Exclusões
Não estão incluídos no âmbito da norma "Inventários":
- Produção em cursos afectos a contratos construção;
- Instrumentos financeiros; e
- Activos biológicos e subsequentes produtos agrícolas.
A NCRF 18 tem como base correspondente a IAS 2 e engloba os seguintes activos:
- Activos detidos para venda;
- Activos em produção para posterior venda;
- Materiais detidos para consumo no processo produtivo ou utilizados na prestação de serviços.
Registo inicial
De acordo com que já acontecia no plano oficial de contas (substituído pelo SNC), o registo inicial do activo incorpora os custos de aquisição, conversão e demais despesas necessárias para colocar os inventários aptos a comercialização e/ou produção, ou utilização.
Exemplos de custos de compra:
- Incluem o preço de compra do bem;
- Direitos de importação e outros impostos;
- Custos de transporte;
- Custos de manuseamento.
Exemplos de custos de conversão:
Os custos de conversão são aqueles que se relacionam com as unidades de produção e que delimitam a transformar matérias em produtos acabados (encargos gerais de fabrico fixos e variáveis).
Exemplos: electricidade; depreciação dos equipamentos produtivos.
Custos fixos Vs custos variáveis
A diferença entre custos fixos e variáveis resume-se pelo que enquanto os fixos não se alteram perante variações na produção, os custos variáveis estão dependentes dessas mesmas oscilações de produção.
Exemplos custos fixos: depreciações equipamentos e dos edifícios fabris; mão-de-obra; alugueres instalações.
Exemplos custos variáveis: Custos das matérias consumidas; electricidade.
Custos do produto
Relativamente ao nível de custeio a norma adopta o custeio industrial.
Nota. A adopção do nível de custeio industrial implica que os custos de distribuição, de administração e os financeiros não são incorporados nos custos do produto, mas sim imputados a custos do respectivo período.
Nomeadamente à técnica de custeio o SNC limita a utilização ao sistema de custeio racional. (o POC permitia a escolha entre o custeio total ou o custeio racional).
Custeio total
São imputados aos produtos fabricados todos os custos da área de produção, variáveis ou fixos.
Exemplo: imaginemos o seguinte quadro referente à função industrial de uma empresa.
- Fornecimentos e serviços externos da área produção: 7.500 euros;
- Custos com pessoal (produção): 11.000 euros;
- Depreciações equipamentos produtivos: 2.000 euros.
- Consumo das matérias-primas: 6.000 euros;
- Nº. Unidades produzidas 10.000
Custo dos produtos fabricados = 6.000 (matérias primas) + 20.500 (FSE + MOD directa produção + depreciações)
Custo unitários = 2,65 euros/ unidade (26.500 euros / 10.000).
Nota: repare-se que não tida em conta a separação de custos fixos e variáveis.
Custeio variável (directo)
Apenas são incorporados os custos variáveis.
Custos industriais variáveis:
- Matéria-prima: 6.000 euros;
- Mão-de-obra directa 2.500 euros
- Fornecimentos e serviços externos 1.500 euros.
Custo dos produtos fabricados = 6.000 + 2.500 +1.500 = 10.000 euros.
Unidades produzidas: 10.000
Custo unitários = 1,00 euros/ unidade (10.000 / 10.000)
Nota: repare-se que apenas se considerou os custos variáveis. Os custos fixos vão directamente a resultados.
Custeio racional
O custeio racional implica afectar os custos fixos na proporção das unidades produzidas em função da capacidade produtiva. Ou seja,
Custo matérias-primas: 6.000
Custo mão obra directa (variável) = 2.500
Fornecimentos e serviços externos variáveis: 1.500
Nº. Unidades produzidas: 10.000
Capacidade produtiva: 12.000
% Custos fixos a imputar = 10.000 / 12.000 = 83,3 %
Custo unitário = 6.000+ 2.500+ 1.500 + (83,3% * (7500-1500 + 11.000-2.500 + 2.000) = 23.750 euros / 10.000 =2.375 euros / unidade.
Nota: o remanescente dos custos fixos é imputado a resultados.
Registos subsequentes inventários
Posteriormente os inventários são registados pelo menor entre o custo e o valor realizável. (valor de venda).
Valorimetria das saídas
Os critérios valorimétricos permitidos são o custo específico; o custo médio ponderado e o FIFO (first in first out).
Importante denotar que o SNC deixa de permitir o uso do critério LIFO (last in first out). (ultimo a entrar, primeiro a sair).
Nota: Os critérios valorimétricos devem ser aplicados por grupos de existências de natureza e uso similar, ou seja, não deve determinada empresa adoptar o FIFO para o produto A e o custo médio ponderado para o produto B. (se A e B são produtos idênticos).
Notas finais
O SNC relativamente aos inventários descreve algumas alterações ao "substituído" POC. Especialmente na forma de afectação dos custos fixos aos inventários e, também na valorização das saídas dos produtos.
