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O comportamento do consumidor: necessidades, motivações e personalidade

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Sempre que analisamos o mercado é comum concluirmos que é necessário optar por soluções diferenciadas e valorizadas pelos clientes, o que torna fundamental para as organizações criar as próprias oportunidades. Mas também é preciso compreender que cada nova oportunidade não deve levar ao abandono repentino dos consumidores actuais.

Muitas vezes a melhor oportunidade não é aquela para a qual todos os concorrentes se direccionam, mas aquela em que a organização já possui conhecimentos, e em que pode melhorar, obtendo assim um melhor resultado do que seguir as "tendências".

Neste sentido encontramos tipicamente no mercado dois tipos de organizações:
  1. As que agem sem um planeamento estratégico. Pouco preparadas e com objectivos pouco concretos, ou sem sentido, associadas à falta de competências,
  2. As que preparam as suas estruturas, criando condições para a contínua evolução em todas as áreas, focando-se nos desejos dos clientes.
As ferramentas de gestão permitem aprofundar conhecimentos, a aprendizagem contínua faz a diferença face aos concorrentes, assim as oportunidades surgem de maneira mais natural. É crucial conhecer o público-alvo, este tem que se sentir realizado com o que lhe é oferecido.

O primeiro ponto que tem que se entender em relação ao consumidor é a sua motivação (do Latim movere, mover - condição do organismo que influencia a direcção do comportamento, orientação para um objectivo. É o impulso interno que leva à acção), pois um indivíduo não consumirá nada se não estiver motivado para tal.

Maslow associa as necessidades à motivação humana, tendo criado a Teoria das Motivações Humanas. Baseada num conjunto de cinco necessidades internas ou externas, quer sejam de carácter fisiológico ou psicológico. A representação desta teoria é piramidal, sendo que na base estão as necessidades que se deve satisfazer primordialmente, e só após a sua satisfação se pode, naturalmente, avançar para a necessidade seguinte:
  1. Necessidades Fisiológicas (básicas)
  2. Necessidades de Segurança
  3. Necessidades Sociais ou de Amor
  4. Necessidades de Estima
  5. Necessidades de Auto-Realização (topo da pirâmide)
É neste último patamar da pirâmide que Maslow considera que se tem que ser coerente com aquilo que se é na realidade. "Temos de ser tudo o que somos capazes de ser, desenvolver os nossos potenciais". Maslow

Usar um casaco no frio é uma necessidade básica. Usar um casaco de pelo de Vison é uma necessidade de aceitação social, ou secundária.

Concluímos que as necessidades primárias não interferem na escolha ou determinação de um produto. As secundárias, sim. No dia-a-dia as necessidades secundárias fazem os indivíduos escolherem determinada marca sem sequer saber o porquê.

Enquanto a teoria de Maslow se relaciona com a motivação, Freud defende que as motivações são responsáveis pela aceitação ou rejeição de produtos ou bens de consumo. Freud estabelece três instâncias psíquicas responsáveis pelo comportamento: o id (o inconsciente), fonte da energia interna responsável pelos impulsos primitivos, o ego, regulador dos impulsos selvagens do id ligado ao princípio da realidade, e o superego, a quem cabe a representação interna das proibições sociais.
A teoria freudiana é utilizada no marketing com o objectivo de estabelecer os motivos psíquicos que levam o indivíduo ao consumo, e ao respectivo estudo dos apelos mais favoráveis em termos de publicidade (Gade, 1980). Neste caso as necessidades terão de ser vistas de forma mais específica, associando os conceitos: desejos e preferências.
Ao contrário das necessidades, os desejos e as preferências são numerosos, e caracterizam-se por se poder optar de entre inúmeras as alternativas disponíveis. Assim surge o marketing, porque a vida em sociedade é impossível sem a realização de trocas. A troca não é mais do que a obtenção de qualquer coisa que desejamos, oferecendo algo desejado pela outra parte, em compensação. A necessidade de trocar bens ou serviços advém do facto de nenhum indivíduo/organização ser capaz de individualmente satisfazer as suas necessidades e desejos.

Segundo Philip Kotler para que se concretize uma troca devem ser satisfeitas cinco condições:
  1. Existirem, no mínimo, duas partes
  2. Cada parte ter qualquer coisa à qual a outra parte atribui valor
  3. Cada parte estar em condições de comunicar com a outra e de proceder à entrega
  4. Cada parte ser livre de aceitar ou recusar a oferta da outra
  5. Cada parte acreditar que é apropriado ou desejável negociar com a outra parte
Nunca nos podemos esquecer do conceito de criação de valor, no qual ambas as partes devem sair de um processo de troca (transacção) mais satisfeitas do que estavam antes.

O marketing defende que para se atingir os objectivos organizacionais temos que nos focar no exterior da empresa, sendo necessário:
  • Identificar e seleccionar os conjuntos homogéneos de consumidores que constituirão o nosso mercado-alvo, e conhecê-los quantitativa e qualitativamente.
  • Inventariar as suas necessidades, preferências e exigências; ter presente que elas estão em permanente evolução, o que determina a necessidade de um acompanhamento contínuo e cuidadoso.
  • Planear e executar a concepção de produtos/serviços capazes de ir ao encontro da satisfação das necessidades acima inventariadas e que o grau de satisfação conseguido seja superior ao conseguido pelos produtos concorrentes, a fim de permitir que o relacionamento entre a organização e os seus clientes seja duradouro.
A gestão pela óptica de marketing deve ter como principais funções:
  • Planeamento/ Controle Comercial
  • Estudos de Mercado.
  • Vendas/Distribuição
  • Promoção/Publicidade.
  • Desenvolvimento de novos produtos/serviços.
A perfeita realização destas funções implica a utilização simultânea de ferramentas já abordadas, objectivando um conhecimento profundo das forças que integram o microambiente (Análise das 5 Forças de Porter e da Concorrência), e do macroambiente (Análise PESTAL).

Ao estudar o que faz as pessoas comprarem certos produtos, os analistas usam as várias teorias para analisar, em termos de personalidade e de estruturação psíquica, que componentes e traços do produto terão maior aceitação. Esses factores são estudados com base na premissa de que certos objectos de consumo satisfazem mais determinados indivíduos do que outros, assim como a satisfação destes desejos pode entrar em conflito com esta ou aquela entidade.
Herzberg desenvolveu uma teoria de dois factores, distinguindo aqueles que causam insatisfação daqueles que causam a satisfação. Para motivar uma compra, não basta que os factores de insatisfação estejam ausentes, pelo contrário, os factores de satisfação devem estar bem presentes.
«Marque os seus objectivos alto e não descance enquanto não chegar lá.»

Bo  Jackson,  jogador americano de basebol e futebol


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