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O objectivo da empresa

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Aristóteles acreditava que tudo tem um objectivo (telos), que todos os organismos vão de um estado imperfeito até um estado inato e perfeito. Por exemplo, o telos de uma bolota é um carvalho. Também acreditava que a vida humana tem um telos e que esse objectivo é a felicidade. Sobre a vida humana não tenho muitas certezas, mas estou convencido de que o telos do nosso mercado moderno é a felicidade – a felicidade que advém do factor novidade, entretenimento e interacção social; a felicidade alcançada por sermos mais produtivos, mais seguros e mais saudáveis; e a felicidade gerada pelas contribuições, auto-valor e identidade.

A felicidade tem de ser o objectivo de uma empresa

Não os produtos. Não os serviços. Não os conteúdos. Não o dinheiro. A felicidade. A felicidade deve ser contexto de uma organização, o quadro através do qual os seus colaboradores vêem os seus propósitos, actividades e resultados.

Se preferir, a famosa frase de Theodore Levitt "em que negócio está você?" Para ser claro, não estou a dizer que a génese de todas as ideias de sucesso está no desejo ardente de fazer as outras pessoas felizes.

Certamente não é. Muitas, se não mesmo a maioria das inovações, nascem de mentes curiosas e criativas que procuram resolver problemas próprios e fazer-se a si próprios felizes. Aquilo que estou a dizer é que o sucesso a longo termo dessas ideias no mercado depende, de forma absoluta, na felicidade e bem-estar dos outros. Mas, por causa da abundância de opções, as pessoas escolhem a sua definição pessoal daquilo que acham que irá melhorar as suas vidas e fazê-las felizes. A felicidade é a sua moeda preferida.

O meu amigo Paul tem lucrado imenso com esse conceito aparentemente hippie. A sua ideia inicial de um software capaz de testar sites foi lançada num dormitório da universidade com um computador de segunda mão e algumas centenas de dólares, em 2005. Desenvolveu o produto principalmente para resolver os problemas que ele próprio encontrava como designer, impulsionado pela falta de uma solução acessível e funcionalmente intacta no mercado. Se avançarmos seis anos rapidamente, encontramos Paul e mais dois sócios a gerir uma empresa de software, em franco crescimento e multimilionária.

Mas esta não foi a ideia original que o lançou ao sucesso. Em vez disso, escutou com atenção os desejos dos seus clientes e respondeu com uma ideia nova, capaz de abalar o mercado; uma ideia que alimenta a fome dos consumidores e que acelera o seu crescimento. Deixe-me esclarecer outro ponto. Embora o Paul seja uma alma simpática, não é um altruísta. É um capitalista perspicaz e sensato. Simplesmente, tem a noção de que está tudo interligado; o seu sucesso e a sua felicidade estão ligados com o sucesso e a felicidade dos seus clientes. O bem-estar futuro do seu negócio não está no seu começo, mas sim no seu telos, no seu objectivo. E o seu também estará.

Estamos no meio de uma enorme revolução no mercado. Como o meu amigo Paul, temos todos de mudar rapidamente as nossas perspectivas, o nosso enfoque míope sobre os nossos desejos de curto prazo, e abraçar uma ética nova, voltada para o cliente. É hora de passar as nossas preocupações, concentradas no desempenho e na eficácia, e perguntar de forma obsessiva:

  • O que está a acontecer na vida das pessoas? 
  • Qual é o nosso papel no meio deste drama? 
  • O que podemos fazer para melhorar as suas vidas, para os fazer mais felizes? 

O telos do mercado é a felicidade. Será que isto tem de ser em detrimento da sua felicidade? Claro que não. Não é uma regra a curto prazo, inflexível e passageira: há imensas excepções para que não seja assim.

Mas garanto-lhe uma única coisa: a sua competitividade no mercado e bem-estar organizacional, ao longo do tempo, irão inevitavelmente relacionar-se com o seu telos. A diferença entre você e uma bolota é que você pode escolher o seu.

«Se compararmos a GM de hoje com a de ontem, veremos que emagreceu um pouco. Tinha 29 níveis. O que significa que ninguém podia realmente ser considerado gestor de topo antes dos 211 anos de idade. Este é parte do problema da GM hoje.»

Peter  Drucker, pensador de gestão


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Tom Asacker

Tom Asacker

Tom Asacker é consultor independente, professor universitário e autor de vários livros sobre marketing, branding e empreendedorismo.

Website: www.acleareye.com/
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