Pub

Pub

Os mais lidos hoje

 

Compreender e implementar o EVA

Avalie este Item
(0 votos)

O EVA® - Economic Value Added - é provavelmente a ferramenta de gestão mais badalada junto de académicos, consultores e gestores nos últimos anos. Grande parte do seu sucesso deve-se ao marketing inovador da empresa que o criou, a Stern Stewart & Co., que registou inclusivamente o nome “EVA” como marca, gerando assim uma aura de misticismo e complexidade em seu torno.

No entanto, o EVA apresenta um conjunto de características que o tornam mais completo e preciso do que as tradicionais métricas de avaliação da performance das empresas, pelo que implementá-lo na sua empresa poderá trazer benefícios reais. Veja neste artigo como pode ser implementado com relativa facilidade.

O EVA® (Economic Value Added) pode definir-se como os proveitos gerados por uma empresa depois de subtraídos os custos inerentes ao seu funcionamento e os custos do capital nela investido. Consideram-se como custos de capital não só os custos de financiamento por capitais alheios como também os custos dos capitais próprios.

Neste aspecto reside a principal contribuição do EVA para a quantificação do lucro. Ao admitir que os capitais próprios não são gratuitos, ao contrário do que acontece com o sistema de contabilidade tradicional, o EVA fornece uma visão mais verdadeira do valor criado pelas empresas.

Vejamos um exemplo prático para simplificação: suponhamos que determinada empresa investe 20.000€ em equipamento produtivo com o qual espera obter uma margem bruta de 5.000€ anuais e que suporta custos de manutenção e seguros anuais no valor de 1.500€. Vamos admitir que financia este investimento com um empréstimo bancário de 8.000€ a uma taxa anual de 5% e que o restante é financiado com capitais próprios. Será que este projecto cria ou destrói valor?

  Contabilidade Tradicional Economic Value Added EVA
Margem bruta

5.000€

5.000€

Manutenção e Seguros

1.500€

1.500€

Amortizações (10 anos)

2.000€

2.000€

Custos financeiros

400€

400€

Resultados antes impostos

1.100€

1.100€

Custo do capital próprio

0€

1.200€

I.R.C. (25%)

275€

275€

Lucro

825€

-375€

Neste caso, embora a visão da contabilidade tradicional nos forneça um lucro de 825€, o valor económico criado na perspectiva EVA é negativo (-375€). A diferença reside no custo do capital próprio, que para o cálculo foi considerado como sendo de 10% ao ano. Assim, este projecto não gera valor suficiente para remunerar os capitais investidos.

Ao contrário do que acontece com os capitais alheios, que têm um custo conhecido sob a forma de uma taxa de juro, o custo dos capitais próprios é indirecto: ele traduz as expectativas dos investidores quanto ao retorno dos seus investimentos. De certa forma, poder-se-ia argumentar que o cálculo do custo dos capitais próprios é subjectivo, mas ignorá-lo de todo impedir-nos-ia de revelar o real valor criado por uma empresa para os seus proprietários.

Para calcular o custo dos capitais próprios, podemos adoptar o seguinte raciocínio: um investidor exige uma taxa de retorno tomando em consideração o risco associado à empresa e o retorno esperado de empresas com características idênticas. Em linguagem da teoria financeira poderia traduzir-se esta ideia através da soma de uma taxa de juro de mercado sem risco com um prémio de risco específico da empresa. No nosso exemplo seria 3.5% + 6.5%=10%.

Para implementar o EVA na sua empresa não bastará no entanto acrescentar mais uma linha à Demonstração de Resultados. São necessários determinados ajustamentos à contabilidade para que seja possível apurar não o lucro determinado pelos princípios contabilísticos, mas antes o verdadeiro cash-flow gerado pela empresa.

Entende-se, segundo a lógica do EVA, que o cash-flow é uma medida mais eficaz da performance da empresa pelo que se devem eliminar as distorções ao cash flow criadas pela contabilidade. De outro modo considera-se que alguns custos contabilísticos são verdadeiros investimentos sob o ponto de vista económico, dado o seu carácter de permanência, e que devem ser reconhecidos como tal.

Existem cerca de 160 ajustamentos possíveis a fazer à contabilidade, no apuramento do EVA. Ajustamentos estes que poderão passar pela capitalização de custos com investigação e desenvolvimento, alugueres operacionais e amortizações de goodwill. Poderão também desconsiderar determinados custos contabilísticos como as provisões, uma vez que não correspondem a uma efectiva saída de cash-flow e podem ser manipuláveis com alguma facilidade.

Mais do que obter uma precisão científica com estes ajustamentos, é importante salvaguardar a simplicidade e a consistência dos valores ao longo do tempo. De nada servirá um indicador se não for relativamente fácil explicá-lo a gestores não – financeiros ou se for demasiado oneroso implementá-lo. Por isso, normalmente não se fazem mais do que 10 ajustamentos à contabilidade para o cálculo do EVA. Como regra só se devem fazer os ajustamentos que forem materialmente relevantes e cuja informação esteja facilmente disponível.

Valerá a pena implementar o EVA?

Sendo o EVA uma ferramenta de gestão é necessário que a gestão de topo e os proprietários da empresa a compreendam e acreditem que os benefícios superem os custos de implementação. Algumas características desta ferramenta são inegáveis, nomeadamente:

  • Conduz a melhores decisões de gestão porque se concentra na verdadeira criação de valor, o que não acontece com outros indicadores de gestão tradicionais;
  • O conceito do EVA é simples e fácil de comunicar, mesmo a pessoas não familiarizadas com a área financeira;
  • Para o implementar, tudo o que necessita são as demonstrações financeiras produzidas regularmente pela contabilidade;
  • É possível subdividir o EVA por áreas funcionais, funcionando assim como um bom mecanismo de motivação e responsabilização das pessoas.
  • Como principais limitações poderíamos apontar a dificuldade no cálculo do custo do capital e os ajustamentos à contabilidade, embora com a ajuda de técnicos financeiros qualificados esta questão seja facilmente ultrapassável, pelo que não deverá desistir por isso. O simples facto de analisar e tratar cuidadosamente da informação financeira levanta em muitos casos questões que estavam escondidas e que subitamente se tornam visíveis.

Uma vez implementado na sua empresa, o EVA deverá ser comunicado e discutido por todos. Para testar a sua eficácia, deverá ser possível perguntar a um gestor qual o valor do EVA do mês anterior e obter uma resposta pronta!

Registe-se e receba actualizações gratuitas no seu email

Faça Login para poder publicar os seus comentários
Plus500