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Estratégia para PME

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Se leu os artigos anteriores sobre estratégia - que se debruçam sobre ferramentas como a análise SWOT e o Balanced Scorecard - é provável que ache que a concepção e desenvolvimento da estratégia é só para as grandes empresas. Grandes empresas multinacionais e organizações governamentais têm recursos (aparentemente) ilimitados para contratar grandes consultoras e professores conceituados para os aconselhar nessa tarefa.

Ferramentas como estas exigem conhecimentos especializados que um empresário de uma pequena empresa poderá não possuir, ou dar ao luxo de contratar quem possua. Nestes casos, é necessária uma abordagem mais simples para que a estratégia seja exequível, pertinente e realista. É essa abordagem simples que descrevemos neste artigo.

Comece por olhar para o que já tem

Gerir uma empresa envolve sempre aprender muitas coisas novas. Mesmo um pequeno negócio de uma pessoa só tem de aprender a organizar os seus recursos para que seja possível fornecer um produto ou serviço que satisfaça os seus clientes. O pequeno empresário tem de encontrar uma forma sistemática de fazer negócio, que funcione, dê lucro e seja repetível. Aprender o que funciona pode não ser assim tão simples, como muitos novos empresários descobrem rapidamente.

Então comece por definir a sua estratégia olhando para dentro: para os recursos que já possui. Que competências técnicas detém? Estão actualizadas? Como está a sua rede de contactos profissionais? Os seus clientes actuais estão satisfeitos com o produto ou o serviço que fornece? Classifique cada um destes recursos em termos de forças e fraquezas numa escala de 1 a 5 e valide os resultados com a sua equipa de trabalho.

Se desenvolver os recursos que já tem, está a criar as condições para se manter activo no seu sector de actividade. Suponha, por exemplo, que se dedica à prestação de serviços de consultoria de gestão. Antes de pensar na estratégia de desenvolvimento do seu negócio futuro, avalie o seu nível de conhecimentos técnicos no momento presente, lendo livros e participando em conferências; teste a sua rede de contactos profissionais, assegure-se de que as pessoas se recordam de si. Até que ponto se mantém competitivo? Se a resposta for positiva, então pode esperar manter-se activo durante uns tempos, apenas isso.

Dedique tempo a conhecer o mercado

Embora os recursos que já possui sejam suficientes para o manter vivo no mercado, por si só, não serão suficientes para assegurar a rentabilidade. O lucro dependerá dos preços de venda, volumes de vendas e dos seus custos. A estratégia irá afectar todas estas variáveis, como veremos.

Definir preços de venda: os preços de venda são, maior parte das vezes, determinados pelo preço de mercado dominante e, sendo assim, não dão muitas hipóteses de uma fixação diferente. No entanto, pode considerar a possibilidade de um "produto de maior valor acrescentado" e vendê-lo a um preço superior. Esta possibilidade pode ser explorada se já estiver familiarizado com o produto ou serviço que oferece e souber o que o torna valioso para o cliente.

Entrar em jogo e aprender a realidade do mercado é uma necessidade absoluta. Será que os clientes já têm muitas opções satisfatórias no mercado? O que deixa os seus clientes zangados? Muitas vezes os clientes estão receptivos à oferta de novas funcionalidades num bem ou serviço já existente. Depende de si e do seu conhecimento do mercado descobrir que atributos poderão valorizar mais a sua oferta. Conceba soluções novas que vão de encontro à insatisfação dos seus clientes.

Mesmo tendo desenvolvido uma oferta muito melhor do que a da concorrência, ainda tem que conseguir fazer passar uma mensagem de marketing eficaz que chegue a todos os seus potenciais clientes. Tem de ser capaz de os tornar conscientes da sua oferta, e também de fazê-los acreditar que é uma oferta melhor, que vença a resistência da mudança. Isto é o que chamamos de marketing, e à abordagem que adopta para atingir os seus objectivos de vendas, a sua estratégia de marketing.

A estratégia de marketing começa com a observação da forma como as empresas já existentes fazem o seu marketing. Como se apresentam aos clientes? Quais são os pontos que enfatizam para os convencer? Quais são os canais de distribuição? Como funciona a força de vendas?

O canal de distribuição é um elemento-chave da estratégia de marketing. É através do canal de distribuição que os clientes encontram facilmente (ou não) o seu produto ou serviço. Além disso, o canal de distribuição determina o custo dos seus produtos. Pondere alternativas aos canais de distribuição que já utiliza e considere a Internet como uma via para distribuir os seus produtos ou serviços.

Uma distribuição eficaz associada a mensagens de marketing certas impulsiona fortemente as vendas.

Estime os custos de produção

Mesmo as melhores estratégias de marketing podem não ser suficientes para permitir a rentabilidade se não for capaz de controlar os seus custos. Desde logo, podemos classificar os custos em duas categorias: custos que variam com o volume de produção e vendas, e custos que tendem a permanecerem fixos - independentemente desses volumes.

Aos primeiros chamamos de custos variáveis e neles temos por exemplo as mercadorias e matérias-primas, custos com mão-de-obra directa, custos de distribuição, custos comerciais (como descontos e bónus), entre outros.

Os segundos, os custos fixos, compõem-se de encargos gerais de fabrico, custos administrativos, custos financeiros, rendas, salários da equipa de gestão, entre outros tipos de custos de estrutura, que não estão directamente relacionados com a produção.

Os custos de produção são largamente influenciados pelas chamadas economias de escala. Quanto mais for capaz de aumentar a sua produção a partir de uma determinada estrutura produtiva, menores serão os seus custos por unidade produzida e vendida. Dito de outra forma: empresas com mais economias de escala tiram mais partido da sua estrutura produtiva, pois são capazes de aumentar a sua produção sem aumentar proporcionalmente os custos.

Por outro lado, novas tecnologias tornam possível melhorar a qualidade dos produtos a custos de produção inferiores, oferecendo uma vantagem competitiva a quem dominar as tecnologias certas.

Na sua definição estratégica, deverá ter presente a sua estrutura de custos fixos e variáveis. Mesmo uma microempresa pode tirar grande partido do conhecimento com rigor da relação entre os custos e os seus proveitos, da estrutura adequada ao seu nível de produção e do impacto das novas tecnologias nos custos. Saber, ainda que aproximadamente, a estrutura de custos dos principais concorrentes é uma arma competitiva poderosa.

Através de uma folha de cálculo, estime um plano de negócios de forma a recuperar os custos através das vendas. Se a sua estratégia consiste em obter elevados volumes de vendas, mesmo pequenas margens por unidade permitirão recuperar os custos fixos. Pelo contrário, se a sua estratégia passa por vender pequenos volumes (por exemplo, produtos de luxo) terá de obter margens elevadas. Trabalhando com atenção todas estas questões, encontrará certamente a estratégia adequada à sua empresa.

«O trabalho é a praga das classes bebedoras.»

Óscar Wilde, dramaturgo trabalhador


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