Referimo-nos, claro, a questões como as deduções à colecta, os benefícios fiscais e tudo aquilo que de forma legítima permita uma economia dos impostos a pagar. Notem que não defendemos o planeamento fiscal agressivo ou a fraude fiscal, nem pretendemos tão-pouco ser exaustivos na nossa interpretação da lei, que é forçosamente genérica e não dispensa a consulta de apoio especializado.
Pretendemos apenas relembrar que o ano está a chegar ao fim e como tal é tempo de analisar e planear os impostos sobre o rendimento, que terão de ser pagos ou reembolsados brevemente.
Desde logo, o imposto é devido por cada exercício económico, que coincide com o ano civil, sem prejuízo de algumas excepções legalmente previstas. Ver a este respeito o art.º 143º do CIRS e o art.º 8º do CIRC. Por isso, no dia 31 de Dezembro de cada ano, as pessoas singulares tal como as empresas fazem um encerramento de contas e tiram a fotografia de todos os rendimentos e custos fiscais para que se calcule o imposto a pagar ou a reembolsar.
Esquematicamente temos para cada um dos impostos:
IRS |
|
|
IRC |
|
| Rendimento bruto de cada categoria | Resultado líquido do exercício | |||
| - | Deduções específicas | -/+ | Variações patrimoniais | |
| = | Rendimento líquido de cada categoria | -/+ | Ajustamentos fiscais | |
| - | Deduções de perdas | = | Lucro tributável ou prejuízo fiscal | |
| = | Rendimento global líquido | - | Prejuízos fiscais de anos anteriores | |
| - | Abatimentos | = | Matéria colectável | |
| = | Rendimento colectável | * | Taxa do IRC | |
| / | Quociente conjugal | = | Colecta | |
| * | Taxa | - | Crédito de imposto por dupla tributação internacional | |
| - | Parcela a abater | - | Benefícios fiscais por dedução à colecta | |
| * | Quociente conjugal | - | Pagamento especial por conta | |
| = | Colecta | = | IRC liquidado | |
| - | Deduções à colecta | - | Retenções na fonte | |
| = | Imposto apurado | - | Pagamentos por conta | |
| - | Retenções na fonte e pagamentos por conta | = | IRC a pgar ou a recuperar | |
| = | Imposto a pagar ou a reembolsar | + | Derrama | |
| + | Tributações autónomas | |||
| = | Total de imposto a pagar ou a recuperar |
Portanto, nesta altura do ano, dado que a quase totalidade dos proveitos e rendimentos já é conhecida, só nos resta decidir que possíveis custos ou investimentos beneficiam de deduções à colecta, abatimentos ou de benefícios fiscais e que ainda assim são justificáveis do ponto de vista económico.
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No caso do IRS, a lista é a seguinte:
Abatimentos |
Valor |
Art.º |
As importâncias comprovadamente suportadas e não reembolsadas respeitantes aos encargos com pensões de alimentos a que o sujeito passivo esteja obrigado por sentença judicial ou por acordo homologado nos termos da lei civil,
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Sem limite | Art.º 56º |
Deduções à colecta pessoalizantes
|
Valor |
Art.º |
| Contribuinte não casado
|
234,30€ | Art.º 79º |
| Contribuinte casado | 234,30€ por cônjuge | |
| Famílias monoparentais |
340,80€ |
|
| Por cada dependente não sujeito passivo de IRS |
170,40€ |
|
| Por cada ascendente que viva efectivamente em comunhão de habitação com o sujeito passivo e não aufira rendimento superior à pensão mínima do regime geral | 234,30€ |
|
| Por cada dependente que não ultrapasse 3 anos de idade até 31 de Dezembro do ano a que respeita o imposto |
340,80€ |
|
| No caso de existir apenas um ascendente que viva efectivamente em comunhão de habitação com o sujeito passivo e não aufira rendimento superior à pensão mínima do regime geral | 362,10€ |
|
Deduções à colecta subjectivizantes |
Valor |
Art.º |
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30% sem limite |
Art.º 82º |
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30% com limite de 681,60 € |
Art.º 83º |
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30% com limite de 681,60€ + 127,80€ por dependente |
|
|
25% com limite de 362,10€ |
Art.º 84º |
|
30% com limite de 586€ |
Art.º 85º |
|
30% com limite de 777€ |
Art.º 85º |
|
25% com limite de 62€ por sujeito passivo não casado e 124€ por sujeito passivo casado | Art.º 86º |
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30% com limite de 82€ por sujeito passivo não casado e 164€ por sujeito passivo casado | Art.º 86º |
Benefícios Fiscais |
Valor |
Art.º |
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20% com os seguintes lmites:
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Art.º 21º EBF |
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20% com limite de 350€ por sujeito passivo |
Art.º 17º EBF |
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50% com limite de 250€ | Art.º 68º EBF |
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25% sem limite no caso de serem concedidos ao Estado, até 15% da colecta nos restantes casos | Art.º 63º EBF |
