O especialista devoto gosta de rotular o aprendiz impetuoso - Da Vinci e Ben Franklin são dois exemplos esquecidos - como "o homem dos sete ofícios, sem ser bom em nenhum." O coro é unânime: No mundo moderno, aquele que é especializado é aquele que sobrevive e próspera. Não há lugar para o homem ou mulher renascentista. Amadores visionários? É mesmo assim? Não concordo. Aqui ficam as cinco principais razões que demonstram que ser um "homem dos sete ofícios" ou como prefiro chamar um "generalista" está de novo na moda:
5) "O homem dos sete ofícios, sem ser bom em nenhum" é um impedimento artificial. É completamente possível ser o homem dos sete ofícios e dominá-los a todos. Como? Os especialistas fazem um cálculo exagerado do tempo que é necessário para "ter a mestria" de uma capacidade e confundem "mestria" com "perfeição"... Os generalistas reconhecem que o princípio 80/20 se aplica às competências: 20% do vocabulário de uma língua permite-nos comunicar e compreender, pelo menos, 80%; 20% de uma dança como o tango (condução e passos) separam o novato do mestre, 20% dos movimentos num desporto são responsáveis por 80% da pontuação, etc. Será isto contentar-se com a mediocridade? De forma nenhuma. Os generalistas levam o estudo condensado até mas não para além do ponto onde os retornos são rapidamente diminuídos. Há uma diferença de 5% ao nível da compreensão entre o generalista concentrado que estuda japonês, de forma sistemática, durante 2 anos contra o especialista que estuda japonês durante 10 anos com a falta de urgência típica daqueles que reclamam que algo "leva uma vida inteira para aprender". Tretas. Com base na minha experiência e nas minhas pesquisas, é possível tornar-se um especialista de topo em virtualmente qualquer área no espaço de um ano.
4) Num mundo de especialistas dogmáticos, é o especialista que acaba por conseguir o estrelado. O CEO de uma empresa é um contabilista melhor do que o TOC? O Steve Jobs é um melhor programador do que o VP de Engenharia do iTunes? Não, mas tem um amplo leque de competências e consegue ver a interligação invisível. À medida que a tecnologia se torna banal na democratização da informação, serão os generalistas das grandes ideias gerais que serão capazes de prever, inovar e erguer-se ao poder de forma mais rápida. Há uma razão por detrás do termo militar "general".
3) O aborrecimento é um falhanço. Numa economia do mundo desenvolvido, onde temos as necessidades básicas garantidas mesmo para as classes baixas, a hierarquia das necessidades de Maslow leva-nos a precisar de mais para qualquer medição de "sucesso" comparado. A falta de estímulo intelectual e não da riqueza material superlativa é o que nos conduz à depressão e à falência emocional. Generalizar e experimentar evita esta situação, ao passo que a super-especialização só a vai garantir.
2) A diversidade de áreas de actuação intelectual aumenta a confiança em vez do medo do desconhecido. Também gera empatia pela mais ampla gama de condições humanas e pela valorização da mais ampla gama de realizações humanas. A alternativa é a xenofobia defensiva e a presunção exclusivamente comum daqueles cujas identidades são definidas pelo seu cargo ou habilidade única, que prosseguem por obrigação e não por gosto.
1) É mais divertido, no sentido existencial mais sério possível. O homem dos sete ofícios maximiza o número de experiências emocionantes de vida e aprende a gostar da perseguição da excelência, que nada tem a ver com lucros materiais, ao mesmo tempo que encontra as coisas nas quais está na posição única de dominar. O especialista que se aprisiona a si próprio numa unidimensionalidade auto-inflingida - em busca de uma perfeição impossível - irá passar décadas estagnado ou a fazer melhorias incrementais imperceptíveis enquanto o curioso generalista mede consistentemente as melhorias em saltos quânticos. Apenas este último se diverte com o processo de perseguir a excelência.
