Os negócios endividaram-se por todas e mais algumas razões e com todos os tipos de credores. Pode ser dinheiro devido a um sócio ou um empréstimo bancário ou dinheiro em dívida para com os fornecedores. Em qualquer caso, pode chegar a altura onde precisa e quer sair de baixo. Quando chegar essa altura, existem algumas opções.
Em primeiro lugar e como é óbvio, poderá arranjar um plano de pagamentos. A vantagem aqui é que esta solução será a que menos irá afectar o seu índice de crédito. Ligue aos seus credores, diga-lhes o que pode suportar e aposto que ficará surpreendido com a sua flexibilidade. Os credores sabem que vivemos tempos difíceis e estão frequentemente disponíveis a trabalhar connosco.
Outra opção é, claro, declarar falência. É e deverá ser o último recurso. Já escrevi sobre o assunto nesta coluna.
Mas hoje, gostava de discutir uma terceira opção que poderá acontecer se declarar falência. Nessa altura e frequentemente, as suas dívidas são vendidas a terceiros - agências de cobrança de dívidas. Quando isto acontece e quando se quer evitar a falência, o que se pode fazer?
Negociar, tão simples quanto isso.
Numa economia como esta, poderá descobrir que estes credores estão mais dispostos do que possa pensar a elaborar um acordo consigo. Pode, de facto, resolver fazer equivaler 50 cêntimos a um euro (Ressalva: Embora sinta pena dos credores e já tenha sido, eu próprio, nomeado como credor de um processo de falência, não posso julgar, de forma nenhuma, as negociações para fazer baixar uma dívida.)
Se realmente tem interesse em negociar uma dívida, eis o que tem a fazer:
- Faça uma lista de todas as suas dívidas: quando as pessoas têm problemas financeiros, existe a tendência natural de ocultar os factos, mas se realmente quer lidar com os seus credores, tem de fazer uma lista de quanto deve e a quem. Para cada credor ou agência de cobrança de dívidas, liste as regras e os juros, a par dos números de telefone.
- Crie um fundo de recuperação: esta é a parte mais complicada. Os credores têm poucas razões para acordar consigo se não conseguir pagar a quantia acordada num curto espaço de tempo - um ou dois meses, no máximo. Não, não sei onde vai desencantar o dinheiro, mas sei que precisa de ter acesso a algum - de um familiar, um amigo ou qualquer outra pessoa - se realmente quer obter sucesso neste processo.
- Sorria e ligue: telefone a cada agência de cobrança/credor e diga-lhes que quer negociar um acordo. Ofereça 25 cêntimos por cada euro. Não vão gostar e, provavelmente, vão fazer uma contra-proposta. Se conseguir oferecer um acordo com pagamentos mensais fixos, espere que termine em cerca de 50% do valor actual da dívida - por vezes um pouco mais, por vezes um pouco menos.
- Passe para o papel: antes de começar qualquer pagamento, peça a cada agência de cobrança de dívidas/credor para assinar um documento, feito por si ou por eles, que declare que acordaram na quantia acordada como pagamento por cheio da dívida e que não terá mais obrigações financeiras para com eles. Talvez seja melhor falar com um advogado sobre esta parte ou obter uma cópia de um acordo normalmente utilizado. Certifique-se também de que o seu dossier de crédito irá reflectir um balanço final de zero.
- Pague: faça os seus pagamentos conforme acordado e diga adeus.
Irá levar alguns anos antes de conseguir ter novamente alguma credibilidade bancária, mas, nessa altura, a economia já estará de novo em condições.
