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A influência da capacidade produtiva no lucro das empresas

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Até que ponto a capacidade de produção influencia a produtividade e o lucro das empresas? E de que modo essa capacidade vai determinar a competitividade em termos de custos? Estas questões, entre outras, têm de ser colocadas pelos gestores não só no momento da criação da empresa, como também durante o processo de planeamento estratégico...

Os recursos são escassos

Como qualquer gestor sabe, os recursos são escassos. De cada vez que se toma uma decisão sobre a forma como alocar recursos, nomeadamente recursos financeiros, o gestor tem de pensar não só no retorno que espera obter com o seu investimento, mas também no retorno que obteria se alocasse os mesmos recursos noutro investimento alternativo. Na economia, denominamos este conceito por ‘custo de oportunidade' e ele serve para nos lembrar que os recursos são escassos e que por isso sempre que temos uma ideia, devemos avaliar a sua execução à luz de todas as outras ideias possíveis que de deixamos de executar.


No que diz respeito à gestão da capacidade produtiva de uma empresa, este conceito é importantíssimo. Se um gestor pudesse aumentar a sua capacidade de produção sem pensar na escassez de recursos, ele aumentaria a capacidade até a um máximo indefinido (teoricamente ilimitado).

Portanto, a questão que se coloca quanto à decisão de aumentar a capacidade de uma empresa, prende-se desde logo com a quantidade de capital de que se dispõe para investir em activos produtivos, sejam eles máquinas, tecnologia ou recursos humanos. Algumas empresas, por tradição ou por política de gestão, limitam a sua capacidade de expansão como forma de se manterem saudáveis do ponto de vista financeiro.

Vejamos o exemplo da Microsoft. O balanço do 3º trimestre de 2010, demonstra que a empresa possui 44.2 biliões de dólares em caixa e investimentos de curto-prazo. Sendo o total de activos líquidos da empresa de 91.5 biliões de dólares, isto significa que cerca de metade das aplicações da empresa são pura liquidez (dinheiro vivo)!

O que é que isto poderá significar? Que a empresa se dispõe a ajudar a resolver o problema do défice em Portugal? Ou que pretende comprar um concorrente de um dia para o outro? A propósito, alguns analistas dizem que a verdadeira razão é tentar assustar a concorrência com eventuais aquisições hostis...

De um ponto de vista da gestão da sua capacidade produtiva, isto significa que a Microsoft não encontra uma alternativa melhor para a afectação dos seus recursos do que manter o dinheiro em caixa. Por outras palavras, a empresa não encontrou razão para adquirir ou desenvolver mais tecnologia, cujo retorno em termos de vendas de novas licenças Windows e outras fosse superior à manutenção do dinheiro vivo em mãos. Ou, se encontrou, essa alternativa não justificou o risco.

Se a Microsoft assim o desejar, pode adquirir uma empresa já em funcionamento e desse modo aumentar o seu volume de facturação imediatamente, mas prefere limitar o seu investimento de modo a manter a sua saúde financeira em bom estado.

É o que acontece também com outras empresas que tradicionalmente são mais ‘capital intensivas', como é o caso das indústrias que funcionam por ciclos (por exemplo, as indústrias do papel e do sector petroquímico). Para não comprometerem o seu futuro a longo-prazo, preferem ser mais cautelosas nos seus investimentos em capacidade quando os ciclos estão em expansão.

Se uma empresa de produção de polímeros, por exemplo, decidir investir em duas grandes fábricas num momento em que a procura está em alta, poderá ser capaz de vender mais e aumentar os seus lucros com isso, mas sofrerá pesadas consequências logo que o ciclo se contraia e a sua capacidade produtiva se torne excessiva. Neste caso, a decisão envolve não só a afectação de capital, mas também a flexibilidade para ajustar a produção às variações da procura.

Geralmente, as empresas preferem ser cautelosas nos aumentos de capacidade: poderá ser preferível perder vendas em tempos favoráveis do que investir excessivamente na capacidade produtiva futura. É muito difícil (e oneroso) desinvestir em máquinas e pessoal depois de incorporados na organização.

No longo prazo todas as empresas querem crescer
Alguns estudos demonstram que as empresas maiores têm algumas vantagens em relação às mais pequenas: proporcionam retornos superiores, são mais duradouras no tempo, oferecem carreiras mais interessantes e recompensadoras aos seus colaboradores e são mais influentes no meio em que se inserem.

Há portanto a crença justificada que crescer é bom. Quase todos os fabricantes automóveis querem ser maiores do que os seus concorrentes. Ser maior permite controlar melhor os canais de distribuição, dominar a concorrência e lucrar mais.

A gestão da capacidade produtiva tem aqui um papel determinante porquanto passa sobretudo pela identificação e aproveitamento das oportunidades que o mercado oferece. Se uma empresa é capaz de identificar oportunidades que os seus concorrentes não vêm, ela vai tirar partido disso, aumentando a sua capacidade produtiva, crescendo e assim tornando-se mais forte.

«A única forma de tornar um homem fidedígno é confiar nele.»

Henry  Stimson, ministro da Guerra americano


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