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Como medir a produtividade nas empresas de serviços Em Destaque

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É recorrente nos dias de hoje ouvirmos a palavra produtividade nos principais meios de comunicação. O assunto ganha relevância, à medida que aumenta a preocupação dos portugueses sobre a recuperação económica e se procuram formas de solucionar uma crise que todos sentimos nas nossas vidas, enquanto cidadãos, trabalhadores e empresários.

A economia define a produtividade como a expressão da eficiência da produção e que a forma da sua medida se traduz no rácio entre a produção obtida e os factores produtivos nela utilizados num determinado período de tempo. Nas empresas, este conceito foi adoptado através da criação de indicadores que relacionam os resultados obtidos com os investimentos realizados num determinado período de tempo. Usam-se assim rácios como o ROA (Rentabilidade do Activo) e o EVA (Economic Value Added).

O cálculo destes indicadores é baseado em regras de contabilidade que foram inventadas há centenas de anos atrás para registar os custos de activos tangíveis como mercadorias, propriedades, máquinas e animais. A economia do século XXI baseia-se muito menos neste tipo de activos do que em "intangíveis" como as marcas, a propriedade intelectual, a investigação e desenvolvimento, software, processos de gestão e na inovação. Hoje, 10.000 euros podem comprar uma patente sem qualquer valor ou uma campanha publicitária bem sucedida. Mas, o valor contabilístico apenas regista o seu custo, o chamado "justo valor" ainda não nos permite medir com rigor o verdadeiro valor destes activos intangíveis.

Em Portugal, a tendência para a desmaterialização dos factores produtivos, com ênfase no capital humano segue a de outros países europeus. Enquanto até aos anos 60, grande parte da estrutura produtiva era composta pelo sector agrícola e industrial, actualmente a maior parte das empresas actuam no sector terciário. As empresas funcionam hoje essencialmente através de pessoas e não de activos tangíveis. A sua estrutura de custos alterou-se.

Esta mudança estrutural torna irrelevante a utilização de rácios que comparam resultados económicos com activos ou custos de capital. Rácios como o ROA são inadequados para as empresas intensivas em pessoas porque dividem os resultados obtidos pelos valores do activo e podem mostrar valores satisfatórios simplesmente porque os activos registados no balanço são irrelevantes.

Por exemplo, uma agência de publicidade poderá ter que suportar custos com pessoal várias vezes superiores aos custos de capital e não ter que suportar, de todo, quaisquer custos com matérias-primas. Deste modo, a atenção dos gestores desta empresa deverá estar centrada na produtividade das pessoas que nela trabalham, mesmo do ponto de vista económico. Uma vez que são as pessoas que constituem o principal factor de criação de valor para a empresa, os indicadores de performance devem demonstrar a produtividade dessas pessoas e não do capital investido.

Os rácios tradicionais que visam medir a produtividade das pessoas também se revelam facilmente manipuláveis pelo efeito, cada vez mais frequente, do outsourcing. Quando se usa o rácio vendas por empregado, por exemplo, e se subcontrata uma determinada parte da organização, reduz-se imediatamente o número de pessoas ao serviço da empresa, o que faz disparar de forma artificial o valor do rácio. Quando empresas do mesmo sector se comparam através deste rácio, chegam a valores díspares por força da utilização maior ou menor do outsourcing.

Um artigo publicado na Harvard Business Review, intitulado "The surprising economics of a people business" vem demonstrar como, a partir de dados contabilísticos se pode medir eficazmente a performance dos negócios de pessoas.

Este método demonstra como se obtêm os Resultados Económicos em função da produtividade das pessoas e do seu custo médio, ou seja: RE = P*(PPE-CMPE)[1].

A simplicidade desta expressão é suficiente, no entanto, para corrigir os efeitos do outsourcing pois inclui todos os custos operacionais, mesmo os Fornecimentos e Serviços Externos e Subcontratos.

Através de uma clara definição de produtividade dos activos mais importantes das empresas (as pessoas), que parte de uma base contabilística "dura" e não de uma avaliação subjectiva do capital humano, as empresas intensivas em pessoas podem criar as condições para melhorar a sua gestão.

Como se adivinha, a produtividade não melhora por decreto. Mas isso poderá passar pela utilização das ferramentas certas. Ao focar a atenção dos empresários e gestores no valor das pessoas, estas empresas podem criar sistemas de incentivo e recompensa que orientem o esforço de todos na melhoria da produtividade e competitividade. A gestão deixa de estar centrada na rentabilização dos activos para se orientar por questões como a capacidade de atrair, recrutar e manter os melhores profissionais; como motivá-los, formá-los convenientemente, como equilibrar as suas vidas profissionais e pessoais e de que forma realizá-los profissionalmente. Quantas empresas em Portugal competem actualmente pelos melhores recursos humanos?



[1] RE = Resultados Económicos (antes de impostos)

P = Número de empregados

PPE = Produtividade por empregado

CMPE = Custo médio por empregado

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