Saber que existem milhares de pessoas na mesma situação que você, pode parecer-lhe uma grande ajuda ... mas não é.
Há uma velha lenda oriental, que conta a história de dois mendigos. Um mendigo estava sozinho a deambular havia meses, sem ver nenhum outro ser humano. Já começava a pensar se seria o último ser humano à face da terra, ou se teria acontecido uma grande catástrofe ou uma guerra e ele não sabia. Sentia-se muito triste e formulou internamente um desejo muito forte de encontrar alguém que partilhasse da sua situação, que o compreendesse profundamente.
Passado alguns dias, qual não é o seu espanto, quando, debaixo de uma árvore enorme, deitado na sombra, estava outro mendigo! Apresentaram-se, abraçaram-se e trocaram as primeiras impressões. O outro mendigo estava na mesma situação, sozinho, triste e sem ver ninguém há bastantes semanas. Sentaram-se os dois e conversaram longamente, partilhando as suas ideias, os seus sofrimentos e pensamentos. Passado dois dias, começaram a sentir de novo a tristeza e a solidão que sentiam dentro deles mesmos.
Moral da História: Não adianta arranjar mais pessoas que se sintam sozinhas e perdidas, porque a única coisa que vão partilhar é a solidão e a sensação de desnorte!
Basicamente, você pode encontrar-se em duas situações: ou ainda não sabe o que quer fazer profissionalmente ou já está a fazer algo profissionalmente e sente que essa função que exerce não lhe agrada ou não é ideal para si.
A metáfora das portas é óptima para perceber as duas condições
No primeiro caso, todas as portas estão abertas para si. Este é o momento ideal para mantê-las abertas! Não queira tomar decisões rapidamente pois ao forçar-se a optar por uma das portas está a encostar todas as outras.
No segundo caso, você pensa que ao aceitar determinada função fechou as outras portas e agora acha difícil sair da situação em que está. Mas todas as portas continuam lá para si, ligeiramente encostadas apenas!
Já o senso comum costuma dizer que "quando Deus fecha uma porta, abre uma janela".
Há milhões de possibilidades à sua espera, sem que você precise de andar a correr e a cismar nas opções que tem de tomar.
Como disse no início, deve riscar essa palavra do seu vocabulário. A linguagem que usamos no nosso dia-a-dia estrutura a nossa vida. Os estudos científicos na área das ciências sociais e humanas já nos dizem isso há décadas, mas recentemente, novas abordagens (como é o caso do Coaching) sobre este assunto voltaram a trazer à luz este problema. Uma das vertentes do Coaching consiste mesmo em mudar os comportamentos e atitudes das pessoas com base numa mudança no pensamento e linguagem.
Voltando à história dos mendigos, quando um dos mendigos se sentiu só formulou um desejo de encontrar alguém na mesma situação. É um passo comum que muitas pessoas tomam: encontrar alguém com quem partilhar a sua dor. Mas isso não lhe traz evolução. O desejo que tem de formular internamente é encontrar alguém que já decidiu e encontrou o seu caminho profissional. Encontrar um mentor ou alguém que partilhe a sua história consigo.
Por último, há que reflectir sobre a solidão. Esta palavra ganhou um teor um pouco negativo na sociedade actual. Se se sente sozinho e solitário, não fuja dessa situação. Sinta a solidão no seu máximo expoente. Pode parecer algo masoquista, mas a resposta para os seus problemas pode estar mesmo em viver a sua solidão e não em fugir dela. Permita-se ficar só quanto tempo for preciso, deixe os seus pensamentos correrem na sua cabeça livremente: não analise. Uma boa parte do pensamento criativo ocorre na solidão.
É muito provável que a resposta criativa para a sua situação profissional esteja nesses momentos de qualidade que passa consigo mesmo.
