As histórias são a melhor maneira de aprender, e a melhor maneira de se comunicar. Por algum motivo, perdemos o sentido das histórias no mundo dos negócios. Em vez de contarmos histórias optamos pelo relato rápido e dura dos "factos" que muitas vezes perdem o significado das suas causas ou questões. Não existe uma disciplina de narração de histórias nos cursos de MBA, mas a maioria dos melhores líderes entendem bem a importância das histórias, e lideram outros contando e recontando histórias. Algumas dessas histórias são mitos, cujo objectivo é reforçar a cultura da empresa. Outras, porém, são verdadeiras e servem para ensinar e instruir.
Acabei mesmo de ler o novo livro de Michael Margolis, Believe Me: Why Your Vision, Brand, and Leadership Need a Bigger Story, a que ele chama de um desígnio sobre a arte de contar histórias "para os fabricantes da mudança e inovadores". É um livro pequeno e fino com muitas boas ideias sobre o poder das histórias e como recuperá-las.
O que me impressiona mais sobre as histórias no que diz respeito à inovação é a pouca ênfase que damos a uma história ou narrativa. Muitas vezes, um projecto de inovação é criado sem qualquer ligação ao trabalho passado ou aos problemas já existentes. O projecto parece existir fora do contexto da empresa e não tem uma ligação forte ou narrativa para o conduzir. Margolis identifica 15 axiomas sobre a arte de contar histórias e demonstra que contar histórias é uma actividade especialmente importante para os mais inovadores. Gostaria de destacar alguns desses axiomas:
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Se quiser saber mais sobre uma determinada cultura, ouça as suas histórias. Se quiser mudar uma determinada cultura, mude as suas histórias. Descobri que a cultura é sempre um obstáculo à inovação, pelo que ser capaz de mudar uma cultura é importante quando se quer inovar. Conhecer as histórias e mudar as histórias tornará a inovação mais aceitável.
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O poder de uma história cresce exponencialmente à medida que mais pessoas aceitam a sua história como verdade. Este axioma jogou a nosso favor num projecto de inovação, quando introduzimos a pesquisa qualitativa numa empresa, que não tinha usado etnografia com sucesso no passado. A nossa história sobre os nossos resultados e o valor dos nossos resultados difundiram-se de boca em boca e fomos capazes de criar uma perspectiva completamente nova sobre o uso da etnografia.
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Contar histórias é como ler a sina. O facto de escolhermos uma determinada história influencia a probabilidade dos acontecimentos futuros. Se escolhermos uma narrativa da história da nossa empresa, transmitindo a ideia de que somos uma empresa simples, segura e de marcha lenta, então isso transmite a nossa cultura e define quem somos e o que somos. Se escolhermos uma história que define a nossa organização como uma tomadora de riscos, inovadora perspicaz, é nisso que nos poderemos tornar. A sua história conduz os seus resultados.
Como um inovador, gostaria de começar com a história, que irá levar a cultura a adaptar-se a uma nova visão de si mesma, e a ancorar o trabalho numa narrativa que se possa espalhar de boca em boca. Haverá sempre a necessidade de uma rede de comunicação formal, mas histórias poderosas, repetidas por toda a organização, podem fazer muito mais pela motivação das pessoas.
Veja o novo livro de Michael Margolis e pense sobre o que a sua história diz sobre a sua organização, e como pode usá-la a seu favor.
