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O futuro das empresas pertence às mulheres

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"A mulher não foi feita a partir da cabeça do homem para o governar, nem a partir dos seus pés para ser pisada por ele, mas do seu lado para ser igual a ele"
Hannah Adams

Em tempos idos, o Código Comercial previa nos seus artigos 9º e 16º, as "capacidades da mulher" e os "poderes da mulher casada comerciante", respectivamente. Segundo o código da altura, a mulher casada podia ver a sua correspondência devassada pelo marido. Este poderia igualmente rescindir o contrato de trabalho por ela celebrado, bastando para tal invocar «razões ponderosas». Acresce ainda que a mulher não podia contrair dívidas sem autorização do marido e estava impedida de, sem consentimento do marido, exercer a actividade de comerciante. Sob a epígrafe do «poder marital», preceituava «O marido é o chefe de família, competindo-lhe, nesta qualidade, representá-la, e decidir em todos os actos da vida conjugal». Estas disposições legais não só foram revogadas como se tornaram ridículas.

Os tempos mudam, e o tecido empreendedor mudou também. O empreendedorismo no feminino, raro antigamente, é hoje mais e melhor do que nunca. Acreditamos que o futuro das empresas pertence às mulheres.

Nos Estados Unidos, por exemplo, estatísticas de 2008 indicam que mais de metade das empresas são detidas e geridas por mulheres. O Center for Women's Business Research estima que as empresas detidas por mulheres empregam mais de treze milhões de pessoas e facturam mais de dois triliões de dólares anualmente. Estes números são impressionantes e continuam a crescer. O que vemos nos Estados Unidos hoje são seminários de gestão dirigidos a mulheres empresárias a despontar um pouco por toda a parte e sempre cheios. As principais livrarias estão a vender livros de gestão escritos por empresárias de sucesso e a tendência está a aumentar.

Também em Portugal se começam a dar os primeiros passos no empreendedorismo no feminino, fazendo o nosso país parte da Rede WES - The European Network to Promote Women's Entrepreneurship (uma rede Europeia, de iniciativa Sueca, que promove o empreendedorismo feminino).

A pensar na importância cada vez maior que as mulheres têm na sociedade moderna, neste quadro comunitário - QREN - foi criada uma Tipologia de Intervenção de "Apoio ao empreendedorismo, associativismo e criação de redes empresariais de actividades económicas geridas por mulheres", que visa promover estratégias de apoio ao empreendedorismo das mulheres e incentivar o associativismo e a criação de redes, favorecendo o auto emprego, a capacidade empresarial e a qualidade da sua participação na vida activa.

Num livro fascinante denominado "Microtendências", o analista e estratego Mark J. Penn (que foi descrito pelo Washington Post como "o mais poderoso homem em Washington de quem ninguém ouviu falar"), deixa-nos alguns dados que merecem a nossa atenção e que passo a transcrever:

  • As mulheres estão à beira de dominar as profissões baseadas nas palavras, como jornalismo, Direito, marketing e comunicações,
  • Nas relações públicas - a arte de ajudar as pessoas a exprimirem-se da forma mais correcta -, as mulheres perfazem 70 % do ramo, um aumento face aos 30 % dos anos 70.
  • Desde 1970, o número de mulheres advogadas na América cresceu 2900%.
  • Cada vez mais mulheres estão a escolher trabalhos que exigem bastante força física; vão desde atletas a primeiros - socorros, trabalhadores da construção e até soldados.

Mas o que faz das mulheres um caso de sucesso? Por natureza, as mulheres são mais organizadas e calculistas do que os homens; têm mais inteligência emocional e social. As mulheres têm mais habilidade para analisar os problemas antes de tomarem decisões, ao contrário dos homens, que tendem a ser mais impulsivos. As mulheres não são tão condicionadas pelo ego e têm um lado mais atento ao detalhe do que os homens que as leva a conduzir as suas empresas de forma mais pessoal e, por consequência, mais séria. Por outro lado, têm mais facilidade em unir pontos de vista diferentes em torno de objectivos comuns.

À medida que as mulheres continuam a ganhar mais poder e influência como empreendedoras e gestoras, começa a criar-se um sentimento de maior equidade no meio empresarial. As mulheres são mais respeitadas hoje, e o respeito é algo pelo qual têm lutado há muito tempo.

«As pessoas estão muito mais interessados no indivíduo que se senta a seu lado do que nas outras lá fora. É preciso levá-las para fora das paredes da empresa: garantir que pertencem ao tempo em que vivem. A maior parte dos fracassos que vemos no mundo empresarial verifica-se basicamente em empresas isoladas. Não percebem o que se passa à sua volta.»

Larry  Bossidy,  executivo americano


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