No entanto, o EVA apresenta um conjunto de características que o tornam mais completo e preciso do que as tradicionais métricas de avaliação da performance das empresas, pelo que implementá-lo na sua empresa poderá trazer benefícios reais. Veja neste artigo como pode ser implementado com relativa facilidade.
O EVA® (Economic Value Added) pode definir-se como os proveitos gerados por uma empresa depois de subtraídos os custos inerentes ao seu funcionamento e os custos do capital nela investido. Consideram-se como custos de capital não só os custos de financiamento por capitais alheios como também os custos dos capitais próprios.
Neste aspecto reside a principal contribuição do EVA para a quantificação do lucro. Ao admitir que os capitais próprios não são gratuitos, ao contrário do que acontece com o sistema de contabilidade tradicional, o EVA fornece uma visão mais verdadeira do valor criado pelas empresas.
Vejamos um exemplo prático para simplificação: suponhamos que determinada empresa investe 20.000€ em equipamento produtivo com o qual espera obter uma margem bruta de 5.000€ anuais e que suporta custos de manutenção e seguros anuais no valor de 1.500€. Vamos admitir que financia este investimento com um empréstimo bancário de 8.000€ a uma taxa anual de 5% e que o restante é financiado com capitais próprios. Será que este projecto cria ou destrói valor?
| Contabilidade Tradicional | Economic Value Added EVA | |
| Margem bruta |
5.000€ |
5.000€ |
| Manutenção e Seguros |
1.500€ |
1.500€ |
| Amortizações (10 anos) |
2.000€ |
2.000€ |
| Custos financeiros |
400€ |
400€ |
| Resultados antes impostos |
1.100€ |
1.100€ |
| Custo do capital próprio |
0€ |
1.200€ |
| I.R.C. (25%) |
275€ |
275€ |
| Lucro |
825€ |
-375€ |
Neste caso, embora a visão da contabilidade tradicional nos forneça um lucro de 825€, o valor económico criado na perspectiva EVA é negativo (-375€). A diferença reside no custo do capital próprio, que para o cálculo foi considerado como sendo de 10% ao ano. Assim, este projecto não gera valor suficiente para remunerar os capitais investidos.
Ao contrário do que acontece com os capitais alheios, que têm um custo conhecido sob a forma de uma taxa de juro, o custo dos capitais próprios é indirecto: ele traduz as expectativas dos investidores quanto ao retorno dos seus investimentos. De certa forma, poder-se-ia argumentar que o cálculo do custo dos capitais próprios é subjectivo, mas ignorá-lo de todo impedir-nos-ia de revelar o real valor criado por uma empresa para os seus proprietários.
Para implementar o EVA na sua empresa não bastará no entanto acrescentar mais uma linha à Demonstração de Resultados. São necessários determinados ajustamentos à contabilidade para que seja possível apurar não o lucro determinado pelos princípios contabilísticos, mas antes o verdadeiro cash-flow gerado pela empresa.
Entende-se, segundo a lógica do EVA, que o cash-flow é uma medida mais eficaz da performance da empresa pelo que se devem eliminar as distorções ao cash flow criadas pela contabilidade. De outro modo considera-se que alguns custos contabilísticos são verdadeiros investimentos sob o ponto de vista económico, dado o seu carácter de permanência, e que devem ser reconhecidos como tal.
Existem cerca de 160 ajustamentos possíveis a fazer à contabilidade, no apuramento do EVA. Ajustamentos estes que poderão passar pela capitalização de custos com investigação e desenvolvimento, alugueres operacionais e amortizações de goodwill. Poderão também desconsiderar determinados custos contabilísticos como as provisões, uma vez que não correspondem a uma efectiva saída de cash-flow e podem ser manipuláveis com alguma facilidade.
Mais do que obter uma precisão científica com estes ajustamentos, é importante salvaguardar a simplicidade e a consistência dos valores ao longo do tempo. De nada servirá um indicador se não for relativamente fácil explicá-lo a gestores não – financeiros ou se for demasiado oneroso implementá-lo. Por isso, normalmente não se fazem mais do que 10 ajustamentos à contabilidade para o cálculo do EVA. Como regra só se devem fazer os ajustamentos que forem materialmente relevantes e cuja informação esteja facilmente disponível.
Valerá a pena implementar o EVA?Sendo o EVA uma ferramenta de gestão é necessário que a gestão de topo e os proprietários da empresa a compreendam e acreditem que os benefícios superem os custos de implementação. Algumas características desta ferramenta são inegáveis, nomeadamente:
- Conduz a melhores decisões de gestão porque se concentra na verdadeira criação de valor, o que não acontece com outros indicadores de gestão tradicionais;
- O conceito do EVA é simples e fácil de comunicar, mesmo a pessoas não familiarizadas com a área financeira;
- Para o implementar, tudo o que necessita são as demonstrações financeiras produzidas regularmente pela contabilidade;
- É possível subdividir o EVA por áreas funcionais, funcionando assim como um bom mecanismo de motivação e responsabilização das pessoas.
- Como principais limitações poderíamos apontar a dificuldade no cálculo do custo do capital e os ajustamentos à contabilidade, embora com a ajuda de técnicos financeiros qualificados esta questão seja facilmente ultrapassável, pelo que não deverá desistir por isso. O simples facto de analisar e tratar cuidadosamente da informação financeira levanta em muitos casos questões que estavam escondidas e que subitamente se tornam visíveis.
Uma vez implementado na sua empresa, o EVA deverá ser comunicado e discutido por todos. Para testar a sua eficácia, deverá ser possível perguntar a um gestor qual o valor do EVA do mês anterior e obter uma resposta pronta!
