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Como recuperar uma empresa em dificuldades

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São muitas as empresas em dificuldades neste momento. Quando a economia entra em recessão, a maior parte começa por perder alguns clientes e sofrer prejuízos. Se não reagem atempadamente, é quase certo que estas empresas entram numa espiral negativa: reduzem custos, endividam-se excessivamente e comprometem o futuro. Veja como pode inverter esta tendência.

É preciso estancar o problema

Nunca é tão importante conhecer os seus números por dentro e por fora como quando enfrenta uma situação de crise. O primeiro passo para recuperar uma empresa em dificuldades é reduzir custos de actividades que não precisa.

Neste ponto, ajuda ter um bom sistema de controlo de gestão para identificar custos desnecessários mas se a sua empresa é pequena, será relativamente fácil pensar numa série de coisas de que não precisa realmente para manter a sua empresa a funcionar. Basta percorrer as contas de custos fixos numa série mensal e analisar as principais rubricas em detalhe para encontrar imediatamente o que pode fazer para reduzir custos.

As rubricas de custos mais questionáveis, se quer realmente tirar a sua empresa de uma situação difícil, são as despesas com automóveis, as despesas de representação, viagens e outras despesas supérfluas.

Cortar nestes custos tem uma dupla vantagem: não só reduz os custos com actividades sem grande valor acrescentado, como também reduz os custos com a tributação autónoma de IRC que incide sobre eles. São 10% adicionais que pode poupar.

Estancar o problema numa situação de crise, passa por reduzir a estrutura de custos de forma a voltar a equilibrar a conta de exploração. Se o problema é o mercado, então tem de gastar menos para voltar aos lucros.

Tem de dar o exemplo

Imagine o seguinte episódio real numa PME: a empresa acumula prejuízos há mais de seis meses seguidos, o proprietário decide cortar em despesas com publicidade e nalguns serviços de apoio. Ao mesmo tempo, transmite aos seus 25 colaboradores que a empresa está a atravessar um período difícil e todos terão que fazer contenção de custos. Passado um mês decide comprar um novo Audi Q7. Ninguém o leva a sério no seu esforço de recuperar a empresa. Este empresário é um pateta e faria um bom serviço se se dedicasse a outra actividade que não passasse por gerir empresas, pessoas e recursos produtivos.

Dar o exemplo tem um efeito motivador nas pessoas. A maior parte dos colaboradores está disposta a fazer um esforço genuíno para ajudar a empresa se isso significar manter os seus postos de trabalho. Dar o exemplo, como faz Ingvar Kamprad, o fundador da Ikea, quando se desloca de transportes públicos para o trabalho, é fazer passar uma mensagem de que é possível fazer mais com menos e continuar a ser competitivo. As pessoas acreditam no que vêem.

Antes de despedir, pondere alternativas

Despedir pessoas pode ser uma daquelas decisões inevitáveis que qualquer gestor tem de tomar para manter uma empresa em funcionamento. Mas existem duas alternativas que minimizam os seus efeitos negativos: o outplacement e o layoff.

O outplacement é uma solução que funciona quando a empresa quer subcontratar uma determinada área, como por exemplo a logística, e quer evitar que os seus colaboradores percam o emprego. É possível transferir uma série de operações da empresa para o exterior, através de um serviço de outsourcing, ao mesmo tempo que os colaboradores continuam a trabalhar, nalguns casos praticamente sem alterações (excepto quanto ao contrato de trabalho).

Foi o que fez uma empresa industrial que manteve os seus empregados de armazém nos mesmos postos de trabalho mas cedeu todas as operações logísticas a uma empresa externa.

O layoff é definido pelo Código de Trabalho como "a redução temporária do período de trabalho ou suspensão do contrato de trabalho, por iniciativa da entidade patronal, durante um período de tempo, na condição de tal medida se mostrar indispensável para a viabilidade económica da empresa".

Esta é uma solução que funciona bem na maior parte dos casos mas que não pode ser implementada de qualquer maneira. Existe uma série de formalismos previstos na lei que a empresa terá de respeitar. Além disso, é possível combinar a redução do período de trabalho com formação profissional (financiada ou não).

Não comprometa o futuro da empresa

Muitas empresas confundem uma situação de crise com uma situação em que não têm condições estruturais para competir num mercado dinâmico. Por outras palavras, atravessar um período difícil pode não ser o mesmo que estar fora da jogada permanentemente.

Há uma função que nunca deve deixar de desenvolver: a capacidade para inovar. É como deixar de pedalar uma bicicleta. Pode não perder a velocidade imediatamente mas mais cedo ou mais tarde, vai acabar por cair.

O mesmo acontece nas empresas. Nunca pode deixar de estar perto dos seus clientes, procurar entender os seus anseios e necessidades para ser capaz de conceber novos produtos. Por isso é que muitas empresas falham, porque não percebem que nas situações de crise, é frequente as regras de jogo mudarem. Deixam de arriscar, deixam de criar novas soluções para os problemas, tentam insistir num modelo que, de repente, já não funciona.

«Trabalhámos furiosamente. Porque não tínhamos medo, podíamos fazer algo de drástico

Masaru  Ibuka,  fundador da Sony


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