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Etiqueta organizacional: Oferecer Prendas no local de trabalho?

Escrito por  Patrícia Araújo
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Se assim que leu este título, pensou "Hum? Oferecer prendas...claro que se pode oferecer prendas no local de trabalho", então este artigo é mesmo para si. Este assunto não é assim tão linear...e dá "panos para mangas". 

 

Qual é a pessoa que não fica feliz por receber um presente? Pois é, mas no ambiente laboral, impõem-se algumas regras de etiqueta quanto a receber e oferecer presentes, seja a quem for.

A aqui vai uma pequena história, que me aconteceu há quase dez anos.

Logo na primeira semana que comecei a trabalhar como consultora de recursos humanos, uma das sócias-gerentes que trabalhava mais intimamente comigo no campo do recrutamento e selecção avisou-me "Nem pensar receber presentes de seja quem for, seja que presente for. Recuse mil vezes, e só se pessoa demonstrar grande tristeza e sentir que a não-aceitação é um grande insulto...aí é que pode receber, mas só se o presente não tiver valor comercial quase nenhum"...

Obviamente, isto aplicava-se aos candidatos em processos de recrutamento e selecção. Poderão pensar que não havia muita gente a trazer presentes, mas havia. Desde garrafas de vinho, presuntos, chouriços a outros presentes mais cosmopolitas. As pessoas queriam mostrar a todo o custo que eram "boas pessoas" e que mereciam aquele emprego.

Nessa altura, decorriam muitos processos de recrutamento para a área bancária: chegávamos a receber mais de cem candidatos num dia, para seleccionar uns vinte ou trinta para entrevistas individuais no final do dia! Era compreensível que as pessoas tentassem ganhar vantagem competitiva...mas não é aceitável.

No entanto, no mundo dos negócios, o acto de oferecer um presente é um gesto muito apreciado e, por isso, com as devidas precauções é uma tradição a ser mantida. No caso de relações cliente-profissional pode parecer mais simples, mas mesmo assim existem muitos cuidados a observar. Vejamos algumas linhas orientadoras.

1. A regra essencial diz que não devemos aceitar presentes em contexto profissional, salvo honrosas excepções das quais falaremos abaixo. Aceitar um presente não implica apenas a pessoa que oferece e a pessoa que recebe: nenhum ser humano é uma ilha, não vivemos isolados, logo, estamos enquadrados numa organização e numa sociedade. Receber um presente poderá ter implicações graves na percepção das pessoas à nossa volta (e na narrativa que compõem acerca do processo de oferta!). Há que reflectir profundamente sobre o valor desse presente e do seu contexto, para decidir aceitá-lo ou educadamente recusá-lo.

2. Numa relação profissional, seja dentro da mesma organização, seja entre-organizações, existem alguns momentos-chave nos quais é indicado ou aceitável presentear alguém como, por exemplo:

  • Expressar agradecimento por algo que a pessoa facilitou ou nos ajudou;
  • Estreitar relações comerciais
  • Congratular alguém por uma promoção ou uma grande performance (por exemplo, atingir determinados objectivos, conquistar um grande cliente, etc.)
  • Presentear alguém pelo seu aniversário;
  • Oferecer uma lembrança a alguém que vai sair da empresa (seja por motivos de desvinculação ou reforma);
  • Oferecer uma lembrança por casamento ou pelo nascimento de um filho/a.
  • Oferecer um presente a alguém que está em luto (ou oferecer flores no funeral do parente desse colega de trabalho).

3. Além dos casos previstos acima, podemos considerar o caso especial da oferta de flores. Podemos oferecer/enviar flores ou vasos de plantas por motivos específicos como, por exemplo, agradecer um convite para um jantar de negócios ou para assistir a um evento cultural.

3. Em caso de sermos nós a oferecer o presente, não devemos esquecer que todos os presentes devem ser embrulhados e que devemos anexar um cartão profissional para expressar os sentimentos que motivaram aquela oferta.

4. A regra de etiqueta diz também que, em todas as situações o presente, deve ser aberto à frente da pessoa que oferece. Isto é ainda mais importante no meio profissional, para que não reste dúvidas da profissionalidade do gesto. Se não se gosta particularmente do presente, é aconselhado não exteriorizar, se se gostar imenso do presente, deve-se agradecer, mas nunca ser demasiado efusivo.

5. Nas organizações surgem ainda outras situações particulares. Alguém que vai casar ou festejar o aniversário faz-nos um convite. Não é considerado falta de educação não entrar numa lista de casamento ou de aniversário de um colega por motivos económicos ou por se optar por um presente individual. Porém, o mais aconselhado é tentar, sempre que possível entrar nestes presentes conjuntos. Se estiver a gerir esta prenda conjunta, tenha consciência que mesmo que não entrem na prenda todos os colegas de departamento, o mais elegante é incluir o nome de todos do departamento no cartão de felicitações.

6. Nunca é aconselhado oferecer, seja a quem for, uma presente superior a 50/70 euros, seja prenda individual ou partilhada por vários colaboradores. Quando receber um presente de valor mais elevado que isto, deve-se proceder à devolução do mesmo com uma nota de agradecimento, explicando o motivo ético. Facilmente um presente como este é percebido pelos outros como algum tipo de suborno ou tentativa de influenciar a decisão da pessoa. (Em nota pessoal, já que trabalho actualmente em Angola, usa-se a expressão "dar a gasosa" para designar esse suborno ou uma ligeira ajuda num determinado processo).

7. Por outro lado, se o presente tiver nítida conotação sexual, também é aconselhado proceder à devolução do mesmo educadamente, deixando bem claro que se trata de um presente impróprio (por exemplo, roupa interior íntima, perfumes, flores vermelhas, etc). Neste caso, não se deve pensar que só é impróprio quando é oferecido entre homens e mulheres: é sempre impróprio, seja entre sexo for, ou seja entre que níveis de hierarquia for.

8. Se deseja oferecer uma lembrança a alguém que é seu colega de trabalho, independentemente da hierarquia), consulte abaixo alguns presentes adequados:

  • CD ou DVD ou Livros (exceptuando livros com conteúdos sexuais ou de temas profundamente polémicos como religião, política, etc.)
  • Um Álbum de fotografias
  • Uma pequena obra de arte (pequena escultura, pequena pintura, etc.)
  • Um arranjo floral, ou um vaso para escritório
  • Um calendário de parede ou de secretaria, uma agenda, uma caneta elegante ou ainda um porta-chaves.
  • Uma moldura de secretária
  • Um porta-cartões pessoais

9. Quanto mais souber a respeito da pessoa presenteada, mais poderá adaptar estes conteúdos (ex. descobrir os passatempos da pessoa, pedir uma sugestão a alguém próximo, como por exemplo, um assistente ou um colega). Quando não se conhece bem a pessoa, o ideal é sempre escolher algo que possa ser usado frequentemente no próprio local de trabalho (que é o vosso elemento comum!).

Aliás, esta regra é de ouro. Em caso de dúvida, deve sempre oferecer algo para usar no gabinete/espaço de trabalho da pessoa. O presente é adequado, é comum ao contexto que partilham e vai ser do conhecimento público.

10. Ao nível das relações públicas ou departamentos de comunicação/relações externas, é aconselhável manter um registo (por ex. Uma folha Excel simples), listando os vários presentes que foram oferecidos, seja às pessoas dentro da empresa, seja a clientes ou fornecedores. Esta técnica simples evitará o incómodo de se aperceber mais tarde que repetem frequentemente o tipo de presentes.

11. Os presentes considerados POLITICAMENTE correctos no meio organizacional são os chamados vulgarmente de "Brindes" ou Merchandising da empresa (são personalizados em certa medida, pois grande parte das vezes figura o nome da empresa em algum local do brinde). O brinde deve ser entregue numa embalagem com o logótipo da empresa e não deve ser embrulhado posteriormente com outro papel de embrulho. São presentes de larga distribuição e logo, não são avaliados pelo seu valor material. Algumas ideias são: as agendas, os porta-chaves, as canetas, as mochilas e todos os tipos de pastas (desde a que se oferece aos filhos de colaboradores até à que se oferece aos gestores de topo e conselhos de administração de outras empresas), as t-shirts, os guarda-chuvas, etc. Conforme o sector de actividade da empresa, esta pode personalizar e tornar úteis os brindes, por exemplo, fios de prumo e níveis (para empresas de construção), réguas e canetas especiais (para empresas de materiais de escritório), etc.

12. Apesar de não ser muito correcta a oferta de bebidas alcoólicas ou artigos para consumo gastronómico, no Natal abre-se uma excepção. Os famosos cabazes de Natal são uma excelente prenda, seja para colaboradores, clientes ou fornecedores. Dada a tradição portuguesa, não há qualquer problema em oferecer uma garrafa de vinho do porto ou algo semelhante, bem como o bacalhau, chouriços e outros artigos à escolha a incluir no cabaz.

13. Os presentes recebidos, tem de ser "agradecidos", sem falta. Idealmente, o agradecimento seria feito pessoalmente, mas é aceitável enviar uma nota de agradecimento ou um e-mail (desde que se tenha certeza de ser o e-mail correcto!). O agradecimento deve ser enviado no máximo em até dois dias após a recepção do presente.

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Úlima modificação em Quarta, 29 Dezembro 2010 16:22
Patrícia Araújo

Patrícia Araújo

Patrícia Araújo é Escritora, Consultora de RH e Formadora. É Psicóloga (Membro da Ordem dos Psicólogos Portugueses) e Mestre em Psicologia Organizacional pela Universidade do Porto e paralelamente é professora de Yoga., exerce consultas de psicologia (orientação psicologia positiva-humanista), sendo também docente universitária. Contacto: pattaraujo@gmail.com

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