempre muito mais fácil ser calmo e filosófico quando se entra no negócio e muito mais difícil quando se sai. Se decidir ser o ponto de encontro entre duas pessoas de negócios, certifique-se de que fica claro para ambos os lados que apenas está a fazer a apresentação e que o resto fica da responsabilidade das partes envolvidas. Se por acaso tiver o palpite de que pode estar a fazer uma apresentação de risco, é melhor ficar calado e não a fazer.

Seria óptimo se fazer negócios com aqueles que nos são mais próximos não tivesse riscos e fosse recompensador. Certamente que algumas vezes vai correr bem mas muitas vezes também corre mal. Tal como em muitas outras coisas de negócios ajuda se tentar antecipar o pior cenário possível (constrangimentos pessoais, um parente que nunca mais lhe vai falar, etc.) e ponderar as razões, os benefícios e as alternativas. Terá de decidir se vale a pena correr o risco e se consegue viver com as possíveis consequências.

«O verdadeiro líder não tem necessidade de conduzir - contenta-se em indicar o caminho.»

Henry  Miller, romancista


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