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Ética e negócios

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Ética e negócios supostamente não são os melhores amigos, de acordo com a crença popular. Como este artigo demonstrará, não só são bons companheiros, como também garantem uma base sólida para uma longa e rentável sobrevivência. Da mesma forma, um negócio sem amarras éticas poderá ser rentável a curto prazo, mas no longo prazo, é como um edifício sem alicerces, facilmente derrubável por vento forte.

O investigador Max Weber classificou a ética nas empresas em duas categorias: uma com base na responsabilidade e outra com base na convicção, sendo a primeira de ordem externa e a segunda de motivação interna.

Segundo a ética baseada na responsabilidade, julgam-se moralmente as decisões de gestão de acordo com os resultados produzidos. Perante dilemas de natureza ética, os defensores da teoria ética da responsabilidade procuram a razão nas suas decisões. Por exemplo, se eu for gestor de uma grande empresa e agir de acordo com a lei, eu e a minha empresa também seremos beneficiados, porquanto não teremos de enfrentar problemas com a justiça ou com outros agentes económicos.

Segundo esta teoria, o gestor valida eticamente as suas decisões comparando os resultados pretendidos com os resultados alcançados. Assim, dizemos que determinada acção se reveste de validade ética se os resultados dessa acção são consistentes com os resultados pretendidos. Por exemplo, avaliamos uma decisão de aceitar presentes de um vendedor de outra empresa pelo efeito positivo ou negativo que essa decisão terá na empresa no seu conjunto. Se os resultados da decisão de aceitar presentes superarem os resultados de os recusar, então a melhor decisão, do ponto de vista ético, será a de aceitar.

Alguns políticos seguem esta doutrina quando decidem em função dos interesses do povo que os elegeu. O presidente Lula da Silva do Brasil, por exemplo, violou direitos legais, que protegiam patentes de vacinas contra a Sida, para que fosse possível comprar versões mais baratas da vacina, ou mesmo produzi-la. Do ponto de vista da teoria ética baseada na responsabilidade, a decisão foi certeira.

A ética com base em convicções baseia-se na bússola moral interna do gestor. As raízes desta doutrina são filosóficas e resultam de um quadro de valores que define o certo e o errado. As regras de comportamento estão pré-determinadas e servirão como orientação para todas as situações possíveis. Independentemente dos resultados, tudo está dentro do indivíduo.

Por exemplo, se um gestor verificar a ocorrência de uma distorção na contabilidade com vista a reduzir ou a aumentar o lucro da empresa, sabendo que é improvável que alguém a descubra, o que deverá fazer, segundo os princípios da ética da convicção, é denunciar a fraude.

As fontes dos princípios éticos podem encontrar-se em diversos meios e dependem, sobretudo, da educação básica e da história de vida de cada um. A vida familiar, os valores transmitidos pelos pais, as interpretações que resultam da convivência e da observação do comportamento de amigos, figuras públicas, colegas de trabalho e ídolos são as principais referências que norteiam o comportamento dos gestores. É por isso que é importante conhecer a sua história de vida para perceber como vão desempenhar o seu papel.

Por outro lado, a lei, a religião e os códigos de ética profissional reúnem um conjunto de regras que, de uma forma mais ou menos assertiva, orientam as escolhas e actuação de todos nós.

Ainda que nenhuma das duas teorias éticas explore totalmente a razão de ser do comportamento ético nas empresas, é com base nos seus princípios que nascem os chamados códigos de ética, considerados como uma boa prática de gestão de todo o tipo de organizações.

Os códigos de ética concretizam-se num documento escrito que define as regras de comportamento de uma determinada organização, ou seja, o que é ou não aceitável. Além disso, os códigos de ética clarificam os princípios orientadores da actuação de todos os empregados e, em alguns casos, também de entidades externas que com a organização se relacionam, como é o caso de fornecedores e clientes.

Como forma de clarificar o que se espera em termos de comportamento por parte de todos os que colaboram com a organização, encontramos frequentemente nos códigos de ética casos, reais ou não, de dilemas éticos e da respectiva forma como deveriam ser resolvidos. Estes "estudos de caso" são apresentados por um facilitador, normalmente um profissional da área financeira, analisados e discutidos em grupo. Os mais comuns são:

  • Atitude perante o consumidor: que informação deve ser transmitida ao consumidor para que este não veja as suas expectativas defraudadas?
  • Publicidade enganosa: o que se deve anunciar de forma a não enganar o consumidor?
  • Ofertas e subornos: como distinguir os primeiros dos segundos? o que se pode aceitar como oferta e o que se deve recusar imediatamente;
  • Concorrência desleal: como devemos agir no mercado sem colocar a livre concorrência em risco?
  • Atitude perante o relato de possíveis conflitos éticos: o que fazer quando se tem conhecimento de uma possível violação de princípios éticos? Deverá ser obrigatório ou opcional relatar esses conflitos?
  • Dúvidas éticas: como se devem esclarecer as eventuais dúvidas?

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