Jack Welch foi um dos melhores gestores de todos os tempos. À frente da General Electric como Chief Executive Officer (CEO) durante 20 anos, foi responsável por aumentar a capitalização bolsista da empresa de 14 biliões, quando assumiu o seu comando em 1960, para 410 biliões de dólares, quando se reformou em 2004! Não se conhece quem se possa gabar de tal performance (nem Bill Gates) ...
É por isso que uma afirmação destas é tão perturbadora. Por um lado, porque se não tivesse uma convicção forte, por que haveria Jack Welch vir a público matar o conceito que ele próprio criou; porque haveria ele de denunciar as "obsessões financeiras" que caracterizaram o mundo capitalista durante tantos anos? Por outro, porque o contexto de crise que atravessamos parece oportuno para uma mudança de paradigma. Há mais receptividade a novas ideias agora do que nunca, algo está de facto a mudar ...
Tentando aprofundar um pouco melhor a mensagem, Jack Welch explica no seu website, que o shareholder value é um resultado e não uma estratégia em si. Os empregados, os clientes e os produtos são o valor das empresas e estão no coração da estratégia. Ninguém define a estratégia de uma empresa com base no shareholder value, porque não é o shareholder value que nos diz o que fazer no nosso dia-a-dia. Uma empresa pode dizer aos seus colaboradores que vai ser líder em inovação e oferecer os melhores produtos ou serviços no mercado, ou que quer ser líder em custos, ou globalizada, enfim, mas tem que ser capaz de motivar e transmitir energia às suas pessoas. São as pessoas que fazem as coisas acontecer, não os números.
O debate sobre o futuro do capitalismo, o tema central da entrevista do Financial Times, está na mente de toda a gente e deve ser debatido. Como vai mudar a gestão das empresas? Vamos ver mais enfoque nos soft skills, motivação, talento, criatividade, inovação, responsabilidade social, ética? Talvez. Mas por enquanto o que as empresas estão a fazer para ultrapassar a crise é precisamente o oposto e pode comprometer o desempenho a longo-prazo: redução cega de custos que destrói a qualidade dos produtos e serviços, os despedimentos em massa que arrasam a maior parte do capital humano e que vão deixar as empresas à mercê do mercado de trabalho na retoma e, claro, manipulação de resultados.
Gostaria das vossas ideias e comentários sobre este tema: o que podem fazer as empresas para ultrapassar a crise? E como vai ser a gestão de empresas do futuro?

