Depois, um dia cerca de um mês depois de ter começado, o gestor da secção de classificados do jornal local mudou a minha vida. A nossa conversa foi algo do género:
Ele: "Gostaria de colocar um anúncio no directório de classificados?"
Eu: "Claro, acho que sim. Mas não sei de que tipo."
Ele: "Se quer que o telefone toque, ponha um anúncio de falência."
Eu: "Hum, ok. Tá bem... com certeza!"
Com um negócio para lançar e uma família para alimentar, fazer o telefone tocar era importantíssimo. O gestor dos anúncios estava certo e os processos de falência tornaram-se metade da minha actividade. O que eu quero dizer é: na fase inicial de uma empresa, os empreendedores estão mais flexíveis, tentam novas coisas e vão com a corrente. Aquilo que gostava de sugerir hoje é que, nesta economia, essa atitude talvez precise de ser revisitada.
Aqui está um exemplo famoso: A Apple Computers costumava fazer só computadores, certo? Mas em 2003 decidiu introduzir o iPod e a loja iTunes. De repente, a Apple deixou simplesmente de estar no negócio dos computadores. Ao reinventar-se e ao expandir para o negócio da música, a capitalização de mercado da Apple foi de mil milhões em 2003 para 100 vezes mais no final da década.
Da mesma forma, na década de 90, a Volkswagen era um negócio algo estanque, mas dois dos seus designers industriais tiveram uma ideia que pensavam que iriam avivar o destino da empresa. Trabalhando em segredo e com um orçamento secreto, re-imaginaram o lendário Carocha, um carro que já não era produzido há mais de uma década. A VW comprou a ideia, mesmo sendo um risco: Será que iria parecer que eles estavam a olhar para trás em vez de olhar para a frente? A Volkswagen apresentou o carro em 1998, foi um sucesso na exposição e, no seguimento, reiventou-se a si própria como o presságio moderno do retro chique. As vendas subiram em flecha.
Num estudo de caso apresentado por um dos nossos leitores, uma vendedora de bolachas começou a cortejar clientes grossistas quando a economia atingiu águas turvas. Pessoalmente, penso que o facto de a senhora ter apontado para os grossistas quase não tem nada a ver com o assunto: o importante foi ter sido capaz de reinventar o seu negócio e ir atrás do dinheiro. Qualquer empresa consegue fazer isso!
Pode ser que o dinheiro esteja em vender as suas coisas ao Estado. Talvez esteja em oferecer os seus produtos a clientes empresariais. Talvez o mercado "verde" seja mais lucrativo para si. A conclusão é que aquela faísca criativa que teve quando começou deverá ser acalentada e alimentada. Tome riscos inteligentes e prudentes. A reinvenção de si próprio poderá marcar um grande golo para o seu negócio. Estas perguntas poderão ajudá-lo a perceber:
- E se eu estivesse mesmo a começar agora? Finja que está a começar um negócio novamente. Que tipo de ideias poderia tentar?
- O que seria divertido e excitante? A reinvenção empresarial, para ser bem sucedida, ocorre normalmente quando o empreendedor impõe uma nova ideia que gera fluxo criativo;
- Onde estão as oportunidades? Conhece a sua área tão bem como outra pessoa qualquer. Onde é que há necessidades? Consegue preencher essas lacunas? Preencher lacunas é fazer dinheiro;
- O que posso oferecer de diferente? Não precisa de ser um inovador para ser um re-inventor bem sucedido, mas também não o prejudica se for.
