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Como fazer os clientes pagar a tempo

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Comecemos com uma triste história. Há muito tempo atrás, quando eu era um jovem advogado ainda a tentar desenvolver a minha carreira, um novo potencial cliente entrou no meu escritório. Ele precisava de apoio jurídico para avançar com o seu processo de falência e perguntou-me se eu concordava em aceitar o pagamento de metade dos meus honorários a pronto e o restante 30 dias depois. Uma vez que, conforme já referi, eu era novo no sector e tinha uma família para sustentar, concordei com a sua proposta. Clientes novos eram bons.

Diligentemente preparei a documentação do cliente e iniciei o respectivo processo de falência. Para minha surpresa, uma semana mais tarde, recebi uma nota sua dispensando os meus serviços. Não percebi. Depois, talvez uma outra semana mais tarde, recebi uma carta no correio nomeando-me seu credor. Nesse momento, sim, percebi. Ele usou-me como advogado por metade do preço, a outra metade iria fazer parte da massa falida.

Batido no meu próprio território!

Mas foi uma lição valiosa: se os clientes não têm possibilidades de pagar quando precisam mesmo dos seus serviços ou produtos, então não nunca podem pagar. Agora, claro que existem muitas situações em que uma PME tem de ser flexível e trabalhar com clientes independentemente do pagamento, principalmente numa recessão económica como a que vivemos actualmente. Mas ser flexível e ser frouxo não são a mesma coisa.


Flexível é bom, frouxo é mau
Então como é que consegue ser pago a tempo? Aqui estão algumas técnicas para receber dos seus clientes a tempo e horas com provas dadas:

A cenoura: já todos a vimos: obtemos um desconto se pagarmos a pronto. É uma boa estratégia. Se oferecer, digamos, 10% de desconto por um pagamento a pronto, a sua empresa obtém logo a tesouraria que necessita para avançar, o cliente obtém um desconto de boas-vindas, e a relação comercial sairá fortalecida.

Outra opção é manter uma política clara definindo que os pagamentos em atraso irão incorrer em juros de mora. Não, eu sei que não quer optar por esta via, mas, sim, funciona. A chave passa pelo seguinte:

  1. Tal como indicado, seja claro e informe à cabeça sobre estas condições de pagamento. Assegure-se de que os clientes têm conhecimento de que os pagamentos em atraso serão penalizados e que você não terá outra hipótese senão cobrar juros de mora;
  2. Seja rigoroso na execução da política de pagamentos. Deixar os clientes derrapar, ou pior, não ser rigoroso de todo, torná-lo-á num "cão que ladra mas não morde". Não tem necessariamente de ser um parvo (embora por vezes seja, tal como descrevemos abaixo) mas ser rigoroso com a sua política de pagamentos trará bons resultados.
Controlo: Responsabilize um colaborador com a tarefa de analisar e seguir os clientes que pagam tarde. Assegure-se que esse funcionário compreende bem a gravidade de cada situação e a transmite aos clientes como é difícil manter a empresa a funcionar quando os clientes pagam tarde. Um e-mail ou uma carta pode ajudar, mas um telefonema (ou vários) costuma funcionar melhor.

Seja flexível: Experimente conceber várias políticas de pagamento. Por exemplo, aceitar cartões de crédito pode facilitar a tesouraria dos seus clientes. Ou por que não tentar o Paypal?

Peça pré-pagamento: Por que é que alguns comerciantes de automóveis exigem uma entrada de grande valor antes de vender um automóvel? Porque sabem que o cliente terá menos probabilidade de falhar um pagamento quando já entregou uma quantia substancial de dinheiro. O mesmo se poderá aplicar à sua empresa - obter uma entrada inicial antes de executar o serviço ou vender o produto poderá funcionar bem.


Pare de trabalhar: Quanto mais avançamos nesta lista mais duros vamos ficando. Claro que há sempre a opção de explicar aos clientes que o trabalho está parado (ou o fornecimento interrompido) até que as facturas sejam pagas. Isso chamará a atenção das pessoas.

O parvo: terá de ter muito cuidado com esta técnica, mas há situações em que os clientes se aproveitam em demasia e, nessas situações, ser mais duro pode ajudar. Eu já tive a oportunidade de escrever anteriormente sobre o que designo do "rebentamento calculado". Ninguém gosta de ter que lidar com pessoas zangadas. Por isso, ficar zangado (com propósito e razão) pode funcionar. O revés pode ser ter que rebentar com a relação comercial (excepto se assim o desejar).

Claro que ninguém quer perder clientes por causa de atrasos nos pagamentos, mas nalguns casos, esses clientes talvez não tenham assim tanto valor...

«Aquele que nunca aprendeu a obedecer nunca pode ser um bom comandante.»

Aristóteles, filósofo grego


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Steve Strauss

Steve Strauss

Steve D. Strauss, conhecido como "o maior especialista americano em pequenas e médias empresas", é um advogado, autor e colunista do jornal "USA Today".

O seu último livro é o Small Business Bible. Steve Strauss é também um orador frequente em sobre temas relacionados com empreendedorismo e gestão em vários países do Mundo e nas Nações Unidas. Se quiser contactar o Steve para dinamizar um grupo, ajudar o seu negócio a crescer, ou se quiser assinar a sua newsletter gratuitamente, "Small Business Success Secrets!", visite por favor o seu website em www.MrAllbiz.com - onde também pode ler o seu blogue,Business as Unusual.

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