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Ideias práticas para novos empreendedores Em Destaque

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É certo que se esta crise se mantiver durante o próximo ano e se atravessar também o ano de 2010, conforme dizem os economistas, muitas pessoas vão perder o emprego. Já aqui publicamos a nossa convicção de que uma alternativa para estas pessoas será criarem a sua prórpia empresa, o que talvez seja uma oportunidade de se verem livres de um emprego de que não gostam, conseguirem independência financeira e realização pessoal!

Sempre que uma porta se fecha, outra abre-se.

Ao longo de alguns anos de experiência a ajudar vários empreendedores a começarem as suas empresas, parece-me que existem alguns traços comuns aos que são bem sucedidos. Decidi então investigar alguns livros e blogs de gestão e procurar um padrão que explique quais são esses factores, conjugando a teoria com a prática de gestão.

Gostaria de os deixar aqui como referência. Espero que lhe sejam úteis, quer esteja a pensar em criar uma empresa nova, quer esteja a gerir uma já existente.

A primeira característica que encontro nos empreendedores bem sucedidos é a humildade.
Se quer começar uma empresa do nada tem de perceber que esta é uma missão extremamente difícil. Vencer a inércia, arriscar, investir e dedicar-se inteiramente a um projecto exige um esforço enorme. Muitos empreendedores não compreendem isto, por incrível que pareça; são motivados pelo seu próprio ego, pelo desejo de "status", não compreendendo que têm de abdicar de uma boa dose de conforto pessoal para desempenhar tarefas que poderão não dominar totalmente ou que estão abaixo das suas qualificações.

Por outro lado, os empreendedores humildes agem de forma determinada mas tranquila, corajosa mas sem necessidade de bajulação. São modestos, "low profile" e ambiciosos; motivam-se pelo desejo de criar algo duradouro, maior do que eles próprios.

Jim Collins exemplifica este conceito, a que chamou Level 5 Leadership, no seu trabalho "Good to great" que é hoje considerado por muitos uma referência na gestão em todo o mundo. Conta a história de um CEO de uma empresa multinacional, a Kimberly-Clark, chamado Darwin Smith, que foi responsável pela transformação de uma empresa com uma performance razoável num dos melhores exemplos de sucesso empresarial do século XX. Este senhor, originário de uma família humilde, financiou os seus estudos na Universidade de Indiana, trabalhando durante o dia numa fábrica, ao mesmo tempo que estudava à noite. Conta-se que um dia perdeu parte de um dedo a trabalhar. Nesse mesmo dia foi às aulas e regressou ao trabalho no dia imediatamente a seguir. Não deixou que a perda de um dedo atrasasse o seu progresso nos estudos, continuando a trabalhar até obter a sua Licenciatura ao mesmo tempo que trabalhava a tempo inteiro! Mais tarde, dois meses após ser nomeado CEO, foi-lhe diagnosticado um cancro na garganta e no nariz, tendo-lhe sido dado menos de um ano de vida. Darwin Smith manteve o seu ritmo de trabalho pesado ao mesmo tempo que fazia terapia e viveu mais vinte e cinco anos, a maior parte deles como CEO.

Darwin Smith é um exemplo clássico de humildade e determinação. Durante o seu período de liderança foi possível multiplicar o preço das acções da Kimberly-Clark por 40, enquanto o mercado cresceu apenas 9,8 vezes. Vários outros exemplos que demonstram o poder da humildade podem ser lidos em www.jimcollins.com

Aprendem durante a vida toda
Ser empreendedor significa na maioria das vezes ser polivalente, ter de ser o homem (ou mulher) dos sete instrumentos. É necessário ser bom vendedor e bom técnico, dominar diferentes aptidões: finanças, marketing, informática e ainda assim ser capaz de se relacionar com todo o tipo de pessoas.

Se trabalhou a maior parte da sua carreira por conta de outrém, principalmente se trabalhou em empresas de grande dimensão, isto pode ser a sua maior dificuldade quando se estabelecer por conta própria. Normalmente, as grandes empresas oferecem carreiras especializadas, progride-se durante vários anos na mesma família funcional e só mais tarde se começa a variar o conteúdo das funções.

Mesmo que se associe a (ou contrate) alguém que domina um conjunto de conhecimentos diferentes dos seus, a obrigação de estar continuamente a aprender é inevitável. Aprenda por sua própria iniciativa, consultando as fontes de informação que hoje em dia abundam na Internet e aprenda com os seus colaboradores.

As ideias são gratuitas. Alan G. Robinson e Dean M. Schoeder demonstram-nos como o aproveitamento sistemático das ideias dos colaboradores tiveram nos resultados e na competitividade das suas empresas no seu livro "Ideas Are Free: How the Idea Revolution Is Liberating People and Transforming Organizations" (ver mais em www.ideasarefree.com)

Na minha opinião, os empreendedores de sucesso aprendem com todo o tipo de pessoas: colaboradores, amigos, familiares, clientes, fornecedores, até com a própria concorrência! Preste atenção a tudo o que o rodeia, as ideias têm poder e valem dinheiro.

Vivem abaixo das suas posses
De acordo com um livro muito interessante, que recomendo, chamado "The Millionaire Next Door: The Surprising Secrets of American's Wealthy" de Thomas J. Stanley e William D. Danko, as características dos milionários americanos são as seguintes:

  • Mais de 80% são pessoas vulgares que acumularam a sua riqueza numa só geração,
  • Menos de 20% herdaram mais do que 10% do seu património e mais de metade não herdaram nada,
  • Usam fatos e carros baratos,
  • Cerca de 50% vivem nas suas casas há mais de 20 anos,
  • 80% são licenciados e 38% têm formação pós-graduada.
  • (pode ver as estatísticas completas aqui)

Qualquer empreendedor de sucesso sabe que viver abaixo das suas posses é a chave para acumular riqueza e aplica esse princípio aos seus negócios. Por isso, acho que neste ponto a crise até ajuda, pois tudo está mais barato: rendas, equipamentos, telecomunicações, combustíveis, etc. Se precisa de mobiliário de escritório, procure o mais barato possível nas grandes cadeias "low cost", use tecnologias informáticas open source e recorra ao outsourcing.

No dia em que começar a gastar mais do que pode, esta vantagem desaparece.

Passam pelo menos 50% do seu tempo a vender.
Muitas empresas, principalmente as do sector tecnológico, assumem que os produtos se vendem a si próprios, desde que a tecnologia seja boa. Na realidade, isso raramente acontece. Muitas pessoas dedicam-se tão apaixonadamente a desenvolver os seus produtos que se esquecem de gerir as suas empresas e vender, o que sem dúvida é uma excelente estratégia para perder dinheiro.

É necessário conhecer a nossa própria natureza e contrariá-la. Perguntar-nos a nós próprios constantemente se estamos a passar pelo menos 50% do nosso tempo a vender? Aposto que se foca demasiado no produto e menos em compreender as necessidades dos seus clientes.

Claro que o oposto também é verdade: se gostamos muito de vender, então devemos perguntar-nos a nós próprios se passamos metade do nosso tempo a produzir, o que não acontece tão frequentemente, pelo que me apercebo.

Muitas outras características...
Gostava de saber a vossa opinião sobre este tema. O que caracteriza os bons empreendedores?

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«O comportamento público é meramente carácter privado escrito em letras grandes.»

Stephen  Covey, guru do auto-aperfeiçoamento


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