As vantagens de começar uma empresa na Internet
Analisando a questão do ponto de vista do consumidor, é inegável que a Internet reforçou a sua soberania: o consumidor on-line é rei! Isso significa que, para sobreviver na Internet, as empresas terão de oferecer a melhor proposta de valor, terão de oferecer uma vantagem imediatamente reconhecível pelo consumidor que o leve a optar por adquirir os seus produtos. Por outras palavras, as empresas que não têm uma vantagem competitiva clara, não vendem, simplesmente não têm hipótese de sobreviver.
O consumidor facilmente compara as características dos produtos e os preços e, além disso, classifica a imagem das empresas, atribuindo ou negando-lhes a sua confiança. Tudo isto pode ser feito de forma silenciosa e anónima.
Mas a possibilidade de comparar e classificar as empresas num dado mercado, também pode ser feita do lado da oferta. Quem estiver a pensar em começar uma empresa on-line, pode facilmente recolher as informações no mercado que necessitar para fazer o seu business plan: a lista das empresas já instaladas, o que oferecem, como funcionam, qual o seu volume de negócios e, dependendo do modelo de negócio em questão, até os principais clientes.
Esta abundância de informação, leva-nos à primeira grande conclusão sobre a forma como a Internet mudou radicalmente o empreendedorismo: o mercado é mais transparente e acessível a todos do que nunca, aproximando-se do conceito macroeconómico de ‘concorrência perfeita'. Assim, só vale a pena entrar num negócio on-line se se for capaz de ser hiper-competitivo.
Estar financeiramente preparado para crescer muito é um requisito indispensável
O empreendedor tem hoje a possibilidade de chegar a tantos potenciais clientes quanto possível, um bom produto ou serviço rapidamente se propaga na Internet. A questão da escalabilidade do negócio torna-se, por isso, fundamental: ser capaz de crescer 100 ou 1000% por ano é uma realidade comum em muitos novos negócios on-line, o que levanta grandes desafios a nível do balanço das empresas. Por outro lado, perder a oportunidade de assumir grandes crescimentos do negócio significa abrir a porta à concorrência, uma vez que o que funciona rapidamente se imita.
A reputação constrói-se de lentamente e destrói-se rapidamente
Além disso, a reputação é o atributo que o consumidor mais valoriza. As fraudes são uma realidade e é normal que alguns consumidores se recusem a fazer pagamentos pela Internet ou a assumir algum tipo de risco de natureza financeira.
É assim precisamente porque a Internet é um campo minado, sendo por vezes difícil distinguir homens de negócios honestos de vendedores de banha da cobra. Algumas empresas optam por manter a sua sede legal em offshores ou paraísos fiscais, tendo como grande objectivo beneficiar da opacidade que este tipo de regimes permite, o que agrava ainda mais a situação.
Tal como acontece no mundo real, é necessário construir uma reputação, algo que só é possível com o tempo. O consumidor terá de experimentar o seu produto e interagir consigo algumas vezes até perder o medo, findo o qual passará a confiar na sua empresa, recomendando-a a outras pessoas. Este processo é moroso, pelo que se recomenda paciência e uma atenção milimétrica a todos os pontos de contacto com os clientes.
Mais importante ainda do que acontece no mundo real, na Internet as empresas têm muitas vezes a possibilidade de filtrar e controlar facilmente os seus pontos de contacto com os clientes, seja através de e-mails, formulários de contacto, ou linhas telefónicas dedicadas. Estes pontos de contacto são importantíssimos: é através deles que o consumidor testa a fiabilidade da empresa, se ela é ou não capaz de cumprir o prometido, se as pessoas por detrás do ecrã são mesmo reais e capazes de o servir, de o ajudar com os seus problemas e sugestões, se são capazes de o surpreender.
Muitas empresas ainda não perceberam isto. Por incrível que pareça, não gerem bem os pontos de contacto com o cliente, demoram a responder aos e-mails (esperar três dias por uma resposta a um e-mail é uma eternidade), não são capazes sequer de interagir com os seus clientes. O resultado é que, uma vez que o consumidor espera rapidez e eficiência a toda a prova, a reputação da empresa se esvai com grande facilidade e, na maior parte das vezes, de forma irreversível.
As micro-multinacionais
A revista Inc resumiu o termo que caracteriza as empresas mais competitivas da Internet: são muito pequenas e funcionam à escala global. É impressionante o que se pode fazer nos dias de hoje com duas ou três pessoas criativas ligadas à Internet, tudo é possível, até criar uma força de trabalho virtual que forneça praticamente todos os serviços indispensáveis ao funcionamento da empresa.
Com a profusão da economia do freelancer, é possível fazer muito com muito pouco: Web design, publicidade, serviços administrativos e financeiros, investigação e desenvolvimento, desenvolvimento de software, é possível equipar uma nova empresa de forma muito económica.
Ainda que mantenha o seu emprego estável, pode criar uma micro multinacional em part time e tirar partido dos diferentes fusos horários. Como referiu Thomas L. Friedman no seu famoso "O Mundo é Plano", muita coisa pode acontecer do outro lado do mundo enquanto está a dormir.
Todo o potencial da logística a baixo custo
Abrir uma loja na Internet é mais fácil e barato do que uma loja de tijolo e cimento. Normalmente, não há o incómodo de estar sempre presente na loja conseguindo-se, na maior parte dos casos, uma loja aberta 24 horas por dia. E, acima de tudo, não costuma haver necessidade de ter tantos produtos em stock. A Amazon.com é um grande exemplo disto; a maior parte dos livros vendidos através da Internet não estão sequer nas infra-estruturas da Amazon.com, mas sim nas editoras, o que reduz drasticamente os custos.
As soluções logísticas abundam na Internet actualmente e é possível conceber uma empresa capaz de produzir, armazenar e entregar produtos físicos aos seus clientes sem possuir grande estrutura.
Chegar ao cliente certo é muito mais fácil
"Metade do dinheiro gasto em publicidade é dinheiro deitado fora". Com certeza já ouviu esta expressão muitas vezes, mas com as novas tecnologias, é muito mais fácil (e barato) usufruir da publicidade contextual, que se dirige aos consumidores que estão à procura dos seus serviços. As novas tecnologias das redes sociais também permitem segmentar o mercado em função da idade, profissão e interesses dos utilizadores, o que permite fazer chegar uma mensagem promocional aos segmentos-alvo com muita precisão. Além disso, as ferramentas de publicidade na Internet fornecem estatísticas precisas sobre o número de visualizações dos anúncios.
Os riscos e armadilhas
Sem dúvida que a Internet é um campo onde se podem encontrar armadilhas. Um problema tecnológico ou uma falha num servidor pode espalhar o caos na sua empresa.
Há várias outras coisas que podem correr mal num negócio on-line e que não aconteceriam numa empresa física. Mas é mesmo isso que significa ser empresário, conhecer os riscos e maximizar os ganhos. E a Internet é um sítio óptimo para se atingir esse fim.
