Apesar destas empresas visionárias terem sofrido reveses e cometido erros, demonstraram "constância" e tiveram um desempenho positivo ao longo de múltiplos ciclos de vida e múltiplos líderes. Os princípios de gestão "intemporais" destas organizações funcionam de forma oposta às doutrinas das escolas de gestão. Segundo Collins e Porras, estas empresas, em vez de se nortearem pelos lucros e números, guiam-se através de uma ideologia nuclear interna, constituída por valores nucleares (princípios-orientadores essenciais) e de uma intenção (razões fundamentais pelas quais a empresa existe) que vão para além de produzir dinheiro.
Na Johnson & Johnson, por exemplo, a saúde dos clientes é a prioridade máxima, ainda mais importante do que os resultados. Um exemplo: a retoma do Tylenol depois do produto ser contestado nos anos 80. A forma exemplar da Johnson & Johnson lidar com a crise reflectiu a liderança forte do então presidente James Burke, mas também transmitiu a partilha de valores éticos que estão profundamente enraizados na cultura da organização.
Para empresas visionárias, o negócio transcende considerações económicas. O lucro é necessário, mas não é o único ponto essencial da vida da empresa. O sucesso exige que se respeitem princípios e se cumpra um objectivo ou intenção. O facto de estar fortemente agarrada à inovação e iniciativa individual e a sua tolerância aos erros fizeram a 3M passar de uma situação inicial má para uma produtora gigante de 60 mil produtos. O compromisso da GE para melhorar a qualidade de vida através da tecnologia e das inovações - "GE - Damos vida a coisas boas" - e a sua responsabilidade perante clientes, empregados, accionistas e a sociedade tornaram-na uma empresa com um valor de mercado de quase 11 mil milhões de dólares.
