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Gerir o seu crédito pessoal e empresarial

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O crédito pessoal e o crédito de uma pequena empresa são sempre difíceis de equilibrar. É difícil de obter bom crédito actualmente e é cada vez mais complicado gerir as finanças pessoais ao mesmo tempo que as finanças empresariais. Aqui ficam algumas dicas para tratar ambas de forma eficaz.

Como é sabido por muitos pequenos empresários, a fronteira entre o crédito pessoal e o empresarial nem sempre é muito clara. No caso das sociedades, é obrigatória por lei a utilização de pelo menos uma conta bancária especificamente para utilização exclusiva da empresa, uma vez que existe uma separação formal do património pessoal do da sociedade. Violar esta separação pode ser algo grave e trazer consequências pouco agradáveis.

No entanto, nas micro e pequenas empresas, os problemas começam no momento da obtenção do crédito. Parece ser prática corrente os bancos pedirem aos empresários que prestem garantias reais para a obtenção de crédito da empresa. Seja pela assinatura de uma livrança em branco ou pela prestação de garantias sobre determinados valores mobiliários, muitos pequenos empresários expõem-se a riscos elevados e por vezes desnecessários. Esta é uma situação totalmente desaconselhável.

Compreende-se que actualmente as empresas sintam grandes dificuldades de tesouraria e que os empreendedores, por natureza optimistas, acreditem mais nos seus negócios do que os bancos. De facto, de acordo com uma pesquisa chamada "Panel Study of Entrepreneurial Dynamics.", as diferenças nas atitudes referentes à tomada de riscos por parte dose empreendedores e de assalariados eram insignificantes, com uma grande excepção: os empreendedores eram muito piores no que se refere a encontrar razões para uma eventual falha dos seus negócios. Quer seja pensamento positivo, quer seja auto-ilusão, será benéfico ter um pouco de ambos no que respeita à criação do seu próprio negócio. Contudo, a dificuldade de obtenção e gestão de crédito é uma dura realidade que pode rapidamente tornar-se num pesadelo se não for gerida da melhor forma.

Pensemos no seguinte exemplo real: um jovem empreendedor comercializa acessórios industriais na cidade do Porto. Embora a sua actividade, em situação normal, não exija grandes necessidades de financiamento bancário, porque a empresa tem registado prejuízos (tem margens pequenas e uma estrutura grande de mais) e porque os seus clientes se têm atrasado nos pagamentos, este jovem decide pedir um crédito bancário através da abertura de uma conta corrente caucionada.

O banco exige-lhe como garantia um depósito a prazo (no qual tinha aplicado as suas poupanças pessoais).

Seis meses mais tarde, as margens do negócio continuam baixas, a estrutura pesada e os clientes a pagar tarde, sem que este jovem tenha tomado as necessárias medidas para inverter a situação. A tesouraria da empresa começa a entrar em ruptura.

Adivinha-se o que se segue: ou este jovem tem mais poupanças que lhe permitam continuar a endividar-se junto da banca, ou a empresa afunda-se. As medidas difíceis deveriam ter sido tomadas pelo menos seis meses antes. Hoje, este empreendedor perdeu as suas poupanças pessoais e a sua empresa está perto da falência.

Portanto, o que começou por ser um problema de crédito da empresa, rapidamente se transformou também num sério problema de crédito pessoal.

Qualquer acontecimento inesperado, como o cancelamento de uma encomenda enorme ou um pagamento atrasado, pode ter um efeito em turbilhão, perturbando quer as relações de crédito pessoais, quer as relações de crédito empresariais. Caso seja empresário em nome individual ou dono de uma empresa com poucos empregados, os seus limites de crédito pessoais e empresariais estão fortemente relacionados aos olhos dos bancos ou de outras entidades que cedem crédito. Por conseguinte, é importante tomar medidas preventivas para proteger ambos – mesmo que não esteja a planear recorrer a um empréstimo num futuro próximo.

Aqui ficam algumas dicas para gerir o seu crédito pessoal e empresarial de forma eficaz:

  • Não negligencie as suas finanças pessoais, faça o seu orçamento familiar e controle-o. Não pague as suas despesas da empresa ignorando os pagamentos da prestação da sua casa ou do seu cartão de crédito pessoal;
  • Se usa cartões de crédito, não exagere na quantidade. Não é muito relevante coleccionar várias espécies de cartões, além de que lhe fica mais caro;
  • Evite prolongar os prazos de pagamento dos saldos do seu cartão de crédito. Os juros cobrados por prazos longos são muito elevados (chegam aos 30%). Quando chega a data de pagamento, pague a quantia na sua totalidade para evitar encargos financeiros desnecessários;
  • Venda bens, se assim o necessitar, de forma a realizar os pagamentos referentes aos empréstimos. Não tenha medo de vender os bens a um preço mais baixo se isso resolver a sua dívida. Ainda que seja uma situação incómoda, o facto de os activos da empresa serem sempre mais valiosos quando não necessita de os vender, é a sua melhor opção;
  • Monitorize o seu crédito pessoal e empresarial, de forma a assegurar que ninguém está a utilizar o seu crédito de forma fraudulenta. Abra os seus extractos de crédito assim que estes cheguem pelo correio e reveja-os ou monitorize as suas contas online;
  • Nunca obtenha um empréstimo empresarial com uma garantia real pessoal;
  • Não hipoteque a sua casa para financiar os seus negócios. Não existe nada que seja 100% seguro, principalmente o seu novo negócio. Não corra o risco de perder a sua empresa e a sua casa.
«O consumidor é a nossa peça mais importante da nossa linha de montagem.»

W. Edwards Deming, guru da qualidade, criador dos Catorze Pontos


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