Provavelmente o maior obstáculo à inovação na maioria das empresas é o que gosto de chamar de fracasso de expectativas. Raramente estive em empresas que não tivessem alguma ideia (e se assim for, esqueça e feche a loja). Raramente estive em empresas onde as pessoas pensassem que não eram criativas, e a maioria das empresas foram "inovadoras" nalgum ponto da sua história.
Isto significa que cada empresa tem a oportunidade de inovar e alguma experiência em fazê-lo com sucesso. O que aparece inevitavelmente é o medo de falhar - não apenas a inovar, mas em qualquer nova experiência ou mudança. Este medo de falhar não está relegado somente à inovação, mas a qualquer mudança significativa. As duas maneiras mais fáceis de matar uma ideia são
- "A última vez que fizemos isso aconteceu (preencha o espaço em branco)" ou
- "Nós nunca fizemos isso antes".
Estas duas afirmações, que irá ouvir em qualquer empresa que tente inovar, indicam que a segurança, o conforto e o status quo se tornaram-mais importantes do que descobrir necessidades e mudar quando as exigências do mercado assim o exigem.
O que sustém a inovação ao longo do tempo é a capacidade de falhar ocasionalmente, o que é uma certeza absoluta, sem a perda de entusiasmo pelo conceito de inovação. Eu digo que o fracasso é uma certeza absoluta porque com a inovação estamos a apostar na nossa capacidade de prever o futuro e preencher necessidades novas ou emergentes. Por vezes vamos estar correctos e vamos ganhar muito. Por vezes vamos criar produtos e serviços que pareciam ir de encontro a necessidades do consumidor mas perdemos a janela de oportunidade, ou não resolvemos o problema.
Quando estas perdas ocorrem, a sua empresa tem três escolhas: "esconder debaixo do tapete" e fingir que não aconteceu, punir todos os envolvidos e prometer que nunca mais vai deixar que aconteça, ou aprende com o erros e aplica o conhecimento no momento mais próximo. Na maioria das empresas com quem trabalhei, o sentimento predominante era ou "esconder debaixo do tapete" ou punir todos os envolvidos. Estas duas respostas traduzem uma falta de entusiasmo, se assim o posso dizer, "bem, tentamos isto mas não funcionou. Não o iremos fazer outra vez".
Edison não desistiu quando os primeiros 100 filamentos não funcionaram. Jobs não desistiu quando o Newton falhou no mercado. Abraham Lincoln não desistiu depois de ter sido rejeitado pelos votos da população nas primeiras 3 vezes. Em cada um destes casos os indivíduos passaram de falhanço em falhanço utilizando as aprendizagens para criar sucesso. A sua organização tem de fazer o mesmo para construir uma cultura sustentável de inovação.
