Quando tinha 8 anos, disseram-me para explicar à minha turma o que o meu pai fazia para ganhar dinheiro. Para mim era difícil dizer "dono de loja de tapetes." Não era o mesmo que médico ou advogado. Por isso, perguntei ao meu pai o que havia de dizer. A resposta dele foi "Diz-lhes que sou empreendedor".
- Empreendedor? O que é isso? - perguntei.
- É alguém que está disposto a arriscar dinheiro para ganhar dinheiro. - disse ele.
Apesar de ainda adorar essa definição, uma coisa que aprendi ao longo dos anos foi que o melhor dos empreendedores reduz ao máximo o risco inerente a um negócio. Assim, quando as coisas correm mal, porque as coisas correm sempre mal, estes pequenos negócios ficam menos expostos ao risco, deixando-os livres para vender noutro dia.
Mas o que é que isso quer dizer, reduzir o risco? Pode ser qualquer coisa:
Há uns anos, estive envolvido com uma empresa onde uma das pessoas decidiu, unilateralmente, que a melhor coisa que podiam fazer era comprar um anúncio numa revista famosa. A campanha não deu em nada e o negócio ficou com uma dívida de quase €50 000.
Conheça os seus números. Mastigue os seus números. Faça projecções. Se não puder pagar, não faça nada.
- Faça o seu trabalho de casa. O entusiasmo e a energia que definem muitos empreendedores podem ser um defeito se os fizerem tomar decisões precipitadas e más.
- Faça a sua pesquisa e olhe antes de saltar. Teste a água. Pense bem no que vai fazer. Pense no pior que pode acontecer. Analise cuidadosamente uma oportunidade ou uma ideia antes de a implementar, isso pode fazer com que as hipóteses de perder demasiado tempo ou dinheiro sejam reduzidas.
- Adira ao corporativismo. Se as coisas correrem mal, o escudo corporativo que protege os seus bens pessoais da dívida corporativa vai fazer muita diferença. Se não gerir o seu negócio como uma corporação ou como uma empresa limitada, vai estar a arriscar os seus bens pessoais.
- Previna-se bem em termos de seguro. Tal como o corporativismo reduz o seu risco pessoal, o seguro certo pode fazer o mesmo. É claro que é caro, mas os bens que não estão segurados são muito mais dispendiosos.
- Não deposite toda a fé num único santo. Sim, aqueles clientes grandes são óptimos, mas se só tiver uns quantos grandes clientes, fica dependente da lealdade deles. E se perder um ou dois? Vai ter problemas, é o que vai acontecer
- Peça ajuda. Gostamos de pensar que sabemos tudo, mas não sabemos e pensar isso pode levar a erros dispendiosos.
Quer se trate de contratar pessoal suficiente para poder fazer aquilo que sabe ou de trazer um parceiro estratégico com contratos que não tem ou de contratar consultores para ver o que pode melhorar, a ajuda profissional ajuda a reduzir o risco e torna a sua vida mais fácil.
A vantagem de tudo isto é que os grandes empreendedores conhecem os seus pontos fortes e fracos, por isso pensam mais à frente e planeiam.

