A felicidade tem de ser o objectivo de uma empresa
Não os produtos. Não os serviços. Não os conteúdos. Não o dinheiro. A felicidade. A felicidade deve ser contexto de uma organização, o quadro através do qual os seus colaboradores vêem os seus propósitos, actividades e resultados.
Se preferir, a famosa frase de Theodore Levitt "em que negócio está você?" Para ser claro, não estou a dizer que a génese de todas as ideias de sucesso está no desejo ardente de fazer as outras pessoas felizes.
Certamente não é. Muitas, se não mesmo a maioria das inovações, nascem de mentes curiosas e criativas que procuram resolver problemas próprios e fazer-se a si próprios felizes. Aquilo que estou a dizer é que o sucesso a longo termo dessas ideias no mercado depende, de forma absoluta, na felicidade e bem-estar dos outros. Mas, por causa da abundância de opções, as pessoas escolhem a sua definição pessoal daquilo que acham que irá melhorar as suas vidas e fazê-las felizes. A felicidade é a sua moeda preferida.
O meu amigo Paul tem lucrado imenso com esse conceito aparentemente hippie. A sua ideia inicial de um software capaz de testar sites foi lançada num dormitório da universidade com um computador de segunda mão e algumas centenas de dólares, em 2005. Desenvolveu o produto principalmente para resolver os problemas que ele próprio encontrava como designer, impulsionado pela falta de uma solução acessível e funcionalmente intacta no mercado. Se avançarmos seis anos rapidamente, encontramos Paul e mais dois sócios a gerir uma empresa de software, em franco crescimento e multimilionária.
Mas esta não foi a ideia original que o lançou ao sucesso. Em vez disso, escutou com atenção os desejos dos seus clientes e respondeu com uma ideia nova, capaz de abalar o mercado; uma ideia que alimenta a fome dos consumidores e que acelera o seu crescimento. Deixe-me esclarecer outro ponto. Embora o Paul seja uma alma simpática, não é um altruísta. É um capitalista perspicaz e sensato. Simplesmente, tem a noção de que está tudo interligado; o seu sucesso e a sua felicidade estão ligados com o sucesso e a felicidade dos seus clientes. O bem-estar futuro do seu negócio não está no seu começo, mas sim no seu telos, no seu objectivo. E o seu também estará.
Estamos no meio de uma enorme revolução no mercado. Como o meu amigo Paul, temos todos de mudar rapidamente as nossas perspectivas, o nosso enfoque míope sobre os nossos desejos de curto prazo, e abraçar uma ética nova, voltada para o cliente. É hora de passar as nossas preocupações, concentradas no desempenho e na eficácia, e perguntar de forma obsessiva:
- O que está a acontecer na vida das pessoas?
- Qual é o nosso papel no meio deste drama?
- O que podemos fazer para melhorar as suas vidas, para os fazer mais felizes?
O telos do mercado é a felicidade. Será que isto tem de ser em detrimento da sua felicidade? Claro que não. Não é uma regra a curto prazo, inflexível e passageira: há imensas excepções para que não seja assim.
Mas garanto-lhe uma única coisa: a sua competitividade no mercado e bem-estar organizacional, ao longo do tempo, irão inevitavelmente relacionar-se com o seu telos. A diferença entre você e uma bolota é que você pode escolher o seu.

