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Procurar o próximo salto

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Muitos de nós reconhecem os saltos dos mercados, mas, tal como acontece com as recessões, só os conseguimos identificar olhando para o passado. É difícil identificar aquela tecnologia ou capacidade nova que vai dar origem a um salto. Normalmente, referimo-nos a um novo produto ou serviço como tendo dado origem a um salto meses ou anos depois de acontecer. Mas isso não nos deve impedir de tentar decidir onde pode surgir um novo salto. De facto, devemos estar sempre a olhar para o horizonte à procura de novas tendências e provas de vanguardismo. Ou, quem sabe, solucionar alguns desafios.

Há pouco tempo estava a pensar nisso quando me ocorreu - há uma clara necessidade de dar um salto no que diz respeito aos aparelhos electrónicos pessoais. Pelas minhas contas, já tivemos 3 grandes saltos. Primeiro foi o declínio rápido do preço da memória. Lembram-se de quando Bill Gates disse que nunca ninguém ia precisar de mais de 640K de memória?

Tenho discos com gigabytes de memória. Depois foi o poder do processador. Lembram-se de quando a Intel anunciava qual ia ser o próximo Pentium ou Septium ou o que quer que seja? Eles faziam com que quiséssemos saber. Quem faz o processador dos iPod ou dos SmartPhone? Quem sabe? Quem quer saber? A maior parte de nós tem mais velocidade de processador do que precisa. Depois chegou a banda larga e o acesso sem fios. Temos acesso a transmissão rápida de informação, com ou, cada vez mais, sem fios, em quase qualquer lado. Por isso, os nossos aparelhos pessoais são rápidos, eficientes a processar e sempre em rede. De que mais precisamos?

Bem, algumas coisas. Como os primeiros métodos para introduzir informação eram dactilografados, a maior parte dos aparelhos depende da introdução manual de informação através de um teclado. Mesmo os smartphones dependem mais do teclado do que da voz. Mas este é um factor limitador. Muitos de nós não se dão bem com a escrita com os dedos e querem uma interacção mais robusta entre os smartphones e as máquinas portáteis. Ficamos limitados com o mecanismo de introdução. Qual seria o aspecto desses aparelhos se a principal forma de introduzir informação fosse a voz? Será que íamos conseguir eliminar por complete o teclado? Acho que este é um salto que está prestes a acontecer. Os aparelhos controlados pela voz que reagem quando se fala e percebem se quero criar um documento e ditar o conteúdo ou gravar a minha voz para armazenar ou para fazer uma chamada.

Além disso, outro desafio em termos de formato da maior parte dos aparelhos é o tamanho do ecrã. Ao contrário dos adolescentes, muitos de nós acham que o tamanho do ecrã e a quantidade de informação são verdadeiros desafios. O que é óbvio é que, à medida que aprendemos a confiar e a depender da computação móvel, precisamos de capacidades de apresentação mais robustas, seja com os hologramas 3D da Guerra das estrelas, seja com algo mais mundano, como um par de óculos que substituem o ecrã. Consigo imaginar um par de óculos com um microfone incorporado que permita que o utilizador mantenha a informação do aparelho actualizada.

E mais, outra coisa que está a acontecer é que toda a velocidade do processador e a memória estão a tornar-se irrelevantes. Não precisamos de enorme poder de processamento ou de memória se podemos perfeitamente aceder à informação sem fios e processar tudo remotamente. É preciso melhorar a interacção humana com a informação e permitir que as pessoas processem e usem a informação num contexto mais natural. Ainda estamos demasiado presos ao conceito de um terminal de computador pousado numa secretária quando as nossas necessidades e interacções têm cada vez menos a ver com o conceito original.

A próxima grande inovação ou salto nos aparelhos electrónicos inteligentes deve ter em conta factos de forma humana - que nos permita usar informação e processá-la de forma muito mais eficiente do que actualmente. Se estiver a tentar identificar um salto significativo que esteja prestes a acontecer, acho que não salto mais provável do que este.

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Jeffrey Phillips

Jeffrey Phillips

Jeffrey Phillips é consultor de gestão e inovação. É ainda autor de vários livros e do blogue Innovate on Purpose, que recomendamos.

Website: innovateonpurpose.blogspot.com/
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