Nas empresas francesas, manter os respectivos directores como reféns como forma de protesto contra despedimentos já começa a ser tradição: este mês a Sony viu o seu Chief Executive Officer (CEO) e respectivo director de recursos humanos aprisionados durante uma noite até cederem melhores indemnizações.
As tensões sociais causadas pelo desemprego estão no auge em França e um pouco por todo o mundo e não sei se a moda de barricar gestores à força vai chegar cá, mas que não vai resolver o problema de fundo, disso tenho a certeza...
Cada vez mais a importância das pessoas nas organizações, nas empresas em particular, é inquestionável. O chavão "as pessoas são o nosso principal activo" está gasto de tanto uso e tornou-se até um pouco ridículo, mas a pressão que esta crise mundial tem causado a nível do desemprego - que é apenas a face visível do problema (não nos esqueçamos que aqueles que ainda mantêm o seu emprego actualmente, estão sujeitos a condições de trabalho cada vez mais precárias )- vai definitivamente influenciar o papel do capital humano por duas ordens de razões:
Em primeiro lugar, porque a crise está a atingir o emprego menos qualificado de forma irreversível. Aqueles que perdem o emprego agora para os países emergentes como a China, Índia e países de Leste, jamais o vão recuperar. Foi-se para sempre, a não ser que essas pessoas tenham a capacidade para se requalificarem e avançar para novos projectos.
Em segundo, porque quem ficar nas empresas vai ter mais poder. Por estranha que esta ideia pareça, ela faz sentido. A competitividade nas empresas será, cada vez mais, baseada em conhecimento, especialização e criatividade. Além disso, o trabalho a partir de casa (o teletrabalho) tem facilitado a vida a milhões de freelancers de todo o mundo, reduzindo assim a dependência de um empregador só e desequilibrando o mercado de trabalho.
As oportunidades estão aí, se não para relançar uma nova carreira, pelo de aprendizagem. Como terá dito Maquiavel: " nunca devemos desperdiçar uma crise grave".

