| O cash flow é sempre uma prioridade |
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Apesar de não ser nenhuma novidade que o fluxo de caixa seja uma questão importante em qualquer negócio que falha e que as empresas que se saem bem não têm problemas de dinheiro, o que me surpreende é que tão poucas pequenas empresas façam do fluxo de caixa uma prioridade.
A verdade é que o fluxo de caixa é o oxigénio da empresa. É isso que a faz respirar e a falta dele corta-lhe o negócio. O fluxo de caixa permite tomar decisões baseadas na razão e não no medo. Ajuda a construir um crédito bom. Um bom fluxo de caixa significa que as contas são pagas a tempo, os salários não são um problema e até o sono sabe melhor.
Por isso, aumentar o fluxo de caixa é uma boa resolução de Ano Novo. Eis algumas formas de o conseguir: Seja pago: Algumas pequenas empresas deixam que as facturas por pagar se acumulem e envelheçam, ficando à espera (ou na esperança) de que vão ser pagos um dia. Apresse-se! Se tem facturas a receber, cobre-as. E quando se firmar, adopte uma nova política e avise os seus clientes: todas as facturas são para ser pagas na hora e as que não forem pagas em 30 dias vão ser acrescidas de multa e juros. Esta é uma forma fácil de aumentar o seu fluxo de caixa. Evite os clientes que não pagam: Também pode começar a restringir a sua política de crédito, para eliminar os clientes que não pagam ou que pagam tarde. Promova uma venda regular: Existem muitas razões para promover vendas - para atrair pessoas para a sua porta, para ter visibilidade, para se livrar de produtos em excesso e, sim, para aumentar o seu fluxo de caixa. As vendas funcionam. As vendas aumentam o trânsito, logo aumentam o seu fluxo de caixa. Junte-se a alguém: Basicamente, há três formas de aumentar o seu fluxo de caixa:
Ao encontrar negócios a que se posse juntar e partilhar projectos, vai estar a ganhar mais dinheiro e a gastar menos. É uma situação só com vantagens. Reduza as despesas: Reveja as suas apólices de seguros, os seus planos de chamadas e de saúde, principalmente se já fizer uma revisão geral há já algum tempo. Encontrar excessos pode realmente diminuir o prejuízo e levar a um aumento de capital disponível. E pode ser que até faça sentido gastar menos nessas questões. Procure uma linha de crédito: Não há nada de errado em pedir o dinheiro de que precisa para manter o negócio a funcionar; as grandes empresas têm esse hábito. O segredo está em não pedir demasiado e ter um plano para pagar tudo a tempo, o mais depressa possível (se for preciso). Aumente as suas tarifas ou preços: É claro que pode perder alguns clientes, mas lembre-se, as pessoas tomam as suas decisões acerca de onde comprar e quem contratar baseando-se em mais do que o preço. Normalmente, aumentar os preços significa mais dinheiro. Reduza nos custos de produção: É legal que um dos seus empregados se torne num trabalhador independente e, se não for prejudicial para a empresa e a ideia agradar ao trabalhador, pode poupar muito dinheiro. Livre-se dos produtos de que já não precisa: Uma venda é a única forma de ganhar dinheiro rapidamente e despachar os bens de que já não precisa. Além de que liberta espaço para os produtos com mais procura. Outra forma de se livrar do excesso de produtos é pedir ao distribuidor com quem negociou o produto que o compre de volta. Apesar de lhe cobrarem uma taxa por fazer isso, acaba por ganhar dinheiro e espaço. Use a regra 80/20: A regra 80/20 diz que 80% do seu lucro vem 20% do seu produto (ou, no caso da prestação de serviço, do esforço). Determine uns quantos números e descubra quais são os seus esforços e produtos mais rentáveis e depois concentre-se mais nesses. De igual modo, descubra os piores e acabe com eles. Ter dinheiro suficiente para gerir um negócio de forma confortável torna tudo melhor e basta algumas mudanças simples para que isso aconteça. Crie empregados empreendedores Quando trabalhava na Mercy Corps, a empresa era muito empreendedora. Por exemplo, se quiséssemos um projecto novo, tinha de ser nosso. Não é assim que a maior parte das pequenas empresas funciona? - perguntou a Mara. A mulher com quem estava a jantar num restaurante libanês, na Jordânia, tinha trabalhado para aquela organização humanitária não-governamental, os Mercy Corps, durante alguns anos e eu estava fascinado com a forma como a organização era gerida. Mas, para responder à pergunta dela, vi-me obrigado a dizer "Infelizmente, não." Basicamente, muito do que fazem é baseado no que apelidam de "empreendorismo social", uma ideia que, ironicamente, costuma faltar à maior parte das pequenas empresas. Passo a explicar: Digamos que a minha nova amiga tinha uma ideia que achava que seria óptima para a Mercy Corps. Como qualquer empregado na Mercy Corps, ela podia apresentar a ideia, mas isso seria apenas o começo. Se realmente gostasse da ideia, teria de pensar e agir de forma empreendedora:
E, talvez a parte mais interessante, como qualquer grande empreendedor, se conseguisse fazer tudo isto e implementasse o programa para resolver um problema, ficaria responsável a longo prazo pelo projecto e seria dela. O que para mim se tornou óbvio ao longo da noite foi que, ao fazer com que os empregados agissem de forma empreendedora, a Mercy Corps dava-lhes poder para serem mais do que empregados. Tinham a hipótese de serem criativos e de pensarem em grande, implementando a visão que tinham quando isso fazia sentido. Não é isso que todos queremos das pessoas que trabalham connosco? Pessoas que pensam mais além do que o que fazem e que procuram ver como é que o todo pode ser melhorado? No entanto, quantos de nós criaram organizações e negócios que efectivamente dão esse tipo de poder aos trabalhadores? Arrisco-me a dizer que não são muitos. Não é irónico que as pessoas empreendedoras não fomentem o empreendorismo nas suas empresas? Acredito que a maior parte esteja demasiado ocupada, feliz em mandar, e que a ideia de ter pessoas a agir de forma empreendedora deve ser assustadora. Estou errado? Digam-me, por favor, mas acho que não estou. As grandes empresas costumam ter esta ideia: um programa novo só é implementado quando pertencer a alguém e esse alguém apresentar um orçamento correcto. De facto, uma dessas empresas criou um sistema de gestão completamente novo baseado na ideia de tornar os empregados em accionistas. A Gestão de Livro Aberto começou numa empresa chamada SRC, graças ao proprietário, Jack Stack. Como o nome indica, esta gestão acabou com o costume de manter as finanças em segredo. As regras da Gestão de livro aberto são:
O que acontece é que os empregados, ao conhecerem a situação financeira e ao terem uma participação nos ganhos, tornam-se mais produtivos e empreendedores e a empresa cresce. O que estou a sugerir hoje é que isto não é uma má ideia para as pequenas empresas. O que aconteceria no seu negócio se os seus empregados fossem encorajados a procurar projectos que pudessem ajudar a empresa, a decidir se os projectos faziam sentido e a prová-lo e depois tivessem a responsabilidade de os implementar e de ter posse do projecto? Quem sabe, uma revolução na produtividade e no valor? Empreendedores, se calhar está na altura de criar uma empresa empreendedora de dentro para fora. Steve D. Strauss, conhecido como "o maior especialista americano em pequenas e médias empresas", é um advogado, autor e colunista do jornal "USA Today". O seu último livro é o Small Business Bible
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