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Inovação – uma era ou uma tendência?

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Recentemente, tomei parte numa discussão algo desconcertante com alguns líderes e executivos seniores, que discutiam inovação. Foi interessante ouvir alguns deles dizerem que acham que a "inovação" é uma tendência temporária, que chegará ao fim em breve. Acreditam que a inovação apenas é um elixir tipo penso rápido, cozinhado por consultores de gestão, para encontrar novas coisas para vender aos executivos seniores. Alguns dos presentes na discussão acreditavam que a inovação é mais sistémica, que irá ter uma longa vida e que irá acrescentar valor durante muitos anos. Penso que não concordo com nenhuma das duas escolas de pensamento.

Sugerem os cínicos que a inovação é simplesmente uma palavra de atracção para criar novos produtos e serviços, algo que muitas empresas já estão a fazer. Nesse sentido, vêem a inovação com a sensação do momento, destinada a distrair toda a gente dos problemas reais e a colocar um laço bonito num presente que já existe. A estes cínicos digo - não podiam estar mais errados. Num mercado que está em movimento, em que a mudança é mais rápida do que alguma vez experimentada, num ambiente no qual os clientes pedem cada vez mais e melhores produtos e serviços e num ambiente de produção onde as ideias novas podem ser copiadas com facilidade, os verdadeiros vencedores são aqueles que criam novos conceitos numa base consistente. As velhas e estáticas vidas de produtos e dias de competitividade baixa já acabaram. A inovação não é "uma coisa boa de se ter" ou "a sensação do momento"; está rapidamente a tornar-se o conjunto de competências mais importantes que a sua empresa poderá adquirir.

Para os que acreditam que a inovação acrescenta valor e que pode ser mais sistemática, digo-lhes que estão certos, mas só em certa medida. Vêem a inovação como uma ferramenta que pode ser usada, até surgir a próxima ferramenta. Isto segue a teoria das "ondas". Havia a "onda" de melhoria da qualidade, seguida pela "onda" de redução de funcionários e de outsourcing. Agora, essas pessoas acreditam que é o momento da "onda" da inovação, que irá percorrer o seu caminho e introduzir uma nova onda de algo nunca visto. O problema de ver a inovação como uma onda com um horizonte temporal específico é que os novos produtos e serviços irão continuar a ser importantes muito depois da moldura temporal da "onda" estar completa. Se o seu investimento for simplesmente adoptar a inovação como a próxima ferramenta disponível e descartá-la assim que a onda passar, a sua equipa não empregará os recursos necessários para inovar de forma eficaz. Será uma linha paralela ao "trabalho a sério" da organização, que espera ansiosamente pela nova onda ou tendência.

Agora, não concordo com a discussão neste ponto. Vivemos, fundamentalmente, uma mudança de paradigma. O ritmo de mudança e o aumento na competição mundial significa que a forma como trabalhamos tem de mudar. A inovação não é um espectáculo interessante, nem uma tendência, a menos que a sua equipa de gestão assim o permita. A inovação não é uma onda nem uma tendência durante os próximos X anos, que será substituída por outra coisa qualquer. A inovação é O diferenciador entre as empresas que são bem sucedidas e ricas hoje em dia e aquelas que serão sucedidas e ricas na próxima década, porque a inovação não é uma tendência e não é uma onda e vai tornar-se um estilo de vida permanente, uma capacidade sustentada para as empresas que compreendem a mudança que está a decorrer e que adoptam a inovação como um imperativo cultural.

Se acha que isso não interessa, então considere a cultura e o ambiente da organização onde gostaria preferencialmente trabalhar. Quer trabalhar numa empresa que coloca ênfase no futuro e que fica a par das tendências e novas ideias, ou deseja trabalhar numa empresa onde a actividade constante é reagir ao que as outras empresas fazem no mercado? As empresas mais inovadoras vão atrair as melhores pessoas e acelerar as suas capacidades, tornando-se uma profecia auto-realizável. As empresas com menos habilidade na inovação irão atrofiar porque não podem competir com as novas ideias e não podem gerar novos produtos e serviços com rapidez suficiente para reter clientes.

O que será preciso para que acordemos e percebamos que a inovação é a competência mais importante que podemos alcançar dentro da maioria das organizações? Reconheço que este tipo de mudança ameaça o status quo mas se ignorarmos as mudanças que estão a acontecer no mercado e na economia, arriscamos um futuro com muito menos empregos e muito menos oportunidades.

«Acho que tenho uma interpretação muito livre de trabalho, porque penso que estar vivo já dá tanto trabalho que não queremos fazer mais nada.»

Andy Warhol, artista pop


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Jeffrey Phillips

Jeffrey Phillips

Jeffrey Phillips é consultor de gestão e inovação. É ainda autor de vários livros e do blogue Innovate on Purpose, que recomendamos.

Website: innovateonpurpose.blogspot.com/
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