Antes de apresentarmos algumas soluções de financiamento alternativas à banca, convém recordar que o Governo, através do Ministério da Economia e Inovação, tem criado linhas de crédito bancário destinadas às Pequenas e Médias Empresas (PME). O programa PME Investe tem a vantagem de proporcionar o acesso a financiamento bancário a taxas de juro bonificadas, indexado à taxa Euribor a 3 meses menos 0,5%. Informe-se sobre as condições de acesso e procure as entidades bancárias protocoladas para mais informação.
O capital de risco é uma alternativa ao financiamento bancário tradicional
Uma forma de obter financiamento sem passar pela banca é o recurso aos chamados investidores privados (angels) ou ao capital de risco. Apropriado para fases de lançamento ou de expansão de novos projectos, o capital de risco consiste na entrada no capital da empresa por um período que pode variar entre os três e os cinco anos. Para conseguir aceder ao capital de risco tem de ter uma boa ideia, um bom plano de negócios e tem necessariamente de saber vender a sua empresa aos investidores.
Não existe ainda uma grande mentalidade de capital de risco por parte dos nossos empresários, que valorizam sobretudo a independência na gestão, mas as oportunidades estão aí, à espera de serem agarradas... No Jornal de Negócios de 2 de Fevereiro, Afonso Oliveira Barros, presidente da Associação Portuguesa de Capital de Risco e Desenvolvimento (APCRI) afirmava: "As capitais de risco têm cerca de 500 milhões de euros disponíveis para investirem. E continuam a levantar fundos, principalmente no mercado internacional. Espera-se para 2009 grandes oportunidades de investimentos." Portanto, mais do que nunca, o acesso ao financiamento vem exigir às PME uma gestão financeira profissional, transparência nas suas demonstrações financeiras, capacidade de planeamento e de controlo de gestão. O capital de risco pode ser uma boa alternativa ao financiamento bancário tradicional mas não deve ser deixado para última opção, quando tudo já foi tentado; deve, pelo contrário, ser visto como uma estratégia de financiamento a médio e longo prazo, tendo em vista a rentabilidade dos capitais próprios.
As contas a receber e o factoring
O saldo da sua conta de clientes (contas a receber) também pode ser uma fonte de financiamento que provavelmente ainda não considerou. Pode usar este saldo como garantia de financiamento, ou então pode mesmo recorrer ao factoring junto de uma instituição financeira. O factoring é um instrumento de financiamento que lhe permite receber já o montante que os seus clientes lhe devem. Para contratar o factoring, deve fornecer uma lista dos seus clientes ao factor (empresa de factoring), cujos créditos pretende ceder. Após análise do risco da lista de clientes que fornecer, o factor vai negociar consigo o limite de crédito a conceder e as condições de remuneração que pretende. Para além de permitir uma gestão do fundo de maneio mais eficaz, o factoring reduz muito os custos administrativos associados com a cobrança de créditos mais difíceis - tão característicos do tecido empresarial português.
O Crowd Funding
Talvez ainda não se tenha lembrado de converter os seus clientes em financiadores da sua empresa? Algumas empresas já o estão a fazer, no entanto. Num novo modelo de negócio, denominado de Crowd Funding, os clientes investem no desenvolvimento de novos produtos, com a expectativa de receber uma fatia dos lucros...
Este novo conceito (inspira-se no Crowd Sourcing, que procura utilizar a inteligência colectiva de multidões para descobrir tendências, novas necessidades ou resolver problemas), procura angariar fundos de um grande número de pessoas que estão dispostas a contribuir para a realização de uma determinada causa ou projecto. Com o desenvolvimento das redes sociais na Internet, tornou-se mais fácil divulgar o lançamento de novos produtos, como um novo disco ou uma peça de um designer em ascensão, por exemplo, junto de potenciais clientes. Os clientes, por sua vez, também estão dispostos a financiar o seu lançamento e assumir a sua quota-parte de riscos (normalmente são baixos, pois o investimento de cada cliente pode começar com €1 apenas). Uma vez lançado o produto no mercado, os clientes/investidores ainda o ajudam a divulgar!
Vejamos o caso da Sellaband, uma editora de música, fundada por Pim Betist de 30 anos de idade em 2006. Esta nova empresa ajuda a lançar novos talentos musicais a gravarem os seus álbuns e a vendê-los no mercado, de uma forma profissional e financiada pelos próprios fans! Os artistas colocam as suas músicas no website e os utilizadores decidem, em função dos seus gostos, investir montantes a partir de $10. Uma vez atingido o montante mínimo de $50.000, a empresa usa o dinheiro angariado para lançar o álbum no mercado. Cerca de 3 milhões de dólares já foram investidos em novos artistas na Sellaband e muitos novos talentos foram descobertos.
Em nossa opinião, este novo modelo de financiamento pode ser utilizado principalmente pelas indústrias criativas, desde a moda, o design, a música, o teatro, etc., desde que se consiga criar uma ligação emocional forte com os clientes. Não funcionará muito bem noutro tipo de projectos, onde essa ligação não exista, mas é a prova de que até na área financeira é possível encontrar soluções criativas para problemas reais...
